Mercado opera o "fora Dilma"

09.03.2016

 

Os mercados domésticos seguem influenciados pelo cenário político local e, talvez, pouco importa o sinal negativo que prevaleceu nos negócios na Ásia, deixando indefinida a direção para o pregão no Ocidente, onde há uma tentativa de alta. Internamente, a expectativa segue nos protestos de domingo, com os investidores visualizando um dia de forte mobilização pelas cidades brasileiras, com até 3 milhões de pessoas na ruas, e acreditando que a presidente Dilma Rousseff vai cair.

 

Porém, se as manifestações ‘andarem para trás’, tudo aquilo que a Bovespa subiu e o dólar caiu desde a semana passada se apaga. Ontem, a moeda norte-americana fechou no menor patamar em três meses, com o avanço das investigações da Operação Lava Jato, ao passo que a Bolsa brasileira realizou parte do lucro de 18% acumulado em seis sessões seguidas de alta.

 

Mas a simples possibilidade de mudança de governo mantém os investidores em alerta. Tanto que as apostas de aumento da probabilidade do impeachment de Dilma faz com que os agentes segurem suas posições - não defensivas - em ações e na moeda, a fim de não serem pegos de surpresa e arriscar as apostas no pós-Dilma. Contudo, o processo político ainda pode ser longo – e seu desfecho, incerto.

 

Tanto que relatos na imprensa nesta manhã dão conta de que a delação premiada de Delcídio do Amaral fez referências a integrantes das cúpulas de PMDB e PSDB, além do PT. A reportagem não teve acesso ao contexto do suposto envolvimento desses políticos, mas afirma que as declarações do senador podem agravar a crise política e reacender na oposição a pressão pelo impeachment. Entre os nomes citados, está o de Aécio Neves.

 

No Congresso, a promessa da oposição de paralisar os trabalhos como forma de acelerar a tramitação do impeachment de Dilma cancelou a primeira sessão conjunta deste ano. Senadores e deputados votariam 16 vetos presidenciais, dentro os quais alguns polêmicos, relacionados ao programa Bolsa Família e à repatriação de dinheiro depositado no exterior.

 

Na esfera judiciária, o Supremo Tribunal Federal deve julgar na próxima quarta-feira o recurso no qual presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, pretende modificar o julgamento sobre as regras de tramitação do impeachment, definidas em dezembro do ano passado. Cunha voltou a defender votação aberta para eleição da comissão e questionou a obrigatoriedade do Senado para dar prosseguimento ao processo.

 

Já no exterior, a Bolsa de Xangai também caiu pela primeira vez após seis pregões consecutivos de ganhos. O índice Xangai Composto fechou em queda de 1,3%, reduzindo as perdas de mais de 3% vistas durante a sessão. Novas compras de fundos estatais na hora final conduziram o movimento, em meio a relatos de que o órgão regulador de valores mobiliários chinês pediu a empresas listadas, fundos mútuos e corretoras para estabilizar o mercado durante as reuniões políticas anuais no país, que seguem em curso.

 

Mas os dados de ontem da balança comercial chinesa ainda ecoam nos mercados internacionais, com o desempenho das exportações da segunda maior economia do mundo renovando as preocupações sobre a perspectiva econômica global. O receio é de que a desaceleração da China seja resultado de uma guerra comercial global. Ainda na Ásia, Tóquio caiu 0,84% e Hong Kong perdeu 0,08%. Na Austrália, Sydney subiu 1%.

 

Os mercados emergentes são os mais afetados, após os sinais escassos de que a economia global está se recuperando fortaleceram a percepção de que o rali recente parece ter sido um pouco exagerado.  Entre as moedas, o won sul-coreano e o rublo russo são destaques de baixa, ao passo que o petróleo ensaia uma melhora, mas volta a ser negociado abaixo de US$ 40 o barril, depois de o Brent ter alcançado essa marca na segunda-feira pela primeira vez no ano.  

 

Já o WTI está à espera dos estoques norte-americanos de petróleo bruto e derivados na semana passada (12h30). A previsão é de que, em breve, os Estados Unidos comecem a reduzir seus elevados níveis da commodity, em meio aos esforços para alcançar a meta de inflação de 2% ao ano e de tornar viável a produção de óleo de xisto, inundando novamente a oferta de combustíveis.

 

Na Europa, as principais bolsas ensaiam ganhos, mas o avanço é tímido, assim como entre os índices futuros das bolsas de Nova York, diante de uma fraca agenda econômica no exterior. O calendário de indicadores do dia traz apenas a divulgação dos estoques no atacado dos EUA em janeiro (12h). Na virada de quarta para quinta-feira, saem os índices de preços no atacado (PPI) e no varejo (CPI) da China no mês passado.

 

De volta ao Brasil, enquanto aguardam por novidades no front político, os investidores também monitoram a agenda econômica do dia. O destaque desta quarta-feira é o índice oficial de preços ao consumidor no país. A expectativa é de que o IPCA desacelere a 0,98% em fevereiro ante janeiro, com a taxa no acumulado em 12 meses recuando a 10,45%.

 

O dado será conhecido às 9h, juntamente com os números regionais da produção industrial no primeiro mês do ano. Antes, às 8h, saem indicadores antecedentes sobre o mercado de trabalho no país. Depois, às 12h30, é a vez do fluxo cambial na primeira semana de março. Esse indicador do Banco Central deve mostrar os fortes aportes de recursos externos ao país pelo lado comercial e, principalmente, pela via financeira, em meio às especulações vindas do front político.

 

Apenas na semana passada, a Bovespa registrou ingresso de quase R$ 5,5 bilhões em capital estrangeiro, elevando o superávit dessa conta no acumulado de 2016 até a última sexta-feira para quase R$ 7 bilhões. Apenas naquele 4 de março, a Bolsa brasileira registrou a maior entrada do ano, de pouco mais R$ 2 bilhões, em recursos externos, dia da condução coercitiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela Polícia Federal. O BC, aliás, anunciou para hoje dois leilões de linha, ofertando até US$ 2 bilhões.

 

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