Turbulência nos mercados continua


Depois do pior início de ano na história dos mercados financeiros pelo mundo, a turbulência continua nos negócios nesta segunda semana de janeiro. Responsável pelo derretimento dos ativos nos primeiros dias de 2016, a China continua preocupando os investidores em relação às perspectivas de crescimento econômico, o que ainda ventila uma onda vendedora (selloff) global - e que deve respingar no Brasil hoje.

Sem sinais de abatimento, a Bolsa de Xangai caiu mais de 5% hoje, para o menor nível em quatro meses, ampliando as perdas de 10% vistas na semana passada. O yuan chinês oscilou em alta, apagando as perdas dos três últimos dias, após o Banco Central da China (PBoC) manter a taxa de referência diária praticamente estável pelo segundo dia seguido.

Os demais mercados asiáticos também caíram, com o índice MSCI da região recuando ao patamar mais baixo em mais de quatro anos. A Bolsa de Tóquio não funcionou hoje, devido a um feriado, mas Hong Kong perdeu 2,5% e Seul teve queda de 1%. Na Oceania, a Bolsa de Sydney caiu 1,9%.

No Ocidente, as principais bolsas europeias abriram o pregão com perdas aceleradas, sob influência do sinal negativo que prevalece em Wall Street e também nas commodities. O petróleo e o cobre caem mais de 2% nesta manhã, ao passo que os índices futuros das bolsas de Nova York têm queda mais comedida, mas sinalizam pouco alívio após a pior semana desde 2011 para o S&P 500.

Nem mesmo os indicadores de preços no país, divulgados na última sexta-feira, serviram para acalmar os investidores. Os números mostraram que as autoridades chineses ainda têm espaço para estimular a segunda maior economia global, o que reforça as chances de novas medidas vindas de Pequim para impulsionar o crescimento.

O índice de preços ao consumidor (CPI) subiu 1,6% em dezembro, em base anual, ficando em linha com o esperado e vindo de uma alta de 1,5% em novembro. Ainda assim, a inflação na China fechou 2015 bem abaixo da meta do governo, de 3%. No atacado, os preços ao produtor (PPI) caíram pelo quinto mês, em -5,9% ante previsão de -5,8%, estendendo o recorde de resultados negativos para 46 meses.

Na sexta-feira, o Banco Central do país (PBoC) prometeu continuar com uma condução "prudente" da política monetária neste ano, mantendo uma liquidez "razoável e ampla" no sistema financeiro. As apostas são de que o BC chinês reduza a taxa básica de juros e também os compulsórios bancários em breve. O movimento pode ocorrer até quarta-feira, quando saem os números de dezembro e de 2015 da balança comercial chinesa.

Os países emergentes são os que mais sofrem com as incertezas sobre a China, com as ações caindo para o nível mais baixo em seis anos e as moedas recuando pelo sétimo dia consecutivo, diante da perspectiva de expansão do gigante asiático no ritmo mais lento em 25 anos. Na sexta-feira, a Bovespa fechou no menor nível desde março de 2009, já nos 40 mil pontos, acumulando queda de quase 7% na semana.

O real brasileiro perdeu mais 2% para o dólar, firmando-se no patamar de R$ 4,00 já logo no início de 2016. A valorização da moeda norte-americana foi um dos vilões da alta da inflação no país em 2015, que encostou nos 11%. Segundo o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, a inflação "tem tempo certo" para voltar à meta de 4,5% e garantiu que adotará as medidas necessárias para a convergência em 2017.

A percepção é de que a autoridade monetária deve manter o plano de voo em relação à condução da taxa básica de juros, sem alterar a rota, e elevar a Selic já neste mês. Para o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, o controle da inflação é uma prioridade do governo. Aliás, ele segue cumprindo compromissos internos na agenda de hoje, enquanto Tombini participa da reunião bimestral de presidentes de bancos centrais do Banco de Compensações Internacionais (BIS), na Basileia (Suíça).

Já a presidente Dilma Rousseff tem hoje apenas uma cerimônia na área de ciência e tecnologia. Mas o noticiário político no Brasil abandonou a trégua nessa virada para 2016, após acusações envolvendo a Casa Civil colocarem o Palácio do Planalto no foco dos escândalos de corrupção na Petrobras. A série de citações com o nome do ministro Jaques Wagner contamina a agenda positiva que o governo tenta emplacar antes da retomada do processo de impeachment.

O rito, que voltou à estaca zero após a decisão em dezembro do Supremo Tribunal Federal (STF), será comandando pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha - que pode ser considerado mais sortudo que um ganhador da loteria, com suas apostas "convictas" no mercado financeiro lhe garantirem lucro de quase R$ 1 milhão, segundo documento da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Por sua vez, o ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy não precisou de sorte, mas por sua competência fez a passagem por Brasília, vinda de Osasco (SP), servir de escala para Washington. Levy deve ser nomeado, em breve, diretor financeiro do Banco Mundial - o principal cargo da área na instituição - em substituição ao francês Bertrand Badré, que exercia a função desde 2013.

Na agenda de indicadores, o dia traz o Boletim Focus (8h30) e os números da primeira semana de 2016 da balança comercial (15h). Antes, sai a prévia inicial do mês do IGP-M (8h). O calendário econômico está mais fraco nesta semana, com destaques locais para as vendas no varejo em novembro (quarta-feira) e para o índice de atividade IBC-Br (sexta-feira).

No exterior, saem dados da indústria na Europa, amanhã e depois, além da decisão de juros no Reino Unido, na quinta-feira. No mesmo dia, o Banco Central da zona do euro (BCE) publica a ata da última reunião de 2015.

Já nos Estados Unidos, as atenções se voltam para o Livro Bege do Federal Reserve, na quarta-feira. No dia seguinte, é a vez do desempenho do comércio varejista norte-americano durante o mês de Natal. Hoje, após o fechamento do pregão em Nova York, a Alcoa dá o pontapé inicial na temporada de balanços do quarto trimestre de 2015 - que deve ser o terceiro trimestre consecutivo de queda nos resultados das empresas.

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