Petrobras reage ao prejuízo, em dia de colapso das commodities

13.11.2015

 

Os preços mais elevados do combustível no Brasil suavizaram as perdas da Petrobras no terceiro trimestre deste ano, para R$ 3,8 bilhões, ante prejuízo de R$ 5,3 bilhões um ano antes. Mas o resultado foi pior que o esperado, na faixa de R$ 1 bilhão, com um lucro antes de impostos de R$ 15,5 bilhões - também abaixo dos R$ 19 bilhões previstos - e deve trazer  ajustes às ações da companhia, neste dia de colapso nas commodities no exterior.

 

Enquanto no mundo a gasolina e o diesel acompanhavam o derretimento da cotação do barril de petróleo, em um duro golpe ao setor global de energia, a estatal petrolífera conseguiu reduzir o prejuízo, mantendo os preços. O reajuste às refinarias no fim de setembro deve se refletir no balanço deste trimestre - mas pode ser insuficiente para atenuar a dívida de mais de R$ 505 bilhões, que foi elevada pela desvalorização do real no período.

 

Em reação, as ADRs da estatal petrolífera caíram 3,1% em Nova York, com o balanço da companhia trazendo fortes impactos da desvalorização cambial, além de um resultado negativo de R$ 2 bilhões - referente ao pagamento de dívidas pelo não recolhimento de imposto de renda sobre a importação de petróleo ainda nos anos 2000. É a segunda vez que a Petrobras reconhece o pagamento de dívidas fiscais com a Receita.

 

A companhia realiza teleconferência hoje, às 12h30, para comentar o balanço, em um dia para se esquecer para muitos produtores de commodities do mundo. As principais matérias-primas industriais recuam nesta manhã, afetando as ações das empresas exploradoras de commodities, à medida que o petróleo se aproxima cada vez mais de US$ 40 o barril e o cobre é negociado nos níveis mais baixos em seis anos. O precioso ouro também sofre.

 

Os papéis das mineradoras anglo-australianas BHP Billiton e Rio Tinto cederam quase 2% na Austrália, o que prejudicou a Bolsa de Sydney, que caiu 1,5%, voltando ao menor nível em sete semanas. Porém, o dólar australiano (aussie) caminha para a primeira semana de ganhos desde meados de outubro. Na China, as ações da maior produtora de óleo e gás do país, a Petrochina, tombaram 3,7%, contribuindo para a queda de 1,4% da Bolsa de Xangai.

 

O dado que mostrou que a concessão de crédito novo na China caiu ao menor nível em 15 meses em outubro no país também pesou nos negócios. Em Hong Kong, a maior fundidora de cobre da região, a Jiangxi, caiu 3% e levou o índice Hang Seng a ceder 2,4%, no maior recuo em seis semanas.

 

Ainda na região, a Bolsa de Tóquio caiu 0,51%, com o iene testando forças ante o dólar. Entre as moedas de países emergentes, o ringgit malaio segue em direção à quinta semana seguida de perdas, ao passo que o won sul-coreano e a rupia indonésia perdem terreno para o dólar.

 

Esse efeito devastador sobre as commodities é provocado pela ascensão do dólar em nível global, uma vez que os preços são cotados pela moeda norte-americana, que ganha vigor à medida que se aproxima o momento de aumento nas taxas de juros nos Estados Unidos. Com os dirigentes do Federal Reserve deixando claro que a primeiro alta nos Fed Funds desde 2006 ocorrerá em dezembro, os investidores seguem apreensivos quanto ao ritmo do aperto monetário. Nesta manhã, o juro da T-note de 10 anos se mantém em 2,32%.

 

O calendário de indicadores econômicos está mais carregado no exterior hoje, onde as atenções se dividem entre as vendas no varejo dos Estados Unidos em outubro (11h30) e os números preliminares do Produto Interno Bruto (PIB) na zona do euro no terceiro trimestre deste ano (8h). A expectativa para o comércio varejista norte-americano é de alta de 0,5%, ao passo que a economia da moeda única deve ter avançado 0,4% ante o período anterior.

 

Ainda nos EUA, saem os preços ao produtor (PPI) no mês passado, também às 11h30, além dos indicadores sobre os estoques das empresas em setembro e sobre a prévia da confiança do consumidor em novembro – ambos às 13 horas. À espera desses dados, os índices futuros das Bolsas de Nova York ensaiam uma recuperação, após as fortes perdas das véspera por causa das commodties.

 

Já a agenda doméstica faz uma pausa nesta sexta-feira e traz apenas a divulgação, às 10 horas, da Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios (PNAD) de 2014, com dados sobre população, educação, trabalho, rendimento etc. no Brasil. Na safra de balanços, destaque para os resultados trimestrais das elétricas Cemig, CESP e Eletrobras.

 

A “boataria” em relação à troca de comando no Ministério da Fazenda parece ter perdido força no mercado financeiro, com os investidores esperando alguma novidade mais concreta sobre o assunto para voltar a precificar a notícia nos ativos brasileiros. Ao que tudo indica, a questão pode “acabar em pizza”, pois a presidente Dilma Rousseff ainda resiste em trocar Joaquim Levy por Henrique Meirelles.

 

É bom lembrar que Dilma e Meirelles tiveram duros embates, quando ela era chefe da Casa Civil, ainda no governo Lula. Assim, teriam grandes barreiras as condições impostas pelo ex-BC para assumir o posto de Levy – a saber, a nomeação de um novo ministro do Planejamento, no lugar de Nelson Barbosa, e também de um novo presidente do Banco Central, em substituição a Alexandre Tombini, além de carta branca na condução da gestão do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal.

 

Relatos na imprensa dão conta que o máximo que Dilma poderia admitir é um “ajuste do ajuste” - ou seja, um alívio na condução da atual política econômica. Ainda assim, fica a dúvida nos negócios em relação ao tempo que Levy aguenta a pressão - com muitos já dando como certa a queda dele. Nesse cenário, o mais provável é uma instabilidade na Bolsa, no dólar e nos juros futuros e esse movimento pode ser intensificado hoje.

 

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