Uma nova ameaça das agências de risco

16.10.2015

 

Aquela espada pendurada sobre o pescoço do Brasil - como na anedota moral do bajulador Dâmocles - voltou a ameaçar o selo de bom pagador do país. A reação dos mercados domésticos ontem ao rebaixamento da Fitch até que foi comedida, por parecer já “estar no preço” dos ativos. Mas os investidores deram o recado: haverá uma nova rodada de estresse nos ativos se o Congresso continuar brincando com a pauta relacionada ao ajuste fiscal.

 

Hoje, a agência de classificação de risco realiza teleconferência, às 11 horas, para comentar a decisão. Mas ao que tudo indica, o corte para BBB- era esperado e, em breve, deve ser acompanhado de outro anúncio, na mesma linha, da Moody’s – que também deve cortar o rating soberano brasileiro, mas ainda mantendo o grau de investimento. Portanto, é preciso mostrar ao mercado financeiro que é possível reverter o quadro de instabilidade política para impedir um "efeito multiplicador" entre as agências.

 

A fim de evitar um novo rebaixamento para a categoria especulativa por uma segunda agência de classificação de risco, o governo pode até rever a meta fiscal de 2015 - aumentando o valor do abatimento de investimentos ou simplesmente reduzindo, mais uma vez, a meta das contas públicas deste ano. A medida ampliaria a margem de manobra para acomodar um déficit primário.

 

Nesse cenário nebuloso, a pauta do impeachment da presidente Dilma Rousseff voltou a ganhar força, após o novo pedido feito pelos juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Júnior, tendo apoio do PSDB e de líderes de movimentos anti-Dilma. Afinal, para o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, “ninguém se mantém no cargo com liminar do Supremo”, em referência às decisões provisórias dos colegas Teori Zavascki e Rosa Weber.

 

Além disso, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, não quer dar o benefício da dúvida ao governo, temendo o poder reduzido do Executivo para salvá-lo de uma eventual cassação do mandato. Em uma nova tentativa de se esquivar das denúncias que o envolvem, Cunha negou que tenha feito acordos com o governo e disse acreditar que o  projeto de CPMF não será votado antes de junho de 2016.

 

Contra ele, porém, pesa a abertura de inquérito sobre as quatro contas secretas na Suíça e o desvio de verbas da Petrobras, autorizada ontem à noite pelo ministro Zavascki, do STF. O pedido de abertura foi feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Documentos divulgados na imprensa apontam que Cunha teria recebido ajuda do mesmo operador usado pelo ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró para movimentar recursos no exterior.

 

Em meio a esse imbróglio político, os investidores também se debruçam sob a agenda de indicadores, que volta a ficar carregada nesta sexta-feira. O destaque interno do dia fica com o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), às 8h30.

 

O dado, referente ao mês de agosto, deve reforçar as apostas de retração ainda mais profunda da economia brasileira no terceiro trimestre deste ano, mostrando recuo de 0,60% ante julho e de -4,2% na comparação anual. Antes, às 8 horas, sai o primeiro IGP do mês, o IGP-10 de outubro, que deve acelerar fortemente ante a taxa de setembro, indo a +1,73% e passando de 9,5% no acumulado em 12 meses.

 

Também saem dados do IBGE (9h30) e da Fiesp/Ciesp (11h) sobre o emprego na indústria.

 

Exterior. Alheios ao conturbado ambiente doméstico, os mercados internacionais seguem tomando risco hoje. As principais bolsas asiáticas seguiram os ganhos da véspera em Wall Street e subiram, com o índice MSCI da Ásia-Pacífico caminhando para a terceira semana de ganhos e rumo ao maior nível em oito semanas.

 

O destaque na região ficou com a Bolsa de Xangai, que subiu 1,6% hoje, fechando no patamar mais alto também em oito semanas, em meio às especulações de que Pequim irá acelerar as reformas das empresas estatais, depois de o governo anunciar nesta semana planos para reorganizar a indústria de telecomunicações e ajustar os preços dos serviços públicos. O índice Xangai Composto já subiu 16% desde a mínima atingida em agosto, subindo 6,5% apenas nesta semana.

 

O sentimento positivo também predomina nos mercados europeus, diante da confiança de que os estímulos dos bancos centrais irão continuar dando apoio à economia global. Alguns balanços corporativos contribuem para esse otimismo nos negócios. O euro, por sua vez, estava de lado ante o dólar, ao passo que o iene ganha terreno.

 

Já os índices futuros das bolsas de Nova York mostram sinais de cansaço nesta manhã e estão na linha d'água, recompondo fôlego após encerrarem ontem nos maiores níveis desde agosto. Os investidores por lá relegam os alertas sobre o teto da dívida dos Estados Unidos, que deve ser alcançado no próximo dia 3. Afinal, o dado de ontem mostrou que o déficit orçamentário do país encolheu para o menor nível em toda a administração Obama e desde 2007 – tanto em dólar quanto em relação ao PIB.

 

Assim, as atenções se voltam para o calendário econômico norte-americano, que também volta a ganhar relevância hoje. Às 10h15, sai a produção industrial no país em setembro, juntamente com a utilização da capacidade instalada e, às 11 horas, é a vez da leitura preliminar do mês do índice de confiança do consumidor, medido pela Universidade de Michigan.

 

Também merece atenção o relatório JOLTS sobre o emprego e o número de vagas disponíveis no mercado de trabalho dos EUA em agosto, ainda às 11 horas. À tarde, às 17 horas, sai o fluxo de capital estrangeiro no país. Na safra de balanços, a General Eletric (GE) publica seus resultados trimestrais.

 

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