Política mantém tensão

14.10.2015

 

Após três liminares concedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) suspenderem um possível caminho para o processo de impeachment contra o mandato da presidente Dilma Rousseff, os mercados devem abrir o pregão de hoje revestidos de cautela, à espera do próximo movimento vindo do front político. A oposição deve protocolar um novo pedido na sexta-feira, a partir de uma mudança de texto na petição feita pelos juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Júnior, que incluirá a denúncia da prática das "pedaladas fiscais" em 2015.

 

Ontem à noite, durante a abertura do 12º Congresso da CUT, Dilma proferiu um dos discursos mais duros desde que foi reeleita e criticou os "moralistas sem moral", que "conspiram" por um "golpismo escancarado", "envenenando a população" para afastá-la do cargo. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva acompanhou Dilma no evento e abordou, na fala, a atual crise, que, para ele, é mais política do que econômica.

 

Ainda assim, Lula execrou o ajuste fiscal em curso. Hoje, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, deve ir ao plenário da Câmara, às 15 horas, para falar exatamente sobre os esforços de equilibrar as contas públicas, em uma tentativa de resgatar os deputados à pauta sobre a votação dos vetos presidenciais restantes. Já a presidente Dilma cumpre agenda oficial no interior de São Paulo, onde participa de cerimônia de entrega de unidades habitacionais.    

 

Também na Câmara, chama atenção a participação do presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, a partir das 14 horas, em audiência pública sobre irregularidades na estatal petrolífera. Enquanto o bate-rebate político prossegue em Brasília, os investidores se voltam para a agenda de indicadores econômicos. E o destaque do dia é o varejo.

 

No Brasil, as vendas do comércio varejista devem ter recuado em agosto pelo sétimo mês consecutivo, em -0,7% ante julho. Em base anual, a estimativa é de recuo de 6,00%, o que, se confirmado, representará a maior queda para o mês desde o início dos anos 2000. Ainda internamente, às 12h30, o Banco Central entra em cena para anunciar os dados do fluxo cambial referente à primeira semana de outubro.

 

Já nos Estados Unidos, a previsão é de que o varejo tenha mantido no mês passado o ritmo de expansão apurado no mês anterior, com crescimento de 0,2% nas vendas. O dado norte-americano será divulgado às 9h30 – meia hora antes do dado doméstico, a ser anunciado pelo IBGE (9h).

 

Ainda no calendário dos EUA, saem os preços ao produtor (PPI) em setembro (9h30) e os estoques das empresas em agosto (11h). À tarde, às 15 horas, será publicado o Livro Bege do Federal Reserve, que pode trazer pistas à luz da questão sobre a possibilidade de os juros norte-americanos subiram ainda em 2015. Na safra de balanços, destaque para os números trimestrais dos bancos Wells Fargo e Bank of America (BofA).

 

À espera desses números, os índices futuros das bolsas de Nova York estão na linha d'água, porém com um ligeiro viés de alta, a despeito do do resultado abaixo do esperado do JPMorgan. O banco registrou lucro líquido de US$ 6,8 bilhões (US$ 1,68 por ação), acima de US$ 1,37 por ação esperado, mas a receita líquida caiu a US$ 23,54 bilhões, de US$ 23,69 bilhões previstos.

 

Já na Europa e na Ásia, o sinal negativo prevalece, após a inflação ao consumidor (CPI) na China moderar, ao passo que os preços ao produtor (PPI) ampliaram uma sequência recorde de queda. Nos números, o CPI subiu 1,6% em setembro, em base anual, menos que a previsão de alta de 1,8% e ante avanço de 2% em agosto. Já o PPI caiu 5,9%, no 43º resultado negativo consecutivo, mostrando que ainda há uma trajetória deflacionária industrial.

 

A fraca leitura do CPI deveu-se à queda nos preços de carne de porco e vegetais, mas deve se estabilizar gradualmente, ainda que siga firme abaixo do alvo do governo de Pequim, de 3% ao ano. Assim, o dado sugere que o Banco Central chinês (PBoC) ainda tem espaço para afrouxar a política monetária, mesmo depois de cortar os juros cinco vezes desde novembro.

 

Contudo, a Bolsa de Xangai caiu 0,95% hoje, na primeira queda em seis dias. O yuan chinês, por sua vez, recuou pela segunda sessão consecutiva, acumulando as maiores perdas no período desde agosto. Entre os mercados emergentes, o índice MSCI caminha para a segunda baixa seguida, após encerrar a segunda-feira no maior nível em nove semanas.

 

Nos demais mercados asiáticos, a Bolsa de Tóquio caiu 1,89%, enquanto a de Hong Kong perdeu 0,71% e a de Seul recuou 0,45%. As bolsas da Malásia e da Indonésia estavam fechadas, devido a um feriado.

 

Ainda na região, destaque para a decisão do Banco Central da Cingapura, que utiliza a moeda ao invés da taxa de juros para guiar a economia, ao promover um ajuste na banda de negociação do dólar do país. Em reação, a moeda local registrou o maior ganho em quase um mês.

 

 

 

 

                   

 

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