Meio cheio ou meio vazio?

03.06.2016

 

O mercado doméstico vê o copo “meio cheio” e comemora a aprovação da pauta-bomba de R$ 60 bilhões em reajustes ao funcionalismo público, ecoando a salva de palmas pedida ontem pelo presidente interino, Michel Temer, ao Congresso. O receio de perder força na Câmara se dissipou, com o governo interino recebendo apoio para avançar seus projetos. Mas votações mais difíceis ainda estão por vir e tudo pode mudar, esvaziando o copo.

 

Ontem, em entrevista na TV, Temer admitiu que pode recorrer à CPMF que, se vier, será temporária. Confiante em sua habilidade política para negociar e aprovar as medidas econômicas, com elevado apoio da base aliada, o presidente interino também não descarta um aumento na idade mínima para aposentadoria. Ele é claro em dizer que "ou a Previdência Social é reformulada, ou todos os pensionistas sofrerão".

 

Diante desse alívio no cenário político, a primeira semana de junho chega ao fim com as atenções voltadas para o relatório oficial de emprego nos Estados Unidos. O chamado payroll pode determinar o momento exato do aumento dos juros norte-americanos, dando pistas sobre se o aperto monetário ocorrerá mesmo neste ou no próximo mês.

 

Mas, considerando-se as decisões do Banco Central Europeu (BCE) e da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), ontem, além dos dados recentes sobre atividade e emprego nos EUA, nenhum desses pontos parecem estar fora da realidade antecipada pelos investidores – que tampouco esperam por uma nova alta na taxa dos Fed Funds em breve.

 

Com a deflação ainda assombrando a zona do euro, ávida por mais estímulos, e o cartel de petróleo se esquivando em reduzir a produção da commodity, a ausência de pressão inflacionária nas economias maduras é um dos motivos para postergar qualquer decisão do Federal Reserve. Não bastariam apenas os sinais de pleno emprego nos EUA, pois também não se podem desprezar os efeitos no crescimento global, sobretudo nos países emergentes.

 

Ciente de que os riscos de alta nos preços são pequenos, o presidente da distrital de Chicago do Fed, Charles Evans, avalia que o Banco Central norte-americano deveria evitar um aumento adicional nos juros até que a inflação nos EUA atinja o alvo de 2%. Ele, porém, não é membro votante do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) neste ano e deve apenas colocar a questão em debate na reunião deste mês.

 

Mas o colegiado do Fed tem sido incisivo na indicação de que os juros devem subir nos próximos meses, dando mais um passo no processo de normalização monetária, iniciado em dezembro passado à dose mínima de 0,25 ponto. Na curva projetada de juros futuros, a precificação para uma nova alta em junho caiu a 22%, enquanto para julho subiu a 55%.

 

E são os números do payroll de hoje que devem moldar as expectativas quanto ao momento exato da próxima alta. A previsão é de geração de 170 mil postos de trabalho em maio, acima da abertura de 160 mil vagas em abril, com a taxa de desemprego caindo a 4,9%, de 5%, no período. O resultado sai às 9h30.

 

No mesmo horário, será conhecido o saldo da balança comercial no mês passado. Ainda na agenda econômica norte-americana, às 11h, é a vez do índice ISM do setor de serviços em maio e das encomendas à indústria e de bens duráveis em abril.

 

À espera desses números, os índices futuros das bolsas de Nova York estão em ligeira baixa, um dia após Wall Street fechar nos maiores níveis desde novembro. Os negócios por lá ignoram o avanço do barril de petróleo Brent para além de US$ 50, após a queda nos estoques norte-americanos da commodity. O WTI, porém, recua. Entre os metais básicos, o cobre avança pela primeira vez nesta semana.

 

Na Europa, as principais bolsas europeias ensaiam ganhos, digerindo ainda dados de atividade na região e impulsionadas pelas ações de mineradoras e produtoras de petróleo. O índice Stoxx Europe 600 tem alta pelo segundo dia seguido. Os investidores também estão à espera do referendo em 23 de junho sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia (UE), sendo que pesquisas recentes indicam um crescimento apoio pela saída da ilha do bloco. A libra esterlina registra queda de quase 1,5% na semana.

 

Nos mercados emergentes, as commodities se aproximam do território de alta (bull market), embalando bolsas e moedas. Os dólares australiano e neozelandês lideram os ganhos ante o dólar, acumulando valorização ao redor de 2% na semana, cada, ao passo que o rand sul-africano está de lado à espera de uma possível revisão da Standard & Poor's (S&P) sobre a nota de risco de crédito (rating) do país. O won sul-coreano e a rupia da Indonésia também avançam.

 

Entre as bolsas, o índice MSCI de mercados emergentes caminha para fechar no maior nível em cerca de um mês, motivado pelo avanço na semana do índice chinês Xangai Composto, em meio às especulações de que a provedora MSCI irá incluir ações denominadas em yuan no índice global. A Bolsa de Xangai subiu 0,46% hoje, registrando o primeiro ganho semanal em quase dois meses. O sinal positivo prevaleceu na Ásia, com Tóquio subindo 0,48%.  

 

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