Mercados na expectativa por equipe de Meirelles

17.05.2016

 

Ficou para hoje cedo, o anúncio da equipe econômica do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, previsto para ontem. Essa largada ruim do novo governo causa apreensão nos mercados domésticos, com os investidores se perguntando se o presidente interino, Michel Temer, não tinha nenhuma medida pronta na gaveta, já que não foi surpreendido ao assumir a Presidência do Brasil.

 

Mas os negócios não vão dar o braço a torcer e aguardam os nomes escolhidos por Meirelles antes da abertura do pregão, enquanto mantêm o apetite por risco. E essa disposição encontra amparo no exterior, onde o avanço do barril de petróleo WTI para além de US$ 48, nos maiores níveis desde outubro do ano passado, sustenta um rali nos mercados, com os ganhos liderados pelas ações e moedas ligadas às commodities.

 

Por aqui, na agenda do ministro, consta uma entrevista à imprensa, às 8h30, quando deve ser confirmado o nome de Ilan Goldfjan para o Banco Central e anunciado os nomes dos presidentes dos bancos públicos. Ontem, foi anunciado a primeira mulher para um cargo de primeiro escalão no governo do presidente interino, Michel Temer. Trata-se de Maria Silvia Bastos, que ganhou a alcunha de "Dama de Aço" quando presidiu a siderúrgica CSN.

 

Por ora, o único anúncio efetivo feito pelo governo interino foi o corte de cargos comissionados, a ser efetivado até dezembro, e que deve trazer uma economia meramente simbólica nas despesas públicas. Aliás, o tempo com o qual Temer trabalha é polêmico, pois a única certeza é que ele tem até 180 dias no comando para tomar ações e traçar estratégias.

 

Se permanecer no cargo após esse período - o que culminaria na cassação dos direitos políticos da presidente afastada Dilma Rousseff - Temer, ainda assim, terá a metade do tempo de um mandato presidencial para soerguer a economia. Até porque, ele já ventilou que não pensa em reeleição em 2018, pois parece não se preocupar com a onda de insatisfação da população.

 

Mas nesta primeira semana do governo Temer, o foco político parece estar na tentativa de derrubar o presidente interino da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão. Afinal, a permanência dele no cargo pode comprometer o avanço de pautas impopulares, como as reformas trabalhista e previdenciária. Nos bastidores, porém, o presidente afastado da Casa Eduardo Cunha age para manter sua influência – o que desagrada à base aliada.

 

Nesse clima de déjà vu, os mercados domésticos devem seguir reféns do cenário político. Até porque a agenda econômica local está esvaziada hoje. Porém, o exterior traz dados relevantes nos Estados Unidos, o que tende a atingir o desempenho dos negócios por aqui.

 

As atenções se dividem entre o índice de preços ao consumidor norte-americano (CPI), às 9h30, e a produção industrial nos EUA, às 10h15. Combinados, os números devem calibrar as apostas sobre os próximos passos do Federal Reserve. Um aperto na taxa de juro do país em junho ou em julho segue como opção, mas o mercado está convicto de que o aperto, se vier, será ao menos em setembro – ou depois.

 

O fato é que os investidores estão mantendo o dólar forte, porém estável, diante da perspectiva de aperto monetário nos EUA, mas encontram nos preços debilitados das commodities e ativos correlacionados um lugar para alocar os recursos, em meio à liquidez abundante injetada pelos principais bancos centrais, por causa dos estímulos monetários. Afinal, com as taxas de juros perto de zero ou até negativa nas maiores economias globais, é preciso arriscar para garantir um pouco mais de lucro. Mas os investidores precisam de fatores mais positivos para comprar de mais forma agressiva. Do contrário, realizam.

 

Ainda no calendário dos EUA, saem dados do setor imobiliário (9h30). À espera desses números, os índices futuros das bolsas de Nova York estão em alta, pegando carona no avanço do petróleo, que ainda reflete a redução da produção nigeriana, bem como a percepção de que a demanda externa pela commodity ultrapassou a oferta. Como consequência, nos últimos nove dias, o petróleo subiu mais de 10%.

 

Nos metais básicos, o cobre e o ouro avançam pelo terceiro dia, o que embala as moedas de países produtores e exportadores de commodities. O destaque fica com o dólar australiano, que saltou ante o xará norte-americano, após a ata do Banco Central local (RBA) minar as apostas por um corte de juros no país em breve.

 

O won sul-coreano lidera os ganhos entre os pares, seguido de perto pelo ringgit malaio e pelo rand sul-africano. Nas moedas de países desenvolvidos, a libra esterlina chama a atenção ao registrar a maior alta em quatro semanas, após pesquisas de intenção de voto mostrarem um maior apoio da população pela permanência do Reino Unido na União Europeia (UE).

 

Porém, números sobre a inflação no atacado e no varejo encurtaram o fôlego de alta da moeda britânica, que voltou a ser negociada abaixo de US$ 1,45. Ainda assim, as principais bolsas europeias avançam nesta manhã, rumo à terceira alta consecutiva, com os ganhos liderados pelas empresas ligadas às commodities.    

 

Na Ásia, as principais bolsas da região também avançaram, embaladas pela recuperação nos preços das commodities. À noite, o Japão informa indicadores preliminares do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre deste ano, que podem ser a senha para estímulos adicionais vindos do Banco Central japonês (BoJ). Números sobre a indústria divulgados na virada do dia sobre a terceira maior economia mundial mostram que é grande a chance de uma nova rodada de afrouxamento monetário.

 

 

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