Em janeiro, China assustou o mundo e petróleo derreteu, mas BCs agiram


2016 começou com a China assustando os mercados financeiros pelo mundo, com o índice acionário do país caindo mais de 7% duas vezes apenas na primeira semana do ano e acionando o recém-criado mecanismo de interrupção dos negócios (circuit breaker), que teve vida curta e durou apenas quatro dias. Mesmo assim, a turbulência nos negócios continuou, com a desaceleração da economia chinesa derretendo as commodities.

Ao longo do mês, o petróleo foi renovando patamares mínimos desde o início dos anos 2000, com o preço do barril do WTI indo buscar o fundo do poço, aos US$ 25. O noticiário vindo do Oriente Médio, com o fim das sanções ao Irã, e também da Rússia, que ventilou um corte na produção, aguçou o vaivém da commodity no período. Como pano de fundo, está o estoque recorde de petróleo nos Estados Unidos, que já encosta nos 500 milhões de barris, após o arriscado golpe de sorte com a exploração de xisto desequilibrar a oferta global frente à demanda mais fraca.

Essas duas variáveis ditaram o rumo dos pregões no decorrer de janeiro e deixaram os investidores com os nervos à flor da pele, ao mesmo tempo em que os ativos – de maior risco e dos países emergentes, principalmente – pareciam viver um passeio de montanha-russa, ao sabor do fluxo de capital e da forte onda vendedora (selloff). No Brasil, a Bovespa perdeu o patamar dos 40 mil pontos, nos menores níveis desde março de 2009, ao passo que o dólar flertou com a marca de R$ 4,20 nos dias mais tensos.

Com a China e o petróleo dando dor de cabeça aos investidores, sendo que o PIB da segunda maior economia do mundo no ritmo mais lento em 25 anos poderia deprimir ainda mais os preços das commodities e impactar a economia global, os principais bancos centrais globais decidiram agir, tal qual fez o BoJ no último dia útil do mês, adotando uma inédita taxa negativa no Japão; ou sinalizaram que irão agir em breve, conforme palavras do comandante do BC da zona do euro (BCE), Mario Draghi.

No caso do BC brasileiro, porém, houve uma inação, que contrariou o mercado doméstico, ávido por mais prêmio. A primeira decisão de 2016 do Copom de manter a taxa Selic em 14,25% ao ano, com dissenso, foi duramente criticada e soou como uma ingerência política, com os ruídos às vésperas do encontro arranhando ainda mais a credibilidade do colegiado e de seu presidente, Alexandre Tombini.

Quem também ficou imóvel foi o Federal Reserve. Depois de promover no último mês de 2015 a primeira alta no juro norte-americano desde 2006, dando fim à era de juro zero nos EUA após sete anos, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) optou por fazer uma pausa neste mês, alertando para os riscos que a combinação China-petróleo poderiam trazer à recuperação da maior economia do mundo. Apesar da cautela, deixou a porta aberta em relação ao encontro de março.

É a nova fase da crise econômica global, que ainda não acabou e na qual os EUA, que derrubaram o mundo em 2008, percebem que não estão totalmente blindados dos efeitos que a normalização da taxa de juros (e do dólar) provoca nos demais países - e que já vem castigando a Europa e o Japão há algum tempo. Ao mesmo tempo, outras economias, como a China, tentam fazer o “dever de casa”, implantando as necessárias reformas estruturais, ao mesmo tempo em que tenta abrir mais o ambiente de negócios para o livre mercado, mas sem largar o controle.

Enquanto isso, no Brasil, as soluções requentadas para estimular o crédito podem ser uma estratégia apenas para desviar a atenção, com o governo brasileiro tentando mostrar que não está parado, ao passo que a crise política está. Tanto que, para o investidor que passou janeiro de férias, desconectado das notícias do Brasil e do mundo e só neste último dia do mês, por um acaso, voltou ao "mundo real" deve achar que pouca coisa mudou nestes quase 30 dias.

Afinal, a Bovespa retomou a marca dos 40 mil pontos nesta sexta-feira, cravando a maior alta desde novembro e interrompendo três semanas seguidas de desvalorização, ao passo que o dólar chegou a ser negociado abaixo de R$ 4,00, durante a sessão, fechando a R$ 4,02. Porém, com a virada a “folhinha” já na segunda-feira, o Congresso Nacional volta à ativa e, junto com ele, o andamento dos processos contra os mandatos da presidente da República, Dilma Rousseff, e do presidente da Câmara, Eduardo Cunha.

É mais turbulência que vem por aí. Mas, como se sabe, tudo aqui só começa depois do carnaval, que acontece na segunda semana de fevereiro - à época do Ano Novo Lunar na China – dando mais tempo de reinado para a “rainha volatilidade” comandar os negócios globais. Até que cheguem as forças do auspicioso Macaco de Fogo, que regem os meses de 2016 a partir do próximo mês, segundo o zodíaco chinês.

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