Espera por decisões do STF e do Fed ofusca dados da China

14.12.2015

 

Com menor adesão, mas espalhadas por todo o país, as manifestações de ontem abrem a última semana dos mercados financeiros antes das festas de fim de ano. Os destaques são o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o rito do impeachment contra o mandato da presidente Dilma Rouseff - alvo dos protestos ao lado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do presidente da Câmara, Eduardo Cunha - e a decisão do Federal Reserve, que deve subir o juro nos Estados Unidos pela primeira vez desde 2006.

 

Esses acontecimentos, previstos para quarta-feira, concentram as atenções dos negócios, aqui e lá fora, mas a segunda-feira começa repercutindo dados melhores que o esperado sobre a atividade na China, com crescimento em novembro de 6,2% da indústria e ganhos de 11,2% no varejo, na maior alta do ano, ambos em relação a um ano antes. Os ativos fixos avançaram 10,2% desde janeiro. Todos os números superaram as previsões.

 

Em reação, a Bolsa de Xangai registrou a maior alta em quase duas semanas, de +2,52%, embalada pelas ações de mineradoras, mas Tóquio (-1,81%) e Hong Kong (-0,80%) caíram. Já os metais básicos exibem ganhos nesta manhã, mas os ativos emergentes seguem pressionados, com os investidores saindo do risco antes da decisão do Fed. Entre as moedas, o yuan chinês caiu à mínima em quatro anos. O rublo russo e o ringgit malaio perdem terreno para o dólar, assim como o won sul-coreano.

 

A mais recente rodada de indicadores chineses mostra sinais de estabilização da segunda maior economia do mundo, com os investidores elevando as apostas de expansão no acumulado de 2015, que podem alcançar o alvo de Pequim ao redor de 7%. A inesperada força dos velhos drivers de crescimento do país asiático e o renovado vigor do comércio doméstico abrem caminho para o aperto na taxa de juros norte-americana sete anos após o colapso do Lehman Brothers.

 

A presidente do Fed, Janet Yellen, e os membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) se reúnem na terça-feira e anunciam, um dia depois, a decisão de política monetária. Após o encontro, serão divulgadas projeções atualizadas para os principais indicadores dos EUA e haverá uma entrevista coletiva com Yellen. Os investidores veem 74% de chance de aperto nos juros norte-americana ao final da reunião, no dia 16.

 

Em meio aos dados da China e à espera pelo Fed, os índices futuros das bolsas de Nova York avançam nesta manhã, após o Dow Jones e o S&P 500 caírem na faixa de 4% na semana passada. Os preços do petróleo impactaram Wall Street, com a queda de mais de 10% do barril desde a sexta-feira anterior. A commodity recua desde cedo, ainda abaixo de US$ 36.

 

Esse comportamento no exterior deve influenciar os negócios locais. Mas os mercados domésticos também devem digerir os protestos pró-impeachment em diversas cidades no domingo, que reuniram menos pessoas que os de março, abril e agosto. Em São Paulo, onde houve a maior adesão, foram aproximadamente 40 mil, enquanto em Brasília foi de 3 a 6 mil. Já no Rio, até 100 mil pessoas fizeram ato a favor de Dilma.

 

Atento às vozes da rua, dividas entre o "vemprarua" e o "nãovaitergolpe", o rito do processo contra o mandato da presidente pode ser definido na quarta-feira pelo STF. Na sexta-feira passada, ela antecipou-se e pediu ao Supremo que anule o acolhimento do pedido feito pelo presidente da Câmara. Mas a decisão dos ministros do STF pode ser de confirmar o Senado como dono da palavra final do processo de impeachment, dando mais poder ao presidente Renan Calheiros.

 

Tal qual em 1992, o entendimento também é defendido pelo governo e pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Nesse caso, são os senadores que formam uma comissão, que terá dez dias para elaborar um parecer sobre a aceitação ou não da peça. De qualquer forma, é o PMDB no centro das atenções do noticiário político, com o presidente do partido, o vice Michel Temer, tentando uma união interna em torno do impeachment.

 

Ele, aliás, estaria na lista de doações de um sócio do chamado "amigo de Lula", o pecuarista José Carlos Bumlai. Temer teria recebido R$ 2 milhões e seria beneficiário direto do golpe, enquanto Cunha ficou com R$ 1 milhão. Tratam de valores doados nas eleições de 2010, mas ainda é preciso provar se houve, de fato, o repasse.

 

Além disso, a leitura do parecer contra Cunha no Conselho de Ética deve ser lido amanhã pela manhã, podendo prolongar-se ao longo do dia. O novo relator, Marcos Rogério, é a favor da continuidade da investigação do presidente da Câmara. Porém, não se podem descartar novas manobras e um novo adiamento da sessão.

 

Na agenda econômica no Brasil, saem dados do varejo, emprego e prévia da inflação oficial (IPCA-15), a partir de quarta-feira. Na zona do euro e nos EUA, também têm indicadores sobre indústria e os preços ao consumidor.

 

Entre os eventos de relevo, a presidente Dilma reúne-se com prefeitos, às 17 horas. A agenda do dia do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, ainda não estava disponível. Na sexta-feira passada, ele tratou de minimizar novas especulações sobre a saída do cargo.

 

Segundo o ministro, a questão da meta fiscal de 2016, se de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB) ou não, não é uma discussão equivalente aos "vinte centavos" dos protestos de junho de 2013. O que importa, para ele, são as reformas e mudanças estruturais do país.

 

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