Política testa fôlego dos mercados

21.09.2015

 

 

A esquerda voltou ao poder na Grécia, onde o partido Syriza venceu as eleições antecipadas realizadas neste domingo, com cerca de 35% dos votos. Mas o ex-primeiro-ministro grego Alexis Tsipras assume o poder em Atenas em um cenário em que as preocupações com a economia global e o aperto nos juros dos Estados Unidos se sobrepõem às questões da dívida, retraindo os negócios. Já no Brasil, o Congresso testa a governabilidade da presidente Dilma Rousseff.

 

A sessão plenária marcada para amanhã, quando serão analisados os vetos de Dilma a matérias aprovadas por deputados e senadores, pode resultar em um novo desgaste do governo. Os esforços para evitar novos gastos - como a pauta-bomba que reajusta o salário dos servidores do Judiciário em quase 80% - pode ser mais um teste para medir as chances da votação do impeachment na Câmara e no Senado.

 

É sob esse clima tenso que os mercados domésticos reabrem hoje, com o Banco Central tentando conter uma arrancada do dólar para a marca de R$ 4,00. Na sexta-feira, a moeda norte-americana renovou o maior nível desde 2002, cotada a R$ 3,95, o que levou o BC a anunciar a oferta de US$ 3 bilhões em leilão de linha para a manhã desta segunda-feira.

 

A agenda econômica desta segunda-feira traz um ingrediente a mais para o pregão local, pois o dia já começa carregado no Brasil, com a divulgação, às 8h30, da Pesquisa Focus e também do Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), ambos pelo Banco Central. A estimativa para o dado, que é tido como uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), é de queda de 0,40% entre junho e julho e recuo de 4,60% na comparação com julho de 2014.

 

Na sequência, às 9 horas, acontece a tradicional reunião de coordenação política, com a presença da presidente Dilma e também dos ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e do Planejamento, Nelson Barbosa. À noite, Levy desembarca em São Paulo, onde participa de um seminário sobre o sistema financeiro e mudanças climáticas.

 

Ainda no calendário do dia, às 15 horas, saem os números semanais da balança comercial. Amanhã, será conhecida a prévia da inflação oficial no país em setembro, medida pelo IPCA-15, e as previsões são de desaceleração a 0,38%, no maior nível do ano, ante +0,43% em agosto. A taxa acumulada em 12 meses também deve perder força, mas tende a seguir na marca de 9,5%.

 

Já na quinta-feira, o IBGE informa a taxa de desemprego, que deve encostar  ainda mais na faixa de 8%. Nos Estados Unidos, a agenda econômica de hoje traz apenas o anúncio, às 11 horas, das vendas de casas existentes em agosto. À espera desses números, os índices futuros das bolsas de Nova York estão de lado, sem um viés definido.

 

Aliás, o calendário de indicadores norte-americanos está mais fraco nesta semana, com o auge sendo atingido apenas na sexta-feira, quando sai a terceira e última estimativa do PIB no trimestre passado. No mesmo dia, será conhecida também a leitura final deste mês do sentimento do consumidor, medida pela Universidade de Michigan. Outros dados do setor imobiliário e sobre as encomendas de bens duráveis no país serão conhecidos, entre amanhã e quinta-feira.

 

Também são esperadas leituras do índice dos gerentes de compras (PMI) sobre os setores industrial e de serviços nos EUA, na China e na zona do euro. Esses números podem dar pistas sobre as condições reais das maiores economias do mundo, em meio aos receios com a desaceleração econômica global e à iminência da primeira alta no juro norte-americano desde 2006.

 

Ontem, o presidente da distrital de Saint Louis do Federal Reserve, James Bullard, argumentou contra a manutenção do juro zero nos EUA, dizendo que a economia do país já se recuperou o suficiente para iniciar o ciclo de aperto monetário. Essa perspectiva atinge, principalmente, os mercados emergentes, que sofrem duplamente, por causa da perda de tração na China. O ringgit malaio e o won sul-coreano recuam.

 

Porém, às vésperas da primeira visita oficial do presidente chinês, Xi Jinping, aos EUA, a Bolsa de Xangai subiu 1,91% hoje, na contramão do sinal negativo que prevaleceu por toda a Ásia. Xi estará nos EUA entre os dias 22 e 25 de setembro, quando os países devem firmar acordos em várias aéreas.

 

Já a Bolsa de Hong Kong caiu 0,75%, enquanto a de Seul recuou 1,1%. Não houve pregão no Japão, devido a um feriado. No Pacífico, a Bolsa de Sydney perdeu 0,4%. Essas perdas contaminam os negócios na Europa, onde também não há uma direção única.

 

O destaque na região fica com o tombo ao redor de 20% nas ações da Volkswagen, após a montadora admitir ter trapaceado em testes de poluição do ar nos EUA durante anos, arriscando bilhões de dólares em multas e a reação dos consumidores. A Bolsa de Frankfurt caía cerca de 1%, mais cedo.

 

Por sua vez, a Bolsa de Atenas subia pouco mais de 1%, com o rendimento dos bônus gregos de 10 anos atingindo o menor nível desde meados de setembro. Após a quinta eleição geral em seis anos no país, Tsipras confirmou a formação de uma coalizão de governo com os gregos independentes e disse que seguirá a luta iniciada há sete meses.

 

 

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