Vendas em maio continuam


Como já dito, maio marca o movimento de “sell in may and go away” (venda em maio e vá embora), em referência a um período em que os grandes fundos de investimentos nos EUA e na Europa reduzem as exposições ao risco e buscam proteção em ativos mais seguros. Mas, após o observado nas bolsas e no dólar nos dois primeiros dias deste mês, cabe um repique - embora os investidores não estejam tão propensos a operações mais arriscadas.

A moeda norte-americana segue ganhando terreno ante os rivais nesta quarta-feira, após as declarações de dois integrantes do Federal Reserve sinalizarem a possibilidade de um aumento da taxa de juros em junho. O dólar avança frente as principais moedas desde segunda-feira e renovou o vigor após o presidente da distrital de Atlanta do Fed Dennis Lockhart dizer que um aperto monetário na próxima reunião é uma "opção real". O comandante da distrital de São Francisco John Williams disse que apoiará esse movimento.

Com isso, o barril do petróleo é negociado abaixo de US$ 44, ainda que com um viés positivo para o dia. Entre as moedas emergentes e correlacionadas às commodities, o rublo russo cai mais de 2%, após o petróleo recuar mais de 5% nos últimos dois dias. Nas bolsas da região Ásia-Pacífico, destaque para as quedas de mais de 1% em Sydney e na Indonésia.

A combinação de alta dos juros nos Estados Unidos com a fraqueza da economia mundial e a baixa demanda por insumos básicos tem elevado a ansiedade dos investidores, que continuam fugindo do risco. Os mercados financeiros globais haviam se recuperado das mínimas em anos em fevereiro e agora têm sofrido um revés, diante da decepção com indicadores econômicos e balanços corporativos.

Aliás, as principais bolsas europeias exibem ligeiras perdas nesta manhã, com os investidores digerindo os números mistos sobre os resultados de empresas e também sobre a saúde da atividade na zona do euro. O destaque fica para o tombo de mais de 5% das ações da mineradora BHP Billiton, que cederam ao menor nível desde 2008, em meio à queda nos preços das commodities e também à ação judicial sofrida no Brasil.

Esse movimento deve respingar nos papéis da Vale, parceria da mineradora anglo-australiana nos negócios da Samarco. As ações da AmBev também devem seguir a queda da controladora Anheuser-Busch InBev, após a líder mundial em bebidas registrar lucro e vendas abaixo do esperado. Em reação, a Bovespa deve se aproximar ainda mais dos 50 mil pontos, um dia depois de perder o nível dos 53 mil.

Os índices futuros das bolsas de Nova York também estão no vermelho, mas as perdas são moderadas e podem ser revertidas a depender dos números da economia dos EUA a serem conhecidos hoje. O calendário norte-americano está carregado e traz os índices PMI e ISM sobre a atividade, às 10h45 e às 11h, respectivamente, juntamente com as encomendas às fabricas em março (11h). Depois, às 11h30, é a vez dos estoques semanais de petróleo bruto e derivados no país.

Antes, às 9h30, é a vez dos números da balança comercial no país em março e da produtividade e dos custos trabalhistas no primeiro trimestre de 2016. Mas o destaque mesmo fica para o relatório da ADP sobre o mercado de trabalho no setor privado norte-americano, às 9h15, que deve mostrar a criação de 200 mil vagas nas empresas em abril.

Se confirmado, o dado pode calibrar as apostas em relação à condução dos juros básicos pelo Fed. Afinal, a sinalização de melhora expressiva do emprego nos EUA e a redução dos riscos globais – em especial China e petróleo - tem deixado cada vez mais firme a tendência de elevação da taxa dos Fed Funds ainda neste primeiro semestre.

No Brasil, os investidores já começaram a contagem regressiva para o afastamento temporário da presidente Dilma Rousseff. Pelo cronograma do Senado, a sessão de votação deve acabar no fim da noite da próxima quarta-feira (dia 11). O presidente da Casa, Renan Calheiros, estuda a votação por painel eletrônico. Assim, os senadores apertariam o botão praticamente ao mesmo tempo, evitando as homenagens vistas na Câmara.

Se acolhido o pedido de abertura de impeachment por maioria simples entre os 81 parlamentares, Dilma cede lugar ao vice-presidente, Michel Temer, já na manhã do dia 12 de maio. Ela passa a ser uma presidente da República afastada das suas funções por até 180 dias e ele, o presidente em exercício, substituindo temporariamente o presidente eleito.

Ao sair do Palácio do Planalto, indo para o do Alvorada, Dilma pode descer a rampa principal, acompanhada de ministros, assessores, amigos e talvez até o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Trata-se de um ato simbólico para mostrar que não está sozinha e que manterá a estratégia de enfrentamento para os até seis meses em que ficará afastada enquanto o Senado julgar sua cassação definitiva.

Neste dia em que dados de atividade nos setores industrial e de serviços, referentes ao mês de abril, recheiam a agenda econômica, o dado doméstico será conhecido às 10h. Às 12h30, o Banco Central entra em cena para divulgar o fluxo cambial e o índice de preços de commodities (IC-Br), ambos sobre o mês passado. Na safra de balanços, destaque para os resultados trimestrais de Ambev, antes da abertura, e de Gerdau, depois do fechamento.

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