Voto aos vetos mantém cautela

22.09.2015

 

O ambiente doméstico deve seguir avesso ao risco hoje, com as incertezas políticas dando munição às especulações. Mas a estratégia do governo em tentar esvaziar a sessão de vetos na noite desta terça-feira no Congresso pode trazer algum alívio aos ativos, uma vez que impede a criação de R$ 127 bilhões em despesas. Temendo uma derrota entre os parlamentares, o governo também negocia com a base aliada o anúncio da reforma ministerial. Já o novo pacote de ajuste fiscal ainda não foi entregue aos parlamentares.

 

Contrariando a expectativa do ministro Joaquim Levy (Fazenda), o governo não enviou ontem ao Congresso alguns dos projetos relativos às medidas fiscais, diante dos receios com a proposta sobre a CPMF. Em evento ontem à noite, na capital paulista, Levy sinalizou que a alta da Cide não está descartada. O tributo sobre os combustíveis não precisa passar pelo crivo do Congresso - ao contrário da CPMF, que tem ganho resistência no Legislativo.

 

O tema é polêmico. O próprio presidente do PT, Rui Falcão, defende a volta do “imposto do cheque”, mas não como PEC – e sim como projeto de lei complementar. Já em relação aos outros assuntos em pauta, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, disse que derrubar o veto ao reajuste salarial do Judiciário "é colocar gasolina na fogueira”. Ele afirmou também que deve responder à questão de ordem sobre impeachment ainda nesta semana.

 

Esses ruídos vindos de Brasília tendem a diminuir o peso dos indicadores econômicos, mas a agenda desta terça-feira traz a divulgação da prévia da inflação oficial no país neste mês. A expectativa é de que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) atinja em setembro o menor nível do ano, desacelerando a 0,38%. Contudo, a taxa acumulada em 12 meses deve seguir no maior patamar desde dezembro de 2003, a 9,57%.

 

O dado do IBGE será conhecido às 9 horas. Antes, às 8 horas, a FGV informa a sondagem preliminar da indústria. Entre os eventos de relevo, o ministro Levy participa de seminário da OCDE, a partir das 10h30, no Palácio do Itamaraty. Depois, às 12 horas, ele reúne-se com representantes da Fitch.

 

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, tem apenas compromissos internos. Mas a novidade vinda da autoridade monetária é a nomeação de Altamir Lopes, atual diretor de administração do BC, para a diretoria de Política Econômica, a partir do próximo dia 28. O titular do cargo, Luiz Awazu, deixa a área no fim deste mês, rumo à vice-presidência do BIS. Com a decisão caseira, Altamir não precisará ser sabatinado no Senado.

 

Já a presidente Dilma Rousseff tem encontros com os ministros Ricardo Berzoini (Comunicações, 9h) e Kátia Abreu (Agricultura, 14h30). O primeiro deve assumir, em breve, o posto de articulador político do governo, enquanto a segunda foi escalada para compor uma frente anti-impeachment, em uma tentativa de dissuadir aqueles que embarcam no movimento pelo afastamento da presidente.

 

No exterior, nem mesmo o terceiro dia consecutivo de ganhos na Bolsa de Xangai anima os negócios hoje. A alta por lá foi de 0,9%, na esteira dos encontros de autoridades chinesas com lideranças dos Estados Unidos e do Reino Unido, que podem resultar em diferentes acordos. A Bolsa de Hong Kong subiu 0,18%.

 

Porém, o sinal negativo prevalece entre as bolsas europeias e os índices futuros das bolsas de Nova York, que exibem perdas aceleradas nesta manhã, na faixa de 1%. Os investidores mostram-se incomodados com as declarações de dirigentes do Federal Reserve, ontem, que reforçaram as chances de um aperto nos juros do país ainda neste ano, apenas poucos dias após o anúncio da decisão do Fed.

 

O petróleo recua nesta manhã, enquanto o euro se enfraquece e a T-note de 10 anos tem leve baixa a 2,18%, pesando também no bund alemão de mesmo vencimento. Na agenda do dia, o calendário dos Estados Unidos traz a divulgação, às 10 horas, do índice de preços de imóveis em cidades norte-americanas em julho e, às 11 horas, é a vez do índice regional de atividade em Richmond neste mês.

 

Também às 11 horas, na zona do euro, sai a prévia de setembro da confiança do consumidor. No fim do dia, na China, sai a leitura preliminar do índice dos gerentes de compras (PMI) da indústria.

 

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