Atenção dividida entre Brasília e Fed

16.03.2016

 

Os mercados domésticos abrem o pregão desta quarta-feira ainda sem saber se haverá mudanças na esferas política e econômica, o que deve deixar os negócios em suspense até que surja alguma notícia em Brasília. Enquanto isso, no exterior, os investidores estão em compasso de espera pela decisão do Federal Reserve, à tarde, quando deve sinalizar que o pior já passou e que novos apertos nos juros dos Estados Unidos estão a caminho.    

 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda tem dúvidas se deve aceitar (ou não) o convite da presidente Dilma Rousseff para entrar no governo federal. O anúncio oficial era para ter sido feito ontem, mas a publicação da delação premiada do senador Delcídio do Amaral e o escândalo envolvendo o ministro Aloísio Mercadante (Educação), atrapalhou os planos e adiou a volta de Lula ao Palácio do Planalto.

 

Acontece que o martelo sobre o assunto ainda nem foi batido. Após quatro horas de reunião entre Lula e Dilma, ontem à noite, o ex-presidente teria deixado para hoje a decisão. Antes, ele quis mensurar o apoio de petistas e peemedebistas, mas relatos são de que ele estaria propenso em aceitar a Secretaria do Governo, ficando no lugar de Ricardo Berzoini, porém com mais poderes que o antecessor e conduzindo tanto a articulação política anti-impeachment quanto a pauta econômica.

 

Ao final do encontro com Dilma, que durou mais de quatro horas, Lula garantiu que dará uma resposta em café da manhã que tomará com a presidente logo cedo, no Palácio da Alvorada. O encontro não consta na agenda oficial dela, que traz apenas uma reunião com o ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner.

 

Ente os indicadores domésticos, às 8h, sai o primeiro IGP do mês, o IGP-10, que deve desacelerar a 0,55% ante fevereiro, com a taxa no acumulado em 12 meses cedendo a 11,80%. No mesmo horário, sai a leitura semanal do IPC-S. Depois, às 12h30, é a vez dos dados semanais do fluxo cambial. Já na temporada de balanços, destaque para os resultados financeiros da JBS, após o fechamento do pregão local.

 

No exterior, a reunião do Fed é o destaque. Apesar das apostas unânimes de que a taxa de juros norte-americana continuará no intervalo entre 0,25% e 0,50%, as atenções estarão voltadas à linguagem do comunicado, que deve seguir suave (“dovish”) e, principalmente, à fala da presidente do Fed, Janet Yellen.

 

Afinal, embora uma alta nos Fed Funds seja improvável hoje, os investidores ainda acreditam que a taxa voltará a subir ainda neste ano. Apesar da postura de “esperar para ver”, que deve ser adotada pelo Banco Central dos EUA, abril e junho seguem como opções para um novo aperto monetário – além de setembro e dezembro.

 

Na reunião de hoje, o Fed também vai apresentar projeções atualizadas para o Produto Interno Bruto (PIB), a inflação e o desemprego no país para os próximos três anos, o que deve jogar luz sobre quão próxima a economia dos EUA está das metas e o que isso pode significar para o processo de normalização dos juros. Afinal, deve ficar mais difícil adiar futuras subidas da taxa apenas com base em movimentos voláteis do mercado financeiro.

 

A decisão será anunciada às 15h. Meia hora depois, às 15h30, começa a coletiva de Yellen. Antes, na agenda econômica norte-americana, saem o índice de preços ao consumidor (CPI) e dados sobre a construção de moradias, ambos em fevereiro e às 9h30. Às 10h15, é a vez da produção industrial nos EUA no mês passado. Depois, às 11h30, serão conhecidos os estoques semanais de petróleo bruto e derivados no país.

 

À espera desse farto calendário econômico, os índices futuros das bolsas de Nova York avançam, pegando carona na alta dos preços do petróleo e embalando a abertura do pregão europeu. O dólar, por sua vez, ganha terreno dos demais rivais, diante das especulações de que o Fed irá reafirmar o compromisso de elevar os juros mais vezes neste ano, mantendo a porta aberta para uma alta em abril.

 

Além disso, a divergência entre a política monetária conduzida pelo Fed e pelos bancos centrais da zona do euro (BCE) e japonês (BoJ) impulsionam a moeda dos EUA. O iene perde terreno para o dólar, após o presidente do BoJ, Haruhiko Kuroda, dizer que há espaço para tornar ainda mais negativa a taxa de juros do Japão, que pode ficar em -0,5%. A Bolsa de Tóquio fechou em queda de 0,83%, mas Xangai teve nova alta, de +0,21%.

 

Nos mercados emergentes, as bolsas e moedas devolvem os ganhos recentes de março, antes do fim da reunião do Fed, com os investidores colocando no bolso o que estava sendo a melhor performance em um mês desses ativos desde outubro. O rand sul-africano cai pelo terceiro dia e a rupia indonésia recua à mínima em duas semanas. Esse comportamento externo deve contaminar a abertura do pregão local, enquanto não surgem novidades no front político.

 

 

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