Cautela nos mercados

10.06.2016

 

Os ajustes nos ativos de risco tendem a continuar nesta sexta-feira, diante da proximidade do fim de semana e também da reunião de junho do Federal Reserve, o que redobra a cautela nos negócios globais e instiga uma realização dos ganhos recentes. Apesar da possibilidade praticamente nula de aperto monetário neste mês, os investidores estarão atentos à coletiva de imprensa a ser concedida pela presidente do Fed, Janet Yellen, após o anúncio da decisão, na quarta-feira que vem.

 

Afinal, o mercado financeiro quer saber se há chances de aumento da taxa básica de juros dos Estados Unidos no próximo mês. Por ora, os investidores estão subestimando essa possibilidade, mas, para o Goldman Sachs, uma nova alta em julho “segue viva” e Yellen está de olho nos ganhos exacerbados de bolsas, commodities e moedas emergentes dos últimos dias. Tudo isso, apesar da perspectiva frágil para a economia global.

 

Diante disso, a cautela prevalece no exterior hoje, com as bolsas, enquanto o dólar avança e o barril do petróleo cai abaixo de US$ 50. Nos metais, o cobre caminha para a pior semana em um mês, rumo aos menores níveis desde fevereiro, ao passo que o níquel zera os maiores ganhos desde março. O ouro também recua.

 

Os investidores avaliam os potenciais eventos sísmicos a partir da segunda metade do mês, que reserva não apenas a reunião do Fed, mas também a decisão dos bancos centrais do Japão (BoJ) e da Inglaterra (BoE), além do referendo no Reino Unido sobre a permanência da ilha na União Europeia (UE), no dia 23, e as eleições gerais na Espanha, três dias depois.  Esses eventos podem perturbar os mercados, com o recente otimismo em meio à combinação de política monetária frouxa por parte dos principais BCs do mundo e crescimento econômico global moderado já atingindo o seu pico e abrindo espaço para uma correção.

 

As principais bolsas europeias estão no vermelho nesta manhã, seguindo o sinal negativo vindo da Ásia, com destaque para as perdas em Hong Kong (-1,20%), que voltou do feriado. Na Oceania, a Bolsa de Sydney caiu 1%. Os índices futuros em Nova York também recuam. As ações de bancos e mineradoras lideram as perdas na Europa, que caminha para a maior sequência de perdas em mais de um mês. E pode ser só o começo, já que um estudo mostra que se o chamado "Brexit" se confirmar, as ações do Velho Continente deve perder cerca de 25% em valor de mercado, apenas na primeira reação ao resultado do referendo.

 

As expectativas para oscilação de preços na libra esterlina subiu pela sexta semana para o maior nível em sete anos, com a moeda sendo cotada abaixo de US$ 1,45. O dólar tem ganhos generalizados ante os rivais, em meio à maior demanda por ativos seguros, o que levou o rendimento (yield) do título japonês de 10 anos para um novo recorde de baixa.

 

A agenda econômica novamente fraca no Brasil e no mundo tende a ampliar a correção vista nos mercados globais ontem. Os negócios assumem uma posição defensiva no exterior e essa cautela tende a ser replicada por aqui, com as atenções do dia voltadas apenas para a leitura preliminar da confiança do consumidor nos EUA neste mês (11h).

 

Logo cedo, a Fipe informou que seu Índice de Preços ao Consumidor (IPC) desacelerou de 0,57% na leitura final de maio para 0,40% na primeira prévia de junho, com destaque para a alta dos grupos Despesas Pessoais (+1,11%) e Saúde (+1,07%). Apesar da surpresa com a leitura mais suave no início deste mês, outros indicadores de inflação, sobretudo no atacado, têm corroborado a aposta de que o início do ciclo de cortes da taxa básica de juros (Selic) deve ficar para a segunda metade de 2016 – ou talvez para o último trimestre deste ano.

 

No curto prazo, o cenário tem sido desfavorável à inflação, principalmente diante dos efeitos das chuvas nos alimentos e dos reajustes de preços administrados previstos para o segundo semestre deste ano. Ao que tudo indica, a nova diretoria do Comitê de Política Monetária (Copom) deve optar por um alívio nos preços pela via do câmbio, que ficará mais livre para flutuar. Por isso, o dólar tem se ajustado, para baixo, ante o real, ao passo que o prêmio da curva de juros futuros tem sido realocado.

 

O revés dessa política é o impacto na balança comercial, que vinha acumulando superávits robustos, com as exportações em alta e importações em queda praticamente revertendo o saldo negativo das contas externas. Nessa escolha que troca venda de bens e produtos ao exterior por serviços, como viagens internacionais, pesa mais para o Banco Central a necessidade de juros mais baixos não somente para melhorar o consumo interno, mas, principalmente, para reduzir o custo de carregamento da dívida pública.

 

 

 

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