Então é (quase) Natal

23.12.2015

 

O último pregão da Bovespa nesta semana pode esticar a recuperação da véspera, quando a renda variável doméstica saiu da mínima desde abril de 2009, diante do sinal positivo que permanece no exterior hoje. O volume financeiro, porém, tende a seguir fraco, com muitos investidores ausentes dos negócios em meio às festas de fim de ano. Ainda assim, a crescente confiança com as economias dos Estados Unidos e da China embala esses últimos dias de 2015, alimentando esperanças por um 2016 melhor.

 

No Brasil, certo de que virou o jogo do impeachment contra o mandato da presidente Dilma Rousseff, o governo prepara um audacioso pacote econômico para superar a crise e retomar o crescimento. Após passar o Natal com a família, em Porto Alegre, Dilma reúne-se na semana que vem com ministros e a nova equipe econômica a fim de preparar medidas que devem ser apresentadas ao Congresso em fevereiro e que não devem incluir incentivos a setores específicos da economia - ao contrário, deve-se esforçar com reformas mais amplas.

 

Hoje, em seu último compromisso antes das festividades natalinas, a presidente viaja para o Rio de Janeiro, onde participa, às 10 horas, da inauguração do parque aquático construído para os Jogos Olímpicos de 2016. Ela ganhou mais um presente nesta reta final do ano, após o relator das chamadas "pedaladas fiscais" na Comissão Mista de Orçamento (CMO), o senador Acir Gurgacz, pedir a aprovação, com ressalvas, das contas de 2014.

 

Segundo ele, é preciso ter cuidado para não se criar uma jurisprudência, ao reprovar as contas, que possa trazer um engessamento das administrações públicas nos três níveis: federal, estadual e municipal. Afinal, ao menos 14 Estados não cumprirão a meta fiscal neste ano - sem falar nos municípios.

 

Em linha com essa visão, a Fitch retirou ontem o selo de bom pagador dos Estados de São Paulo, Santa Catarina e Paraná, por não esperar uma mudança na disposição do governo federal em apoiar as dívidas dos Estados e municípios, caso necessário. Como é o Congresso quem dá a palavra final sobre a aprovação das contas públicas, deputados e senadores devem votar, em março, se mantém a decisão do relator - ou se retomam o entendimento do Tribunal de Contas da União (TCU).

 

Em outro front, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, recebe nesta quarta-feira, às 14 horas, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, e líderes da oposição para uma audiência a fim de esclarecer pontos sobre a decisão da Corte em relação ao rito de tramitação do impeachment. O pedido não ter poder de alterar a decisão do Supremo na semana passada.

 

Na agenda de indicadores econômicos do dia, as atenções se voltam para o Banco Central. A autoridade monetária publica, às 8h30, o Relatório Trimestral de Inflação (RTI) do quarto trimestre do ano, que devem trazer previsões mais realistas para o comportamento dos preços e do Produto Interno Bruto (PIB). No mais recente Boletim Focus, do BC, o mercado financeiro mostrou que já conta com uma alta da taxa básica (Selic) na primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de 2016, de 0,50 ponto porcentual, para 14,75%.

 

Às 11 horas, o diretor de Política Econômica, Altamir Lopes, concede entrevista coletiva para comentar o RTI. Depois, às 12h30, o BC volta à cena para divulgar os números semanais do fluxo cambial. Também é esperado para hoje o resultado primário do Governo Central em novembro, a ser divulgado pelo Tesouro Nacional.

 

No exterior, o calendário econômico está igualmente carregado, com os investidores no aguardo do dado de inflação preferido do Federal Reserve, o chamando índice PCE, que deve acelerar em novembro. O indicador será divulgado às 11h30, juntamente com os números sobre a renda pessoal e os gastos com consumo nos EUA no mês passado.

 

Ainda na agenda norte-americana, destaque também para as encomendas de bens duráveis (11h30) e para dados sobre imóveis e a confiança do consumidor (13h). À espera desses números, os índices futuros das bolsas de Nova York estão em alta, ao passo que o dólar parece pronto para terminar 2015 com um gemido, enfraquecendo-se ante as moedas rivais e reduzindo parte dos fortes ganhos no ano.

 

As divisas de países emergentes são beneficiadas por esse movimento, com destaques para o rublo russo, que lidera o avanço entre os pares de países em desenvolvimento hoje. Por sua vez, a rupia indonésia caminha para o maior rali do ano, ao passo que o dólar neozelandês registra os maiores ganhos desde que o Fed subiu os juros, na semana passada - diante de sinais de que o crescimento da maior economia do mundo é forte o suficiente para resistir ao ciclo de aperto monetário.

 

Na Europa, as principais bolsas abriram o pregão no azul, avançando na faixa de 1%, embaladas também pelo sinal positivo vindo das commodities e da Ásia. O cobre e o chumbo têm valorização nesta manhã, ao passo que o petróleo conquista terreno na faixa de US$ 36 o barril, tanto em Londres quanto em NY.

 

Esse movimento nas matérias-primas é impulsionado pela alta de 0,97% na Bolsa de Hong Kong, que foi ao maior nível em três semanas. Xangai, porém, caiu 0,43%, interrompendo dois dias seguidos de alta. Dados referentes a este mês reforçam os sinais de estabilização da economia chinesa, após Pequim indicar que irá fazer mais para atingir o alvo de expansão ao redor de 7% neste ano.

 

A Bolsa de Tóquio não abriu hoje, devido a um feriado. Amanhã, haverá pregão reduzido em Wall Street, mas as bolsas ao redor do mundo permanecem fechadas no dia de Natal.

 

 

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