Agora é com a política


O cenário político que voltou a preocupar o dólar ontem, mas que ainda passou ileso na Bovespa, deve influenciar os mercados domésticos hoje, após a decisão unânime do Tribunal de Contas da União (TCU) de recomendar a reprovação das contas de 2014 do governo. O julgamento final ainda precisa ser feito pelo Poder Legislativo, mas a deposição da presidente Dilma Rousseff pode ser vista como positiva pelos agentes, diante do caminho livre para uma recomposição política.

Porém, para o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, a reprovação das contas de 2014 da presidente já era esperada, mas ainda não se pode dizer se tal decisão embasa um eventual pedido de impeachment de Dilma - como planeja a oposição. Já o pedido de investigação contra Cunha esbarrou no regimento interno da Casa, em meio ao surgimento de novos documentos mostram que ele tem quase US$ 2,5 milhões em contas na Suíça e a quantia não aparece no imposto de renda do deputado.

De qualquer forma, a decisão ontem à noite do TCU foi recebida com fogos de artifício do lado de fora do tribunal. Agora, o parecer pela rejeição das contas de Dilma será encaminhado à Comissão Mista de Orçamento. Hoje, ela embarca à noite para a Colômbia, mas antes (16h), participa de uma reunião ministerial. O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, cumpre agenda oficial no Peru.

Ao mesmo tempo, a nova derrota sofrida ontem pelo governo no Congresso, após deputados faltarem à sessão que analisaria os vetos presidenciais às pautas-bomba, dificulta a possibilidade de aprovação das medidas em direção ao ajuste fiscal, realimentando o temor em relação às agências de classificação de risco.

Esse noticiário político que abre os negócios locais nesta quinta-feira já não conta mais com a melhora do apetite por risco no exterior, onde o rali recente dá os primeiros sinais de cansaço. Até então, essa disposição dos investidores, sobretudo pelo risco dos mercados emergentes, conduziu a Bolsa brasileira à sétima alta consecutiva, ontem.

O movimento, é bom lembrar, vem na esteira de uma sequência igual de quedas, apurada até o fim do mês passado, e após o fluxo de capital para países emergentes ficar negativo pela primeira vez desde 1988. Tratam-se, portanto, de fatores transitórios, que têm causado volatilidade nos ativos, sobretudo do Brasil, sem a solidificação de qualquer melhora de cenário - doméstico ou global.

Aliás, mais um dado fraco vinda da maior economia europeia hoje, pelo terceiro dia consecutivo, enfraquece o sinal positivo que tenta prevalece entre as bolsas da região. Isso porque as exportações da Alemanha registraram a maior queda em agosto desde o auge da recessão em 2009, em -5,2% ante julho. A previsão era de baixa de apenas 0,9%.

As importações alemãs caíram 3,1%, com os números sinalizando os efeitos da desaceleração da economia global. Por sua vez, o índice de confiança do empresariado na França inesperadamente piorou. Em reação, o euro está de lado ante o dólar, com os investidores mantendo as apostas de que o Banco Central da região da moeda única (BCE) deve voltar a injetar estímulos monetários, em breve.

Hoje, contudo, a expectativa recai na decisão de juros do BC inglês (BoE), às 8 horas. À tarde, às 15 horas, o foco se volta para os Estados Unidos, quando será divulgada a ata da reunião de setembro do Federal Reserve. À espera da publicação e de olho nos pedidos semanais de auxílio-desemprego feitos no país (9h30), os índices futuros das bolsas de Nova York recuam, ao passo que o juro da T-note de 10 anos oscila na faixa de 2,05%.

No documento, os investidores irão se atentar para quatro questões-chaves, que podem calibrar as apostas sobre o momento exato da primeira alta dos juros norte-americanos desde 2006. Observações do colegiado sobre a criação de vagas no mercado de trabalho, o fortalecimento do dólar em nível global e o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA serão monitoradas com atenção.

Mas o principal assunto a ser observado será em relação à China. Aliás, a Bolsa de Xangai voltou do longo feriado de uma semana no país, ajustando-se ao recente rali dos mercados acionários e fechando com alta de 3%, no maior avanço diário em três semanas. Especulações de que Pequim irá adotar novos passos para impulsionar a segunda maior economia do mundo sustentaram os ganhos.

Os demais mercados asiáticos, conduto, ficaram no vermelho: Tóquio caiu 0,99% e Hong Kong perdeu 0,71%. O iene segue ganhando terreno ante o dólar, e o enfraquecimento da moeda dos EUA traz algum fôlego às commodities, embora o desequilíbrio entre a oferta e a demanda por matérias-primas siga afetando os preços do petróleo e dos metais básicos.

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