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Tensão política ressurge, em dia de Copom


Sem conseguir resolver a pauta com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e diante da obstrução da oposição, o Congresso adiou para hoje, às 11h30, a votação dos vetos presidenciais remanescentes e da meta fiscal de 2015. A decisão coube ao presidente do Senado, Renan Calheiros, e reacende a tensão política nos mercados domésticos, em dia de recuperação dos ativos de risco no exterior. No fim do dia, o Banco Central encerra a última reunião de 2015 para atualizar a taxa básica de juros (Selic).

O cancelamento da sessão conjunta do Congresso, marcada para a noite de ontem, foi decidida por Renan por dois motivos. Primeiro porque Cunha iniciou uma sessão extraordinária na Câmara no mesmo horário previsto para o início da votação de deputados e senadores. Além disso, PSDB e DEM alongaram a sessão no próprio Senado, inviabilizando a sessão conjunta.

Ontem, na Casa de Cunha, seis partidos fecharem acordo para obstruir todas as votações na Câmara enquanto ele estiver no comando. Os líderes do DEM, PSDB, Rede, PPS, PSB e Psol deram total apoio à reunião do Conselho de Ética, que discutiu o parecer preliminar que recomenda a continuidade das denúncias contra Cunha. Mas a votação do relatório foi adiada para a próxima semana.

Aliados de Cunha teriam ainda procurado integrantes dos partidos de oposição propondo o ressurgimento da pauta referente ao processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, em troca da preservação do mandato do peemedebista. Ainda assim, a Medida Provisória (MP) 688, que contém as regras para o leilão de energia hoje, foi aprovada, por 44 votos a favor e 28 contra.

É o noticiário político voltando a ditar o rumo dos mercados financeiros no Brasil, após momentos de maior calmaria nesse front. Até porque, o grande evento do dia, a saber, a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), só termina após o fechamento do pregão local, deixando a reação dos ativos para amanhã.

Ontem, o mercado de juros futuros recompôs parte dos prêmios no trecho curto da curva a termo, em meio às apostas de que o BC deve adotar um tom mais duro (“hawkish”) em relação à convergência da inflação em 2017 no comunicado que acompanhará a decisão sobre a Selic. Tal perspectiva vai na direção contrária da previsão de afrouxamento monetário em meados de 2016. Para o encontro de hoje, a maioria esmagadora prevê estabilidade no juro básico, em 14,25% ao ano.

Entre os indicadores econômicos no Brasil, a quarta-feira traz a divulgação, às 8 horas, das sondagens do consumidor e da construção civil em novembro, além do índice de custos da construção neste mês. Depois, às 9 horas, sai a inflação no atacado (IPP) em outubro. Às 12h30, o BC entra em cena para divulgar os números semanais do fluxo cambial.

No exterior, o calendário norte-americano segue carregado hoje. Às 11h30, saem a renda pessoal e os gastos com consumo em outubro, além dos pedidos semanais de auxílio-desemprego e das encomendas de bens duráveis no mês passado. Depois, entre 12h e 13h, serão conhecidos dados do setor imobiliário.

Entre a divulgação sobre preços de imóveis e as vendas de casas novas, será divulgada também, às 12h45, a leitura preliminar do índice dos gerentes de compras (PMI) do setor de serviços nos Estados Unidos. Ainda às 13 horas, a Universidade de Michigan informa a leitura final do mês da confiança do consumidor. Depois, às 13h30, saem os estoques semanais norte-americanos de petróleo bruto e derivados.

À espera desses números os índices futuros das bolsas de Nova York estão na azul, ao passo que a Europa está no vermelho. O arrefecimento das tensões geopolíticos, após incidentes com a Rússia, mantém os investidores do Velho Continente na defensiva. Na Ásia, o temor em relação a Síria também pesou nos negócios - com exceção de Xangai, que subiu 0,88% e fechou no maior nível em duas semanas em meio à confiança com a crescente intervenção estatal para estabilizar o mercado de ações.

Contudo, a economia da China ainda está mostrando uma resposta silenciada às ações de flexibilização das políticas monetária e fiscal, conforme sugerem alguns indicadores. Os índices dos gerentes de compras (PMI) não oficiais do país para os setores industrial e de serviços recuaram, após dois meses consecutivos de melhora.

Na indústria, o indicador passou de 43,3 em outubro para 42,4 em novembro, enquanto fora da manufatura a queda foi a 42,9, de 44,2, no mesmo período. Os números oficiais serão conhecidos no dia 1º. Já o sentimento econômico na China caiu a 98,2 neste mês, de 98,4 no mês passado, mostrando que os seis cortes consecutivos nas taxas de juros do país e uma expansão dos gastos fiscais ainda não foram suficientes para reavivar o crescimento econômico chinês.

Nos demais mercados asiáticos, Hong Kong (-0,2%) caiu e Tóquio (-0,3%) também. Na Austrália, a Bolsa de Sydney escorregou 0,1%, penalizada pela realização de lucros nas ações de energia e de produtores de commodities.

Entre as moedas, o iene ganha terreno ante o dólar, diante da busca por refúgio em ativos seguros após a Turquia abater um caça russo, mas a moeda norte-americana perde espaço para os rivais emergentes. O ringgit malaio lidera a valorização, pelo segundo dia consecutivo, ao mesmo tempo em que as commodities estendem o rali da véspera, beneficiadas pela perda de vigor do dólar. O won sul-coreano e o baht tailandês também tiram proveito.

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