China e petróleo voltam a guiar mercados

20.04.2016

 

O noticiário político também agita os Estados Unidos, com a vitória de Hillary Clinton e Donald Trump nas primárias de Nova York praticamente definindo os dois candidato para as eleições presidenciais no país em novembro. Mas, no exterior, o efeito dessa disputa nos negócios é secundário, com os investidores mais atentos à queda de mais de 2% tanto do petróleo quanto da Bolsa da China hoje, podendo respingar nos mercados domésticos.

 

As perdas no preço da commodity, em meio ao fim da greve em boa parte das regiões produtoras no Kuwait, somadas à queda de 2,3% do índice Xangai Composto, após o Banco Central chinês (PBoC) sinalizar um apetite reduzido por mais afrouxamento monetário, interrompem o rali dos mercados internacionais. As ações de petrolíferas e mineradoras são destaques de baixa na Europa. Os metais básicos também caem.

 

Nas moedas, as divisas correlacionadas às commodities, como os dólares australiano e neozelandês, recuam ante o dólar. Ao mesmo tempo, a busca por proteção em ativos seguros se renova, fortalecendo o iene e levando o rendimento (yield) do bônus japonês de 10 anos a nova mínima recorde. Em Nova York, os índices futuros estão no vermelho, um dia após o S&P 500 fechar acima dos 2,1 mil pontos pela primeira vez desde dezembro.  

 

Os ganhos nos ativos globais desde o mês passado foram impulsionados por sinais de estabilização da segunda maior economia do mundo e dos preços do barril de petróleo na faixa de US$ 40. Esse rali recente no risco precificou muitas boas notícias, alimentado pela liquidez injetada pelos bancos centrais, e, portanto, deixou os negócios vulnerável ao primeiro sinal da menor das más notícias.

 

No Brasil, a cena política deve continuar trazendo volatilidade, pois o processo de impeachment contra o mandato da presidente Dilma Rousseff avança no Senado, mas não repete a velocidade-cruzeiro que se viu na Câmara. Assim, não haverá sessões na Casa Alta nesses dias de feriado no Brasil, adiando para a próxima terça-feira a eleição da comissão especial que irá apreciar o pedido.

 

Considerando-se essa demora, é possível que a Bovespa não suba mais de forma tão sustentada, até porque amanhã os mercados internacionais estarão funcionando a pleno vapor, aguardando a decisão do Banco Central Europeu (BCE) e não haverá sessão local. Na sexta-feira, o pregão funciona a meio-mastro. Da mesma forma, a entrada de recursos externos no Brasil deve perder força, diminuindo a apreciação do real (e os leilões do BC).

 

Ontem, ao contrário do que a oposição defendia, ficaram definidas apenas as vagas que cada bloco partidário, e não partidos, terá direito na comissão especial do Senado. O PMDB terá maioria (cinco vagas); PSDB, DEM e PV terão quatro vagas, o mesmo número de PT/PDT. PSB, PPS, PCdoB e Rede têm direito a três vagas, assim como PP/PSD. As duas vagas remanescentes ficam com o bloco maior, formado por PR, PTB, PSC, PRB e PTC.

 

Eleitos os nomes após as indicações partidárias de cada bloco e instalada a comissão na terça-feira que vem, a presidente Dilma é notificada e começa a contar o prazo de dez dias úteis – e não corridos - para a apresentação do parecer sobre a admissibilidade do impeachment no Senado. Em seguida, o parecer é votado em plenário, o que deve acontecer até meados de maio, sendo necessários 41 votos para a abertura do processo.

 

Se aceito, Dilma é afastada temporariamente de suas funções, que serão exercidas pelo vice-presidente, Michel Temer. A partir daí, os senadores têm até novembro para julgar se as denúncias contra a presidente justificam o seu impedimento do cargo (ou não). Se condenada por pelo menos 54 dos 81 senadores, ela tem o mandato cassado e fica proibida de disputar cargos públicos por oito anos. Se absolvida, retoma o cargo.

 

Nesse processo, o destaque é que a instauração do processo no Senado é dada como certa pelo mercado, afastando Dilma da Presidência por 180 dias do cargo e antecipando a transição do poder a Temer. Até por isso, o vice já estaria discutindo medidas e formulando uma “superequipe” econômica.

 

Em resposta, alguns parlamentares e ministros pretendem enviar um Projeto de Emenda Constitucional (PEC), antecipando o fim do mandato do atual governo e alongando o mandato do próximo presidente para seis anos, a ser eleito via eleições diretas. Para os aliados de Temer, a tentativa desesperada mais parece um golpe – aí sim - para fugir de uma provável derrota do governo no Senado. 

 

À espera de um desfecho, as atenções se voltam, então, para a agenda econômica de hoje. Os destaques ficam para os dados do IBGE, às 9h, sobre inflação e emprego, mas também têm dados do BC sobre o setor externo (10h30) e sobre o fluxo cambial (12h30).

 

Enquanto a taxa de desocupação apontada pela Pnad deve alcançar os dois dígitos, indo a 10,2% no trimestre até fevereiro; a prévia da inflação oficial do país, medida pelo IPCA-15, deve ficar mais perto de 0,50% em abril do que dos 0,40% vistos em março. Contudo, pode ser o menor resultado para o mês desde 2012, sendo que a taxa acumulada em 12 meses deve retroceder para níveis do período até julho de 2015, ficando abaixo dos dois dígitos.

 

É importante destacar que, independentemente de quem estará no comando ao final deste primeiro semestre, o mercado dá como certo um processo de corte dos juros básicos a partir de agosto. E essa visão se apoia, justamente, na trajetória de queda da inflação corrente e das expectativas inflacionárias, além dos dados fracos de atividade e emprego.

 

Nesse cenário, a condução da taxa Selic deve deixar a política de fora. Por isso, espera-se que o Banco Central sinalize se pode haver alguma mudança na estratégia à frente, seja no comunicado do encontro deste mês, com algum termo ou trecho diferente, seja no placar da decisão. Mas isso é assunto para a semana que vem...

 

 

 

 

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