Mercados têm rali

07.06.2016

 

Os ativos de risco, como ações e commodities, têm ganhos acelerados nesta terça-feira, em meio à percepção de que a taxa de juros nos Estados Unidos irá subir, no máximo, apenas uma vez neste ano. As matérias-primas entraram em um mercado de alta (bull market), com destaque para o petróleo, que flerta com o nível de US$ 50 o barril, diante dos cortes no abastecimento. Esse movimento impulsiona as moedas de países produtores. Nas bolsas, o sinal positivo prevaleceu na Ásia, passou pela Europa e chegou em Nova York, podendo respingar no Brasil.  

 

Tudo isso porque ontem a presidente do Fed, Janet Yellen, se esquivou em estabelecer um cronograma do ciclo de aperto monetário nos EUA, omitindo a frase “nos próximos meses”. Ela também salientou que a economia norte-americana segue a caminho de receber mais um aperto gradual na taxa de juros, com as forças positivas superando as negativas.

 

A possibilidade de aumento nos Fed Funds em julho caiu a 22%, de 27% na semana passada, após os números decepcionantes sobre o mercado de trabalho norte-americano, que registrou em maio a menor geração de vagas em seis anos. Dezembro é agora o primeiro mês com mais chance de um aperto no juro. Assim, enquanto se manter a perspectiva de que os custos para empréstimo nos EUA seguirão baixos, isso tende a embalar as ações e moedas de maior risco, principalmente de países emergentes.

 

Contudo, é bom lembrar, que esses ganhos podem ser de curta duração, pois o crescimento da economia global permanece moderada. Aliás, o Banco Mundial publica hoje uma atualização das projeções para a expansão econômica no mundo, que pode ficar abaixo da alta de 2,9% neste ano prevista em janeiro.

 

Novos indicadores sobre o mercado de trabalho norte-americano serão conhecidos hoje. Às 9h30, sai a leitura revisada da produtividade e dos custos trabalhistas nos três primeiros meses de 2016. Depois, à tarde, é a vez do crédito ao consumidor em abril.

 

Logo cedo, sai a leitura final do Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro no primeiro trimestre deste ano, que deve confirmar o dado preliminar, que apontou expansão de 0,5% em relação aos últimos três meses de 2015. À noite, sai o PIB do Japão, no mesmo período.

 

Internamente, as novas denúncias no campo político brasileiro geram dúvidas sobre o campo minado montado em Brasília, sem saber quem pode ser o próximo alvo. Com o vazamento do conteúdo inicial da delação do executivo Marcelo Odebrecht atingindo, exclusivamente, a campanha à reeleição da presidente afastada Dilma Rousseff, não se pode descartar os impactos no presidente interino Michel Temer.

 

Afinal, a revelação de uso de “caixa 2” na campanha de Dilma levanta questionamentos sobre a chapa que disputou a Presidência em 2014, servindo de munição para o processo que ainda está em curso no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A questão a ser julgada naquela Corte era a preferida pelo PSDB para destituir o mandato de Dilma, levando Temer consigo.

 

Porém, as delações de outra empreiteira, OAS, e do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, têm acusações contra o senador Aécio Neves, segundo colocado nas eleições de dois anos atrás. Lideranças do PMDB, como José Sarney, Renan Calheiros, Romero Jucá e Edison Lobão, também estariam na lista.

 

Além disso, as revelações envolvem dois ministros de Temer, Henrique Alves (Turismo) e Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo). Outros dois, Fábio Osório (AGU) e Fátima Pelaes (Secretaria das Mulheres) estão na mira e devem ser persuadidos a pedir demissão ainda nesta semana, em meio à série de episódios que o desgastaram nas últimas três semanas.

 

De todos esses personagens, muitos são apoiadores importantes da gestão interina. Juntos, todos eles tendem a renovar o cenário conturbado em Brasília, gerando mais dúvidas sobre a capacidade de o governo interino conseguir aprovar medidas econômicas que melhorem a perspectiva para a dívida pública. Talvez por isso, é grande o interesse em apressar o julgamento de Dilma, pois um calendário mais curto poderia beneficiar Temer.

 

Mas a comissão especial do impeachment no Senado recuou e manteve os prazos, o que pode estender até agosto a duração do processo. Agora, acusação e defesa tem 15 dias para fazerem suas alegações, dando mais tempo para que a base de Dilma conquiste votos favoráveis. Ainda no Congresso, a Comissão de Ética da Câmara vota a cassação do presidente afastado Eduardo Cunha - e ele pode escapar.

 

Na agenda econômica, sai o IGP-DI de maio, às 8h. O dado deve acelerar fortemente ante a leitura de abril, passando de +0,4% para +0,9%, por causa da pressão vinda dos subíndices da agropecuária e da indústria.

 

Mas o destaque doméstico fica com a sabatina do indicado para presidir o Banco Central, Ilan Goldfajn, no lugar de Alexandre Tombini, às 10h no Senado. O mercado aguarda pistas do futuro comandante sobre quando pode começar o ciclo de redução da taxa básica de juros (Selic), agora que o dólar está mais favorável e a atividade segue fraca, com o lado fiscal sinalizando que irá contribuir mais.

 

Hoje, tem início a reunião de dois dias do Comitê de Política Monetária (Copom), que não deve trazer surpresas e tende a decidir pela manutenção da Selic em 14,25% ao ano, por unanimidade.

 

 

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