Governo enfrenta desafios e reaviva cautela nos mercados


Parafraseando James Carville e sua célebre frase durante a campanha presidencial de Bill Clinton contra Bush filho, é a política (!) que deve continuar ditando o ritmo dos mercados no Brasil nesta terça-feira, com uma dose extra de cautela. Isso porque deputados e senadores devem retomar, a partir das 11h30, a tentativa de apreciar os vetos presidenciais, em sessão conjunta no Congresso.

Na pauta, as matérias consideradas “bombas” pelo governo, que tratam do reajuste do Judiciário e que estendem a aplicação da regra do reajuste do salário mínimo a todos os aposentados e pensionistas. Porém, a tendência é de manutenção dos vetos – postura defendida, inclusive, pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha.

Já o julgamento do Tribunal de Contas da União (TCU) foi confirmado para amanhã, a partir das 17 horas, apesar do comportamento inusitado do governo federal, de pedir pelo afastamento do relator da análise das contas públicas de 2014, Augusto Nardes, depois de uma atitude igualmente inusitada dele de antecipar seu voto, politizando a questão. O pedido de impedimento do ministro será apreciado antes do julgamento das contas.

Assim, o governo ganha tempo e abre caminho para solidificar a base aliada, após a reforma ministerial. Em contrapartida, a oposição acusa o governo de autoritarismo, realimentando a questão do impeachment. O tema, aliás, segue nos bastidores de Brasília, diante da estratégia do presidente da Câmara de desviar o foco sobre ele, em meio às denúncias na Lava Jato.

No início da noite de hoje, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) julga ação que investiga a campanha de reeleição da presidente Dilma Rousseff. Por sua vez, o Conselho de Ética e Decoro da Casa pode instaurar um processo para analisar a cassação do mandato de Cunha por quebra de decoro, enfraquecendo-o no cargo.

Em meio a todo esse noticiário político, a agenda de indicadores econômicos segue fraca hoje, e traz apenas indicadores antecedentes sobre o emprego, da FGV (8h), e sobre a indústria automotiva, da Anfavea (11h). Entre os eventos de relevo, Dilma recebe o vice, Michel Temer, pela manhã (9h), e o novo ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, à tarde (15h).

Já no noticiário corporativo doméstico, destaque para o corte de US$ 11 bilhões em investimentos, anunciado ontem à noite pela Petrobras. Segundo a estatal, a previsão dos aportes neste ano foi reduzida de US$ 28 bilhões para US$ 25 bilhões, enquanto o orçamento para 2016 encolheu de US$ 27 bilhões para US$ 19 bilhões. Assim, o plano de negócios 2015-2019, que era de US$ 130,3 bilhões, passou para US$ 119,3 bilhões.

No exterior, o calendário também está esvaziado, tendo somente os dados de agosto da balança comercial norte-americana (9h30). Pela manhã, na Europa, foi anunciada uma inesperada queda nas encomendas à indústria alemã em agosto, de -1,8%, ante recuo de -2,2% (dado revisado) em julho. A expectativa era de ligeira alta de 0,5% no dado.

Em reação, as principais bolsas europeias recuam, devolvendo parte dos ganhos da véspera, com as mineradoras liderando as perdas. Os investidores avaliam se a fragilidade da economia na região irá encorajar o Banco Central Europeu (BCE) em manter os estímulos monetários por mais tempo.

As atenções se voltam, agora, para o discurso do presidente do BC da zona do euro, Mario Draghi, às 14 horas. As apostas são de que Draghi reafirme que segue pronto para agir - caso necessário. Ao mesmo tempo, o Federal Reserve pode rever o discurso, de elevar ainda neste ano a taxa de juros nos Estados Unidos pela primeira vez desde 2006, adiando o processo de aperto monetário para o ano que vem.

Por ora, a precificação na curva dos Fed Funds por uma alta neste mês de outubro caiu abaixo de 10%, após os dados mais fracos sobre emprego, manufatura e serviços nos EUA. De olho nesse movimento, os índices futuros das bolsas de Nova York também recuam nesta manhã, enquanto o juro da T-note de 10 anos tinha leve baixa, a 2,04%.

Entre as moedas, o dólar se mostra firme ante o euro, mas está de lado ante o iene, na expectativa pelo anúncio de política monetária do BC do Japão (BoJ), amanhã. Já o dólar australiano se fortalece, na esteira da decisão do BC local (RBA) de manter o juro no mínimo histórico de 2% ao ano - nível alcançado em maio. Ainda entre as moedas de países emergentes, destaque para a rupia da Indonésia, que registrou a maior alta desde 2013.

As principais commodities industriais não apresentam um comportamento único, com o petróleo no aguardo dos estoques semanais norte-americanos do API, ao passo que os metais básicos esperam pelo retorno dos negócios na China. A Bolsa de Xangai permaneceu fechada hoje, ainda devido ao feriado nacional, mas o sinal positivo prevaleceu na Ásia.

A exceção ficou com Hong Kong, que teve leve baixa de 0,1%. Tóquio subiu 1%, na expectativa por estímulo adicional por parte do BoJ até o fim do mês. A Bolsa de Seul teve ganhos na mesma magnitude, enquanto na Oceania, Sydney e Nova Zelândia subiram 1,2% e 0,8%, respectivamente.

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