Mercado tem apetite por risco

16.02.2016

 

 

O apetite por ativos de maior risco continua no exterior, onde os ganhos de mais de 3% da Bolsa de Xangai hoje embalam os mercados financeiros, após o número recorde na concessão de crédito na China em janeiro. Somado à isso, o salto de mais de 4% nos preços do petróleo, em meio à perspectiva de uma reunião entre a Arábia Saudita e a Rússia, estimula os emergentes e embute alta de mais de 1% em Wall Street nesta manhã. Porém, no Brasil, a volta aos trabalhos no Congresso pode trazer cautela aos negócios.

 

Os parlamentares retomam as atividades nesta terça-feira, o que desloca o radar dos mercados domésticos novamente ao cenário político e pode trazer doses renovadas de estresse e de volatilidade em âmbito local. Na pauta do Congresso, estão processos que vão desde a cassação dos mandatos de Eduardo Cunha e Dilma Rousseff até pontos do ajuste fiscal que o governo ainda tenta emplacar, agora com nova versão. 

 

Diante da frustração na arrecadação e após adiar o anúncio oficial dos cortes de gastos para o mês que vem, o governo pretende emplacar uma melhora na receita via o aumento de impostos, com a recriação da CPMF. Mas os próprios deputados e senadores veem a medida com desconfiança, uma vez que o governo não consegue oferecer contrapartidas, como um maior compromisso nas despesas. Assim, novas derrotas se desenham.

 

Mas o dia não é de perdas, ao menos no cenário internacional. Os mercados emergentes estendem a recuperação da pior semana em um mês e exibem novos ganhos hoje, embalados pelo avanço de 3,31% do índice Xangai Composto. Foi a maior alta em duas semanas da Bolsa chinesa, diante de relatos na imprensa local de que as autoridades do país estão preparando um pacote de medidos para garantir o crescimento econômico em um intervalo razoável neste ano.

 

Além disso, também animou os investidores o salto dos novos empréstimos para o nível recorde de 2,51 trilhões de yuans (US$ 390 bilhões) no mês passado, acima da previsão de 1,9 trilhão de yuans. O agregado financeiro da medida mais abrangente de crédito foi a 3,42 trilhões de yuans (US$ 525 bilhões), também bem maior que a estimativa, de 2,2 trilhões de yuans, com a demanda recorde por crédito coincidindo com o período sazonal de festividades na China, mas também com a recuperação nos preços dos imóveis e com o pagamento de empréstimos pelas empresas, diante da fraqueza da moeda local.

 

Hoje, o yuan chinês caiu ante o dólar, devolvendo parte dos maiores ganhos em mais de uma década, ontem. Entre as demais moedas, destaque para o won sul-coreano, que perde terreno para o dólar, após o Banco Central do país deixar a taxa básica de juros inalterada, pelo oitavo encontro seguido.

 

Nas commodities, o petróleo recupera espaço acima de US$ 30 o barril, após o ministro do petróleo da Arábia Saudita planejar uma reunião com o seu homólogo russo nesta terça-feira, reforçando especulações de que os maiores produtores de petróleo do mundo vão reduzir a produção. Os metais básicos também têm alta firme.

 

Na agenda econômica do dia, o destaque local fica com os números das vendas no varejo durante o mês de Natal. Após a surpresa com o desempenho do comércio nos dois meses anteriores, quando houve crescimento nas vendas, a expectativa é de que o setor varejista tenha retração de 3% em relação a novembro.

 

Já na comparação anual, deve haver queda pela nono mês seguido, de -7,5%, no maior recuo para o mês desde o início da série histórica revisada, em 2001. Os dados efetivos serão divulgados pelo IBGE às 9h. Antes, às 8h, a FGV informa uma nova prévia do IPC-S em fevereiro.

 

Entre os eventos de relevo, Dilma tem reunião com líderes da base aliada na Câmara (10h) e com o ministro do Trabalho e Previdência Social, Miguel Rossetto (12h). Por sua vez, o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, recebe a liderança do PT no Senado (19h30). Na agenda do Banco Central, destaque para a reunião do diretor de política econômica, Altamir Lopes, com economistas em São Paulo - ontem, ele reuniu-se com economistas no Rio.

 

No exterior, o calendário de indicadores ganha força. Pela manhã, na Europa, saem os preços ao consumidor (CPI) e ao produtor (PPI) no Reino Unido em janeiro, que podem confirmar a perspectiva de adiamento do aperto monetário pelo Banco Central inglês (BoE) pelo menos até 2017. Também será conhecido o índice ZEW de sentimento econômico na Alemanha e na zona do euro como um todo.

 

Já nos Estados Unidos, a volta do feriado reserva a divulgação do índice Empire State de atividade industrial em fevereiro (11h30); do índice de confiança das construtoras neste mês (13h) e do fluxo total de capital estrangeiro em dezembro (19h). À espera desses números, os índices futuros das bolsas de Nova York exibem ganhos acelerados, o que anima a abertura do pregão na Europa.

 

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