A vez do Senado

19.04.2016

 

A novela política em Brasília ainda não acabou. Apenas começou uma nova fase, desta vez no Senado. O plenário da Casa lê hoje o texto encaminhado pela Câmara dos Deputados sobre a admissibilidade do pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. Em seguida, será eleita uma comissão especial, que também irá analisar o processo.

 

Os senadores devem dar a “urgência necessária” à tramitação do impeachment no Senado, com o ritmo do processo sendo conduzido pelo seu presidente Renan Calheiros que, assim como Eduardo Cunha, também busca uma sobrevivência política. Então, Renan não deve segurar o prazo para a decisão sobre Dilma.

 

O Supremo Tribunal Federal (STF) vai costurar junto com a Casa Alta do Congresso um roteiro sobre os prazos das próximas etapas de tramitação do processo.  A discussão do rito não paralisa a fase de recebimento da denúncia pelos senadores, que terão de eleger os integrantes para a comissão especial. A oposição tenta um acordo para colocar Antonio Anastasia na presidência e Ana Amélia na relatoria, com base no tamanho das bancadas.

 

O placar da imprensa já aponta uma provável vitória da oposição, com 46 votos a favor dos 41 necessários, selando de vez a queda do governo. Porém, o governo avalia que ainda é possível barrar o impeachment, com uma votação mais favorável entre os senadores. Ontem, Dilma reuniu-se com Renan e deve se dedicar ao corpo a corpo com a base aliada. 

 

Enquanto isso, o Brasil parece ser regido por dois presidentes, pois Dilma só será afastada do cargo após o processo passar pela comissão especial, o que deve durar 10 sessões (ou até três semanas), e ser encaminhado ao plenário do Senado, já no início de maio. De um lado, Dilma deve receber hoje a proposta do PT para encaminhar ao Congresso o pedido de realização de novas eleições presidenciais já em outubro, junto com o pleito municipal.

 

Mas o próprio partido parece ter desistido dessa ideia, ao passo que o governo vê poucas chances de recursos contra o processo no STF. Em entrevista à imprensa, ontem, ela se disse injustiçada - uma vez que dos 367 deputados que votaram pelo impeachment, só 16 citaram o crime de responsabilidade - e indignada, pois a sessão foi presidida por um réu no STF por crimes de enriquecimento ilícito e lavagem de dinheiro. Mas afirmou que tem disposição para enfrentar um golpe de Estado, que "usa aparência democrática".   

 

Do outro lado, Michel Temer sonda “tubarões” do mercado financeiro, como Paulo Leme, do Goldman Sachs, e Ilan Goldfajn, do Itaú, para sua equipe econômica, visando adotar um modelo portenho à la Macri em terra brasilis. Temer também estaria formulando um governo mais enxuto, com menos de 20 ministérios, o que eleva a preocupação quanto à relação do PMDB com o PSDB.

 

Afinal, a oposição derrotada em 2014 (e agora) ainda não formalizou apoio a um eventual governo de transição. Aos poucos, porém, o foco vai migrando do cenário político para o debate econômico, com as atenções voltadas às reformas que Temer pode colocar em curso, como a da Previdência e a Trabalhista (CLT).

 

Assim, as incertezas devem seguir elevadas e a volatilidade tende a ditar o rumo dos negócios locais, com os investidores ainda enxergando espaço para embolsar os ganhos recentes, até que surjam novidades consistentes. Ainda mais diante de uma agenda econômica fraca nesta terça-feira.

 

O calendário doméstico trouxe apenas uma nova prévia da inflação ao consumidor (IPC) na cidade de São Paulo, medida pela Fipe, que desacelerou a 0,75%, de 0,94% na primeira leitura do mês. No exterior, destaque apenas para o sentimento econômico na zona do euro e para dados do setor imobiliário nos Estados Unidos.

 

Lá fora, os mercados internacionais se recuperam, diante da retomada dos preços do petróleo, que volta a ser negociado acima de US$ 40 o barril, após uma greve no Kuwait, que paralisou a produção do nono maior produtor da commodity no mundo. Com isso, as ações de petrolíferas e de outras empresas ligadas às matérias-primas, como as mineradoras, avançam na Europa e na Ásia, assim como as moedas correlacionadas.

 

Os dólares neozelandês e australiano estão no níveis mais altos desde junho ante o xará norte-americano, sendo acompanhado pelo ringgit malaio, ao passo que o won sul-coreano subiu ao maior patamar em cinco meses após o Banco Central local (BoK) evitar um afrouxamento monetário. Aliás, o otimismo expresso por um dos dirigentes do Federal Reserve sobre a economia dos EUA também impulsiona Wall Street.

 

Para o presidente da distrital de Boston, Eric Rosengren, considerando um dos mais frouxos ("dovish") em relação à condução da política monetária, a visão dele e de muitos economistas do setor privado sobre a maior economia do mundo é muito "mais saudável"  do que prevê o mercado financeiro. Contudo, os investidores resolveram olhar a declaração pelo lado da recuperação da atividade e não pelo ritmo mais acelerado que tal avaliação possa implicar no processo de normalização das taxas de juros nos EUA.

 

Para Rosengren, o ritmo muito lento de apertos nos Fed Funds projetado pelo mercado provavelmente resultaria em um superaquecimento da economia, demandando do Fed um aumento mais rápido das taxas de juros do que o desejável, colocando em perigo a recuperação em curso e o crescimento contínuo. Na curva projetada, os investidores veem a próxima alta dos juros apenas no ano que vem.  

 

  

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