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Entre a política e a economia


O noticiário político continua no foco dos mercados domésticos, mas, aos poucos, os investidores também deslocam o radar dos negócios para os indicadores econômicos, em busca de pistas sobre o que pode está por vir em uma eventual mudança de governo. A expectativa por uma troca de comando em Brasília deixa os investidores ansiosos, ávidos por medidas mais pró-mercado.

O fato é que o governo ainda não parece estar agindo como se a cortina estivesse fechando e fosse sair de cena. Após o chamado “pacote de bondades” anunciado pela presidente Dilma Rousseff no Dia do Trabalho, o Ministério da Fazenda elevou, a partir de hoje, o imposto (IOF) sobre operações de crédito, câmbio e seguros relativas ao mercado financeiro.

Tido pelos investidores como mais uma sinalização ruim, o aumento do tributo deve elevar em pouco mais de R$ 2 bilhões a arrecadação anual, com impacto no déficit primário deste ano, que tende a ficar menor. Mas o intuito da medida é regulatório (e não arrecadatório).

Afinal, os investidores estrangeiros e as instituições financeiras estavam tirando proveito dessas operações de captação, em detrimento das demais. Aliás, hoje, o Banco Central oferta mais US$ 1 bilhão em swap cambial reverso (compra de dólar no mercado futuro).

É bom lembrar que está amparada na Constituição a avaliação de que o vice-presidente Michel Temer não pode nomear ministros, caso Dilma seja afastada temporariamente do cargo, após votação no Senado, prevista para a semana que vem. Para que o governo eleito seja destituído, a Casa Alta precisa condenar a presidente, em julgamento que tem até 180 dias para acontecer.

Talvez até por isso, Temer esteja articulando para suspender o recesso parlamentar do meio do ano e acelerar a decisão final sobre Dilma, pondo fim à questão do impeachment. Assim, a pauta econômica e as reformas (trabalhista, previdenciária, tributária e administrativa) seriam colocadas em discussão, antes do início da campanha eleitoral nos municípios.

Na agenda econômica desta terça-feira, no Brasil, destaque para os números da produção industrial em março e no acumulado dos três primeiros meses deste ano. A estimativa é de recuperação de parte da queda acentuada em fevereiro (-2,5%), com a atividade crescendo 1,5%, em base mensal. Na comparação anual, porém, a indústria deve ter recuado pelo 25º mês consecutivo (desde março de 2014), em -10,5%.

O resultado oficial será conhecido às 9h. Logo cedo, a Fipe informou que o índice de preços ao consumidor (IPC) na cidade de São Paulo desacelerou de 0,97% em março para uma alta de 0,46% em abril. Ainda no calendário doméstico, destaque para o balanço trimestral do Itaú Unibanco, antes da abertura do pregão na Bovespa, e para os dados da Fenabrave sobre o emplacamento de veículos no mês passado.

Números antecipados ontem mostram que abril foi mais um mês fraco para a indústria automotiva, com o setor encolhendo quase 30% apenas nos quatro primeiros meses de 2016. Nos Estados Unidos, as montadoras também informam, ao longo do dia, o desempenho das vendas em abril, no único indicador norte-americano previsto para hoje. À espera desse número, Wall Street recua.

Na Europa, pela manhã, o Reino Unido anuncia indicadores sobre a atividade na indústria no mês passado e sai também o índice de preços ao produtor (PPI) na zona do euro em março. Mas é a temporada de balanços que pesa nas bolsas europeias nesta manhã, que estão no vermelho, após os resultados trimestrais abaixo do esperado do UBS e da BMW.

Entre as moedas, destaques para a libra esterlina e o dólar australiano ("aussie"). Enquanto a moeda britânica zerou as perdas acumuladas no ano, em meios às indicações de que reduziu o risco de saída do Reino Unido da União Europeia (UE), a divisa emergente reage ao inesperado corte na taxa básica de juros.

O Banco Central da Austrália (RBA) decidiu reduzir o juro em 0,25 ponto percentual, para um novo mínimo histórico, de 1,75%, em meio à onda de deflação que parece atingir o país. A decisão apagou os ganhos ensaiados pelo aussie, ao mesmo tempo em que a Bolsa de Sydney disparou. Já o iene japonês renovou o maior nível em 18 meses ante o dólar, sendo negociado acima de 106 ienes por dólar pela primeira vez desde outubro de 2014.

Nas commodities, o petróleo em Nova York testa a marca de US$ 45 o barril, antes dos dados do API sobre os estoques norte-americanos da commodity. Nos metais, o precioso ouro avança para o nível mais alto em 15 meses, enquanto o básico cobre recua.

Os investidores parecem estar começando a reconsiderar suas carteiras de investimento, após a flexibilização monetária na região Ásia-Pacífico e na Europa ter impulsionado um rali nas ações e commodities globais, que estavam nas mínimas em anos, desde fevereiro. Porém, os dados econômicos globais mostram que a atividade segue em nível moderado.

A expansão nos Estados Unidos tem sido fraco e a China, no melhor dos casos, apenas se estabilizou. Os balanços das empresas também não tem ajudado a melhorar o sentimento. Nesse ambiente, maio pode entrar em um marasmo, também na opção mais otimista, sem ter muito a oferecer - a não ser uma forte realização dos lucros recentes.

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