China assusta mercados no primeiro pregão do ano

04.01.2016

 

A China abre o noticiário econômico de 2016, com sinais alarmantes para o primeiro pregão do ano novo nos mercados financeiros. O circuit breaker foi acionado após o índice chinês CSI 300 cair 7% nesta segunda-feira, interrompendo as negociações para o restante do dia. A Bolsa de Xangai caiu 6,87%, contaminando a performance das demais praças asiáticas e embutindo perdas aceleradas, de mais de 1%, nos índices futuros em Nova York.

 

De quebra, a crise causada pela execução de um religioso fez a Arábia Saudita romper as relações diplomáticas com o Irã, elevando a aversão ao risco nos negócios globais, em meio ao recrudescimento da tensão no Oriente Médio. Contudo, o petróleo é beneficiado pela notícia, em meio à perspectiva de menor oferta da commodity. Já os metais básicos sofrem com a queda dos índices de atividade da indústria chinesa.

 

O índice oficial dos gerentes de compras (PMI) do setor industrial da China seguiu em território que indica contração da atividade pelo quinto mês seguido em dezembro, na mais longa sequência desde 2009, mas saiu da mínima em três meses em novembro, a 49,6, e subiu a 49,7 em dezembro. O dado foi pior que a previsão, de 49,8.

 

Em uma leitura separada, o índice Caixin sobre a indústria chinesa ficou em 48,2, de 48,6, no mesmo período, contrariando a estimativa de alta a 48,9. Já o setor de serviços ganhou força e subiu de 53,6 para 54,4 entre novembro e dezembro, atingindo a maior leitura de 2015 e desde agosto de 2014 e indicando um papel mais importante do segmento não manufatureiro à economia, que vem sofrendo pressões para alcançar o alvo ao redor de 7%.

 

Em reação, os investidores engataram uma forte onda vendedora (selloff) nos mercados acionários chineses o que interrompeu as negociações por volta das 13h30 (hora local) hoje. Um pausa inicial de apenas 15 minutos falhou em acalmar os negócios, com as ações intensificando a queda assim que o pregão havia sido retomado. Ao final, o pior início de ano para a Bolsa chinesa culminou em perdas acentuadas, no primeiro dia de entrada em vigor do dispositivo conhecido como circuit breaker.

 

O sinal negativo se espalhou por toda a Ásia, com as bolsas da região registrando as maiores perdas em meses, em meio à busca por ativos seguros. O iene se fortaleceu e passou a ser negociado abaixo de 120 ienes por dólar, o que atingiu a Bolsa de Tóquio, que caiu pouco mais de 3%. Em Hong Kong, a queda foi de 2,78%, enquanto Seul perdeu 2,1%. Esse tombo contamina a abertura da sessão europeia, com quedas aceleradas nas principais praças da região, sob influência ainda das fortes perdas em Wall Street.

 

Mas os números chineses são apenas um aperitivo do que está por vir até sexta-feira, em termos de eventos e indicadores econômicos pelo mundo. A própria China volta à cena ao final desta semana para anunciar números sobre os preços ao consumidor (CPI) e ao produtor (PPI) no mês passado.

 

Nesse mesmo dia 8, pela manhã, será conhecido o resultado oficial da inflação no Brasil em 2015, medida pelo IPCA, que deve fechar acima dos dois dígitos, pela primeira vez desde 2002. Ainda na sexta-feira, nos Estados Unidos, sai o relatório oficial sobre o mercado de trabalho (payroll) no mês passado, que devem manter a geração mensal de 200 mil vagas, com taxa de desemprego no país seguindo em 5%.

 

Antes, na quinta-feira, têm os números da produção industrial brasileira ainda referentes ao mês de novembro e o IGP-DI de dezembro e no acumulado do ano passado. Na quarta-feira, destaque para a ata da última reunião de 2015 do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve, quando teve fim a era do juro zero nos EUA.

 

No documento, os investidores vão buscar pistas sobre os próximos passos do Fed e sobre o quão gradual será o ciclo de aperto monetário nos EUA. A precificação ainda é de que uma nova alta de 0,25 ponto porcentual na taxa dos Fed Funds ocorra apenas no próximo trimestre, em abril.  

 

Dados referentes à atividade (PMI) nos setores de serviços e da indústria na zona do euro recheiam o calendário econômico neste início de semana, além de indicadores de inflação, varejo e emprego na região da moeda única. Para hoje, as atenções se voltam aos números da balança comercial brasileira em dezembro e no acumulado de 2015, às 15 horas.

 

No exterior, destaque para o índice ISM da indústria nos EUA em dezembro e também para os gastos com construção em novembro, ambos às 13 horas. Antes, às 12h45, sai o índice PMI da Markit sobre o setor industrial no mês passado. A temporada norte-americana de balanços também tem início, porém em ritmo lento.

 

O fato é que à medida que os números finais de 2015 forem computados, os mercados financeiros darão conta de que o ano que passou foi decepcionante para o crescimento global. E foi também um ano de desempenho divergente pelo mundo. Enquanto os preços das commodities tirou o brilho do B, R e C que compõem o acrônimo original BRICS, a Índia despontou como o grande emergente, ao lado do pequeno Vietnã.   

 

No mundo desenvolvido, nem mesmo com os principais bancos centrais injetando liquidez, sobretudo na zona do euro, foi possível acompanhar a expansão robusta nos Estados Unidos, que permitiu ao Fed promover a primeira alta no juro norte-americano desde 2006 - com o vizinho Canadá na escuridão. Os chamados países celtas (Irlanda e Reino Unido, entre outras nações), além da Finlândia e Islândia, estão entre as exceções europeias.

 

No Brasil, o noticiário político continua no centro das atenções, mas o recesso parlamentar até fevereiro ainda desvia o foco aos fatos econômicos. De qualquer forma, os investidores deve digerir o artigo assinado pela presidente Dilma Rousseff e publicado em um jornal, no primeiro dia de 2016, no qual ela reconhece "erros e acertos", se diz "injustamente questionada pela tentativa de impeachment" e admite que 2015 foi um "ano muito duro".

 

Contudo, Dilma afirma ter certeza de que este ano será melhor. Com muitos desafios à frente, sendo que o combate à inflação é tido como prioridade, viabilizando o crescimento econômico, o resgate da credibilidade entre os agentes econômicos pode ser o principal obstáculo.

 

Na antevéspera de ano-novo, o dólar chegou a bater na barreira psicológica de R$ 4,00, em meio a um fraco volume financeiro, que acelerou a velocidade da subida da moeda. Ao final, a moeda norte-americana perdeu fôlego e fechou cotada na faixa de R$ 3,95, com valorização de quase 50% no ano passado.

 

A Bovespa, por sua vez, fechou muito próxima do menor nível de 2015 e desde abril de 2009, mais perto dos 40 mil pontos neste início de 2016 do que do "limbo" dos 50 mil - patamar em que a Bolsa está incrustada desde o início desta década. A queda de quase 15% do Ibovespa em reais e de cerca de 40% em dólares no ano passado representou a pior performance no ranking das 20 maiores bolsas globais.

 

Diante do pânico nos mercados internacionais hoje por causa da China, a perspectiva é de que o dólar volte a furar o nível de R$ 4,00, sustentando-se nesse patamar neste início de ano, ao passo que a Bolsa busque novos fundos, em meio à falta de apetite pelo risco Brasil.

 

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