Mercado ensaiam recuperação

05.05.2016

 

Não se pode cair sempre. Após o início de maio ser marcado por um movimento de realização de lucros, os mercados internacionais ensaiam uma recuperação hoje, o que pode dar fôlego extra aos negócios locais, que ontem já mostraram uma melhora. As principais bolsas europeias sobem pela primeira vez nesta semana, sustentada nos ganhos dos índices futuros em Nova York e também no avanço do barril de petróleo para além de US$ 45.

 

As ações de empresas de energia e ligadas às commodities lideram a alta na Europa, recompondo parte das perdas recentes. O índice Stoxx Europe 600 caiu quase 5% nos últimos quatro dias, na maior queda desde 2013. Mas os balanços da Repsol e do BT Group embalam a recuperação, após o aumento do pessimismo dos investidores com indicadores econômicos na zona do euro e as preocupações com os estímulos monetários injetados.

 

Na Ásia, porém, o sinal foi misto, em uma semana repleta de feriados em vários mercados da região. Xangai subiu 0,22%, mas Hong Kong caiu 0,37%. Nas moedas, destaque para o dólar australiano ("aussie"), que figura entre os destaques de valorização após o crescimento acima do esperado das vendas no varejo do país.

 

Ainda na Austrália, chama atenção a troca de comando no Banco Central local (RBA), com o "excepcional" economista Philip Lowe assumindo o lugar de Glenn Stevens a partir de setembro. Mas o dólar perde terreno de modo generalizado ante os rivais emergentes, com o ran sul-africano e a lira turca também recuperando as perdas recentes. As divisas europeias, contudo, avançam.

 

Entre as commodities, o petróleo passa por um novo rali e sobe na faixa de 3%, em Londres e em Nova York, após o dado de ontem mostrar a maior queda na produção norte-americana da commodity em oito meses e em meio à paralisação da produção no Canadá. Os metais básicos, contudo, recuam, com a queda de mais de 2% do níquel liderando as perdas. O cobre cai pouco menos de 1%.

 

Assim, a melhora ensaiada pelos ativos de risco pode não ter sustentação, com os investidores lutando para conciliar os ganhos recentes com novas compras arriscadas, antes do período de férias (no Hemisfério Norte). Desse modo, o mercado de alta (bull market) parece já ter se esgotado.  

 

E a agenda econômica desta quinta-feira pode testar o apetite dos investidores, injetando uma dose extra de volatilidade nos negócios. Internamente, o destaque é a divulgação da ata da reunião da semana passada do Comitê de Política Monetária (Copom), quando decidiu por unanimidade, pela primeira vez desde novembro, manter a taxa básica de juros em 14,25%. O documento será divulgado logo cedo, às 8h30.

 

Nele, o Banco Central deve atribuir a mudança no placar da decisão à contração da atividade econômica nos três primeiros meses deste ano, combinada com a desaceleração atual dos preços e das expectativas inflacionárias. E essa avaliação deve ser a pista para calibrar as apostas em relação a um próximo movimento na Selic, de corte da taxa.

 

Apesar de o BC seguir dizendo que não vê espaço para flexibilização, as expectativas são de que um ciclo de afrouxo monetário tenha início já no próximo mês, a doses homeopáticas de 0,25 ponto porcentual (pp) até novembro (cinco encontros), com o juro encerrando 2016 em 13%. Qualquer queda maior, precisa da contribuição do lado fiscal.

 

Também merecem atenção os indicadores antecedentes domésticos de emprego (8h) e da indústria automotiva (11h), ambos em abril. Na safra de balanços, destaque para os resultados trimestrais de Braskem, antes da abertura, e de Pão de Açúcar, após o fechamento.

 

No exterior, mais um indicador sobre o mercado de trabalho nos Estados Unidos prepara o terreno para o relatório oficial (payroll), amanhã. Às 9h30, saem os pedidos semanais de auxílio-desemprego feitos no país.

 

No âmbito político, após a leitura do parecer do relator da comissão especial de impeachment no Senado, tem início hoje as considerações finais, antes da votação do documento do senador Antonio Anastasia, amanhã. Às 10h, o advogado-geral da União, José Eduardo Cardoso, tem uma hora para apresentação da defesa sobre a admissibilidade do processo de impeachment.

 

Em seguida, os senadores farão suas próprias análises, colocando o parecer de Anastasia em debate. A votação do relatório está marcada para sexta-feira. Se aprovado, o texto seguirá para o plenário da Casa. O presidente do Senado, Renan Calheiros, tem até 48 horas para marcar a votação, que deve acontecer na quarta-feira que vem (dia 11).

 

Se o processo for admitido pela maioria simples de senadores, a presidente Dilma Rousseff é afastada do cargo por até 180 dias. Nesse período, o vice-presidente Michel Temer assume o governo. Mas naquela pergunta sobre "quem cai primeiro?", o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu julgar hoje o pedido de afastamento do presidente da Câmara, Eduardo Cunha.

 

A ação foi protocolada pela Rede Sustentabilidade e questiona o fato de Cunha estar na linha sucessória da Presidência, mesmo sendo réu na Operação Lava Jato pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Nos bastidores, os ministros do STF afirmam que o pedido foi a alternativa encontrada para discutir a saída do presidente da Câmara, pedida pela Procuradoria-Geral da República em dezembro de 2015. Cunha disse estar tranquilo.   

 

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