Mercados em ponto morto

05.11.2015

 

Os mercados financeiros entram em modo stand by nesta quinta-feira, véspera de divulgação do aguardado relatório oficial sobre o mercado de trabalho nos Estados Unidos (payroll). Os investidores parecem não estar totalmente convencidos de que a primeira alta no juro norte-americano desde 2006 ocorrerá em dezembro deste ano, exatamente sete anos depois de o Federal Reserve iniciar o período prolongado de juro zero.

 

Ontem, porém, a presidente do Fed, Janet Yellen, foi incisiva ao afirmar que um aumento na taxa de juro do país no mês que vem é uma “possibilidade real”. Ela advertiu que nenhuma decisão foi tomada sobre o ritmo do aperto monetário, mas salientou que a alta dos Fed Funds será gradual e dependerá de evolução da economia. Os futuros das taxas precificam 58% de chance de elevação no juro em dezembro, pela primeira vez desde setembro, de 27% três semanas atrás.

 

Os negócios no exterior digerem as palavras de Yellen com certa apreensão, sendo que o maior impacto é sentido nos ativos de países emergentes. O índice MSCI de mercados emergentes caía 0,2%, mais cedo, rumo à primeira queda em quatro dias. A exceção ficou com a Bolsa de Xangai, que subiu 1,8% hoje e voltou a entrar em um mercado de alta (bull market) após os esforços de Pequim para estabilizar a renda variável local.

 

Em Hong Kong, o índice Hang Seng fechou praticamente estável, enquanto a Bolsa de Seul cedeu 0,3%. Já a Bolsa de Tóquio subiu 1,00%, beneficiada pelo enfraquecimento do iene ante o dólar, na esteira das declarações de Yellen e também dos dados de ontem sobre atividade e emprego nos EUA. Aliás, o dólar é negociado nos níveis mais altos desde agosto ante os principais rivais, sendo que entre as divisas de países emergentes o ringgit malaio lidera as perdas.

 

O dólar australiano também recua, após o Banco Central local (RBA) reforçar um viés de afrouxamento monetário, o que não embalou a Bolsa de Sydney, que caiu 1,1%. Entre as divisas europeias, o euro está de lado ante o dólar, um dia após a moeda norte-americana alcançar o maior valor desde 21 de julho ante a moeda única europeia. A libra, por sua vez, é negociada no nível mais alto desde agosto ante o euro, à espera da decisão de política monetária do BC inglês (BoE), às 10 horas.

 

Entre as bolsas, os índices futuros em Wall Street têm um ligeiro viés positivo, em meio à agenda fraca do dia, que traz apenas os pedidos semanais de auxílio-desemprego (11h30). Na Europa, a inesperada queda das encomendas à indústria alemã em setembro, em -1,7% ante agosto, pelo terceiro mês seguido, pesa nos negócios. A previsão era de alta de 1%. Dados agregados de atividade na zona do euro também influenciam na performance das bolsas europeias.

 

Essa sinalização vinda do ambiente externo pode impactar os ativos domésticos, o que levou o Banco Central a se antecipar novamente e programar para hoje mais dois leilões de linha, a fim de conter uma provável força do dólar ante o real. Os mercados brasileiros já levaram um susto ontem após o governo apresentar a conta das chamadas “pedaladas fiscais” e assumir um rombo de quase R$ 120 bilhões nas contas públicas neste ano.

 

O número foi enviado ao relator da meta fiscal de 2015 pelo Ministério da Fazenda e, para sanar a conta, o Palácio do Planalto deve editar decretos e enviar projetos de lei ao Congresso. Já a votação do projeto de repatriação de recursos do exterior, que pode garantir um saldo de R$ 20 bilhões ao governo apenas neste ano, não foi concluída e ficou para a semana que vem.

 

Na agenda do dia, também sai o índice composto dos gerentes de compras (PMI) de atividade (indústria e serviços) no Brasil (10h) em outubro. Pela manhã, a Fipe informou que seu IPC acelerou para 0,88% no mês passado, de +0,66% em setembro. Às 8 horas, a FGV informa indicador antecedente do emprego no país em outubro. Entre os eventos de relevo, a presidente Dilma Rousseff cumpre agenda oficial no Nordeste, onde inaugura obras e reúne-se com lideranças empresariais.

 

 

 

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