A resposta dos emergentes

29.09.2015

 

Os mercados emergentes tentam responder à pressão nos ativos financeiros que vêm sofrendo, em meio à desaceleração econômica na China e à incerteza sobre os passos do Federal Reserve. A Índia, parceira do Brasil no BRICS, surpreendeu os investidores hoje, ao cortar em 0,50 ponto porcentual a taxa básica de juros para o menor nível em quatro anos, a 6,75%. Já o Banco Central brasileiro armou um contra-ataque para hoje, um dia após o dólar fechar acima de R$ 4,10.

 

A moeda norte-americana registrou ontem a maior alta diária ante o real desde setembro de 2011, a despeito de declarações nem tão ruins da Fitch sobre o rating brasileiro, o que mostrou que um mercado com pouca liquidez abre espaço para especulações. Diante disso, o BC anunciou três leilões extras para hoje, ao passo que o Tesouro Nacional reduziu a oferta de títulos prefixados, a fim de reduzir o vaivém no dólar e nos DIs. A Bovespa, por sua vez, começou a semana no menor nível do ano e desde abril de 2009.

 

De qualquer forma, a crise doméstica tende a manter os negócios locais pressionados hoje, já que o Tesouro anuncia o resultado primário do governo central em agosto, que deve mostrar um déficit na faixa de R$ 14 bilhões. Antes, às 8h, a FGV informa o IGP-M de setembro, que deve acelerar fortemente ante a taxa de agosto, pressionado pelo dólar.

 

Às 9h, o IBGE informa a Pnad contínua de julho. Entre os eventos de relevo, destaque para a participação do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, em uma premiação de empresas brasileiras, na capital paulista, a partir das 8h30. Por sua vez, a presidente Dilma Rousseff e o presidente do BC, Alexandre Tombini, têm apenas compromissos internos. Ainda assim, os ajustes finais sobre a reforma ministerial devem seguir na pauta do Palácio do Planalto.

 

No exterior, a onda vendedora (selloff) que varreu os mercados internacionais ontem, tenta ter continuidade hoje. Porém, as principais bolsas europeias conseguiram apagar as perdas exibidas logo na abertura do pregão, quando chegaram a atingir o nível mais baixo desde janeiro.

 

A recuperação foi apoiada na melhora das ações de mineradoras e montadoras. O avanço do sentimento econômico na zona do euro para o maior nível desde junho de 2011, a 105,6 pontos em setembro, também contribuiu para a retomada do sinal positivo na Europa, ofuscando as preocupações com a perda de tração na segunda maior economia do mundo.

 

Já na Ásia, as fortes perdas da véspera em Wall Street pesaram sobre os negócios na região, alimentando as preocupações com o crescimento econômico global. O índice japonês Nikkei 225 caiu 2,8% e passou a acumular perdas no ano, ao passo que a Bolsa de Xangai recuou 1,1%. Hong Kong voltou do feriado e cedeu 3,3%.

 

No Pacífico, a Bolsa de Sydney perdeu 2,7%, com o dólar australiano afastando ainda mais da marca de US$ 0,70. Entre outras moedas emergentes, destaque também para o ringgit malaio e a rupia indonésia que atingiram, cada uma, o menor nível em 17 anos ante o dólar. O dólar de Cingapura renovou a mínima em seis anos ante o xará norte-americano, enquanto o baht tailandês registrou o patamar mais baixo em oito anos.

 

A exceção ficou com a rupia indiana, que ganhou terreno ante a moeda dos Estados Unidos, na esteira da decisão inesperada do BC da Índia (RBI). Comandada pelo ex-FMI Raghuram Rajan, a autoridade monetária cortou a taxa de recompra de referência de 7,25% para 6,75%, em uma decisão esperada por apenas um de 52 analistas consultados por agências internacionais - os outros 42 previam redução menor, de 0,25pp, e nove apostavam em estabilidade.

 

A Bolsa de Mumbai zerou as perdas de mais de 3% e passou a subir cerca de 1%, enquanto o rendimento do bônus soberano de 10 anos do país atingiu o nível mais baixo desde julho de 2013, a 7,56%. Também chama atenção o salto da taxa overnight para a tomada de empréstimo offshore de yuan, que atingiu um recorde de alta em Hong Kong, com a moeda chinesa valendo 6,3574 por dólar. Em Xangai, a alta foi de apenas 0,07%.

 

Em Nova York, o sinal positivo volta a predominar, com os investidores digerindo as declarações divergentes de integrantes do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc). De um lado, o presidente da distrital do Federal Reserve em São Francisco, John Williams, espera pela primeira alta dos juros nos EUA desde 2006 ainda neste ano. Por outro, o chefe do Fed em Chicago, Charles Evans, diz que não irá apoiar um aperto nos Fed Funds antes do início de 2016.

 

Na agenda norte-americana do dia, às 10h, saem índices de preços de imóveis em cidades dos EUA em julho. Às 11h, é a vez do índice de confiança do consumidor neste mês, medido pelo Conference Board.

 

 

 

 

 

 

 

 

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