Dia seguinte ao Fed tem agenda cheia

29.10.2015

 

O dia seguinte à decisão do Federal Reserve promete ser intenso nos mercados financeiros. Como se já não bastassem os ajustes nos ativos globais após a sinalização do Fed ontem, de que pode elevar os juros norte-americanos em dezembro, a agenda econômica desta quinta-feira está carregada, o que tende a elevar o vaivém nos negócios. No Brasil, o Banco Central também é destaque, com a divulgação da ata da reunião na semana passada.

 

No documento, que será divulgado às 8h30, os investidores esperam encontrar os motivos que levaram o Copom a incluir um “horizonte relevante” na busca pela convergência da inflação à meta, abandonando o plano de voo até o fim de 2016, bem como apontar o cenário com o qual a autoridade monetária trabalha agora. Avaliações sobre o atual balanço de riscos, e os efeitos do dólar e do lado fiscal, também são esperadas.

 

Mas não foi só o BC brasileiro que alterou sua comunicação com o mercado recentemente. Ontem, o Fed deu um passo duro ("hawkish") rumo a um possível aperto na taxa dos Fed Funds no último encontro de 2015 ao retirar, no comunicado que se seguiu à decisão, uma das barreiras que haviam sido adicionadas no encontro de setembro.

 

Na mensagem da reunião deste mês, o BC dos EUA deixou de dizer que o cenário global restringe a atividade e a inflação do país. Ainda assim, o Fed ressaltou que continuará monitorando a economia mundial e as condições dos mercados financeiros, mas sinalizou que não se tratam mais de impeditivos à primeira alta nos Fed Funds desde 2006.

 

Além disso, os membros do colegiado mantiveram intacta a avaliação de que a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) do país segue em ritmo “moderado”. Essa visão pode ser corroborada (ou não) hoje, às 10h30, quando sai a leitura preliminar do PIB dos Estados Unidos no terceiro trimestre deste ano. A previsão é de crescimento de 1,5% na taxa anualizada, desacelerando-se ante o aumento de 3,9% da economia entre abril e junho de 2015.

 

No mesmo horário, saem os pedidos semanais de auxílio-desemprego feitos no país. Depois, às 12 horas, saem dados do setor imobiliário em setembro. Na safra de balanços, destaque para os resultados trimestrais de Bunge, CME Group, Conoco Phillips e Mastercard, antes da abertura do mercado.

 

À espera desses números e ainda sob impacto do recado dado pelo Fed, os índices futuros das bolsas de Nova York recuam nesta manhã. Ontem, Wall Street acabou encerrando o pregão em alta, após ter mergulhado no terreno negativo na esteira da decisão de juros nos EUA, em um típico movimento de cobertura de posição vendida.

 

O juro da T-note de 10 anos ronda a faixa de 2,10% nesta manhã, com as apostas de um eventual aperto monetário no encontro de dezembro pelo BC dos EUA encostando, agora, em cerca de 50%, de menos de 35% na semana passada.  Já o dólar é o ativo mais sensível ao início do processo de normalização da taxa de juros norte-americana e ganha terreno ante a maioria dos rivais, sendo negociado nos níveis mais altos em dois meses.

 

As moedas de países emergentes estão as mais prejudicadas, em meio à migração de recursos para os títulos nos EUA - muito embora a atratividade das taxas reais em alguns países, como o Brasil, ainda possa provocar uma segunda onda, movimentando esse fluxo. O dólar australiano está entre as piores performances, após o preço do minério de ferro cair abaixo de US$ 50 pela primeira vez desde julho. O won sul-coreano também cai forte.

 

Esses fatores devem ter impacto sobre o real brasileiro e as ações da Vale hoje. Já o iene se fortalece, após a produção industrial japonesa inesperadamente crescer 1% em setembro, contrariando a previsão de queda de 0,6%. A Bolsa de Tóquio fechou em ligeira alta hoje, de 0,17%, assim como Xangai, que subiu 0,35%, mas nos demais mercados asiáticos o sinal negativo prevaleceu. No Pacífico, a Bolsa da Austrália recuou 0,1%.

 

As principais bolsas europeias iniciam o pregão no vermelho, acompanhando o sinal vindo da Ásia e de Nova York nesta manhã. Ainda entre as commodities, o petróleo devolve parte do salto observado ontem, quando alcançou o maior nível em uma semana.   

 

Internamente, a temporada doméstica traz os números do Bradesco referentes ao trimestre passado, além de Santander, Usiminas, Gerdau e Pão de Açúcar, ao longo do dia. Entre os indicadores de relevo, destaque para o IGP-M de outubro, às 8 horas, e para a Pnad contínua em agosto, às 9 horas. Entidades da indústria também divulgam indicadores do setor.

 

No front político, a Câmara adiou a votação do projeto de repatriação de recursos no exterior, após deputados pedirem mais tempo para analisar o texto do relator, que extingue, com a repatriação, as penas de alguns crimes. Por falta de acordo, a proposta deve voltar a ser analisada na próxima terça-feira.

 

Entre os eventos de relevo, a presidente Dilma Rousseff participa hoje de cerimônia de entrega de unidades habitacionais (10h) e reúne-se com o ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner (15h). O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, toma café da manhã com parlamentares e, à tarde, participa da reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN). Já o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, segue em Londres e participa de eventos a fim de ampliar o diálogo econômico-financeiro entre Brasil e Reino Unido.

 


 

 

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