Mercado comemora placar no Senado


A vitória esmagadora no Senado hoje cedo para o afastamento temporário da presidente Dilma Rousseff deve ser comemorada hoje pelos mercados domésticos. Afinal, os 55 votos conquistados pela oposição dão segurança aos investidores de que a chance de reversão no processo de impeachment é praticamente nula, com o mandato de Dilma devendo ser cassado no prazo máximo de 180 dias.

Para a festa ser completa, basta que o agora presidente em exercício Michel Temer componha sua equipe econômica com nomes de reputação suficiente para resgatar a confiança no país. Até porque ele não conta com o apoio popular e pode ter pouco tempo para adotar as medidas necessárias para colocar o Brasil nos trilhos, antes de uma comoção.

Na pauta, estão temas polêmicos como leis trabalhistas mais flexíveis e a reforma da Previdência. As despesas obrigatórias em educação e saúde, a indexação dos benefícios da seguridade social ao salário mínimo e o estatuto do Banco Central também são alvo e fazem parte do programa apresentado pelo PMDB, intitulado “Uma Ponte para o Futuro”.

Aliás, já recebe resistência a proposta de Temer de fundir o Ministério da Previdência Social com o da Fazenda, que ficaria sob o guarda-chuva do ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles. A reforma das regras de acesso à aposentadoria é tida como o principal assunto da nova gestão para melhorar a evolução das despesas, que devem ter um corte drástico de custeio, a fim de se obter um megassuperávit nas contas públicas.

Mas ainda deve demorar uns dias para que a transição de comando, de Dilma para Temer, se efetue. Ela deve ser notificada hoje pelo Senado, ficando afastada do cargo a partir de amanhã. E o fator decisivo para os ativos brasileiros deve ser os primeiros passos do novo governo, a partir da próxima semana, que mesmo não tendo sido eleito encontrará à disposição uma maioria parlamentar.

Por isso, o placar de ontem será lido de forma bastante positiva pelos mercados hoje. Pois com uma só tacada, a conquista dos votos necessários para que o afastamento temporário de Dilma vire definitivo garante Temer no poder por dois anos, com chances de enfraquecer o PT em 2018, e instaura um governo comprometido com um programa que dificilmente seria aceito pelo povo nas urnas.

Além disso, a votação elevada de ontem sinaliza que Temer terá apoio no Congresso para as reformas necessárias e, quanto maior o apoio ao impeachment e ao vice, mais cairá o dólar e mais subirá a Bolsa. A perspectiva é de que a moeda norte-americana venha abaixo de R$ 3,45 e a Bovespa renova a máxima do ano, ultrapassando a marca dos 55 mil pontos.

Porém, sempre cabe uma recomposição.

A agenda econômica fraca do dia também deixa os mercados mais soltos. Os destaques locais desta quinta-feira são os balanços corporativos. Antes da abertura, saem os resultados trimestrais do Banco do Brasil e Oi; depois do fechamento, é a vez da Petrobras.

A estatal petrolífera pode vir com uma nova surpresa no desempenho financeiro nos três primeiros meses de 2016, uma vez que o petróleo atingiu a mínima histórica no início deste ano e a atividade econômica fraca no país tende a reduzir o consumo de combustíveis. Várias outras empresas também publicam seus demonstrativos contábeis hoje.

Entre os indicadores, no Brasil, sai apenas a pesquisa sobre o setor de serviços em março (9h). No exterior, serão conhecidos os pedidos semanais de auxílio-desemprego feitos nos Estados Unidos e o preço de produtos importados em abril, ambos às 9h30.

Logo cedo, a zona do euro informou a atividade industrial em março. Ainda pela manhã, às 8h, o Banco Central da Inglaterra (BoE) anuncia a decisão de política monetária, que deve manter o juro básico no mínimo histórico de 0,50%.


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