Juro nos EUA guia negócios

28.10.2015

 

A decisão de política monetária do Federal Reserve, nesta tarde, concentra as atenções do mercado global hoje. No Brasil, o clima nos negócios antes do Fed tem um fator a mais, com a Câmara dos Deputados sugerindo seguir com o pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. Ontem, houve um alívio no pregão local, em reação à meta fiscal em linha com o esperado - ainda que sem incluir as "pedaladas".

 

O governo oficializou na terça-feira a nova previsão na meta fiscal deste ano, que será equivalente a 0,9% do Produto Interno Bruto (PIB), ou um déficit de R$ 51,8 bilhões. O resultado primário negativo é reflexo da projeção do governo de queda de 2,8% da economia brasileira em 2015 - ante retração de 2,4% esperada em setembro. Para o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, é preciso dar uma "sacudida" na economia. 

 

Mas essa capacidade de reação passa por uma agenda no Congresso. Porém, na Câmara, o presidente da Casa, Eduardo Cunha, deve dar seguimento ao principal pedido de impeachment do mandato de Dilma. Afinal, o pedido assinado pelos juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Júnior se enquadra nos requisitos legais do regimento interno e apontam indícios de participação da presidente em crime de responsabilidade.

 

Também na Câmara, deve ser votado hoje o projeto de lei com normas para regularizar recursos depositados no exterior. O projeto é parte do ajuste fiscal do governo, mas divide a oposição. Já a proposta de emenda constitucional (PEC) sobre desvinculação de receitas (DRU) deu um primeiro passo, mas ainda precisa ser aprovada até o fim do ano.

 

No Palácio do Planalto, Dilma tem apenas compromissos internos, neste Dia do Servidor Público em Brasília. O ministro Levy chegou pela manhã em Londres, onde participa de encontros com investidores estrangeiros e, à noite, é o convidado para um jantar oferecido pelo Tesouro britânico. Já o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, participa de um evento sobre cultura organizacional, fechado à imprensa.

 

Na agenda doméstica, às 8 horas tem sondagem na indústria, da FGV. No exterior, a decisão do Fed é o único evento do dia e será conhecida às 16 horas.

 

Os investidores estão esperando para ver o que o Banco Central dos Estados Unidos tem a oferecer no anúncio da decisão e, ainda que não seja muito, ninguém quer ser pego de surpresa. Sem a coletiva de imprensa, será o caso de ler nas entrelinhas para interpretar o comunicado.

 

Março continua sendo o mês em que os investidores apostam que ocorrerá a primeira alta nos juros norte-americanos desde 2006. Já que não se espera um aperto agora em outubro, o foco se desloca para comentários do Fed em relação à queda dos preços do barril de petróleo e à desaceleração econômica na China - que podem ser determinantes para a alta dos Fed Funds, além da valorização do dólar.

 

Mas por enquanto os mercados internacionais parecem estar paralisados. Os índices futuros das bolsas de Nova York estão na linha d'água nesta manhã, embora o balanço da Apple ontem à noite dê algum impulso aos negócios após as vendas e o lucro trimestral superarem as expectativas. O juro da T-note de 10 anos segue rondando a faixa de 2%.

 

Na Europa, as principais bolsas oscilam entre margens estreitas, sem um rumo único, à espera da decisão sobre juros nos EUA. Na Ásia, Tóquio teve leve alta de 0,1%, enquanto Seul caiu 0,1% e Xangai cedeu 0,6%, com os investidores usando o Fed como um motivo para embolsar os ganhos recentes.

 

O dólar, por sua vez, ganha terreno ante as moedas de países emergentes, com destaque para o xará australiano, que é negociado no menor valor em duas semanas após uma inesperada desaceleração da inflação na Austrália reacender as chances de um afrouxo monetário pelo BC do país, na semana que vem. O ringgit malaio recua pelo terceiro dia seguido.

 

Entre as commodities, o barril do petróleo segue negociado abaixo de US$ 50. O cobre também recua nesta manhã.

 

 

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