Touro x Urso

15.02.2016

 

Contrariando grande parte do temor dos investidores, a China voltou aos negócios nesta segunda-feira com a Bolsa de Xangai registrando ligeira perda de 0,63%, em meio a especulações de que a onda vendedora (selloff) global de ações que levou a um mercado de urso (baixista) foi longe demais, o que embute ganhos de mais de 1% em Wall Street, com o touro (mercado de alta) ganhando espaço. O avanço de 1,20% do yuan chinês hoje, na maior alta desde julho de 2005, contribuiu para a melhora do sentimento, embalado ainda pelos dados da balança comercial chinesa em janeiro.

 

Mas o grande destaque na Ásia foi o salto de 7,16% da Bolsa de Tóquio, a despeito da contração de 1,4% do Produto Interno Bruto (PIB) japonês na taxa anualizada dos últimos três meses de 2015. A estimativa era de um declínio menor, de -0,8%, à medida em que a terceira maior economia do mundo tenta se libertar de um ciclo de expansão e de contração após mais de três anos de medidas de estímulo.

 

Já na segunda maior economia do mundo, a queda de 11,2% nas exportações no mês passado, em base anual, foi ofuscada por um recuo ainda maior das importações, de -18,8%, no mesmo período, o que gerou um superávit comercial recorde de US$ 63,3 bilhões. Foi o décimo quinto mês consecutivo de queda das compras chinesas no exterior.

 

A queda nas exportações sugere que a depreciação do yuan desde agosto ainda poderá ter efeito sobre a competitividade da indústria da China. Hoje, porém, a moeda chinesa registrou o maior ganho em mais de uma década, valendo cerca de 6,50 por dólar, em um ajuste à desvalorização da moeda norte-americana durante a pausa nos negócios pelo Ano Novo Lunar.

 

Também ajudou a fala do presidente do Banco Central chinês (PBoC), Zhou Xiaochuan, de que não há fundamento para uma depreciação continuada da moeda local nem plano para controlar o fluxo de capitais. Entre as demais moedas, o iene japonês deixa de ser alvo de proteção e perde terreno para o dólar. Em contrapartida, as moedas de países emergentes avançam, enquanto alguns divisas europeias caem.

 

Contudo, o petróleo recua nesta manhã, com o WTI sendo novamente negociado abaixo de US$ 30, após o primeiro do Irã à Europa ser carregado, desde o fim das sanções ao país persa. A queda recorde de 20% nas importações chinesas da commodity também pesam nos negócios, o que pode trazer volatilidade ao longo do dia.

 

Mas a combinação dos ganhos na Bolsa de Tóquio com o avanço do yuan chinês e a queda do iene japonês imprime alta em torno de 1% nas bolsas de Nova York, o que promove uma abertura positiva na Europa. Bem ou mal, porém, hoje é feriado nos Estados Unidos, pelo Dia do Presidente (aniversário de Washington), o que mantém Wall Street fechada e esvazia o calendário de indicadores do dia.

 

Na semana, o destaque da agenda econômica norte-americana fica para quarta-feira, quando será publicada a ata da reunião de janeiro do Federal Reserve. Porém, o documento pode estar defasado em relação às declarações da semana passada feitas pela presidente do Fed, Janet Yellen, quando ela ventilou que o Banco Central dos EUA pode mudar a rota de elevações dos juros, caso a turbulência internacional persista, devendo se preparar até para usar juros negativos, se necessário.

 

Também na quarta-feira, saem os preços ao produtor (PPI) e a produção industrial no país, ambos em janeiro. Na sexta-feira, é a vez da inflação ao consumidor (CPI) no mesmo período. Dados sobre os preços no atacado e no varejo chinês no mês passado também serão conhecidos, na quarta-feira à noite.

 

No Brasil, as atenções ficam divididas entre as vendas no varejo em dezembro e no acumulado de 2015, amanhã, e o índice de atividade econômica (IBC-Br) do BC, ainda sem data definida. Outras divulgações que também não estão confirmadas, mas são esperadas para a semana, referem-se à arrecadação federal e aos postos formais de trabalho (Caged). Na sexta-feira, tem a PNAD contínua com a taxa de desemprego até novembro. 

 

Hoje, saem a tradicional pesquisa Focus e também os números semanais da balança comercial. Na Bovespa, esta segunda-feira é dia de vencimento de opções sobre ações. Na quarta-feira, vence o índice futuro e opções sobre o índice futuro. No mesmo dia, sai o primeiro IGP de fevereiro, o IGP-10.  

 

Já no front político, as atividades no Congresso serão retomadas nesta terça-feira e a política deve voltar a dar o tom dos negócios. Na pauta, o impeachment contra o mandato da presidente Dilma Rousseff, a cassação do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e as medidas fiscais. Hoje, Dilma tem reunião de coordenação (9h30)  e com líderes da base aliada do Senado (18h).

 

 

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