Governo prepara cortes em semana de decisão do Fed

14.09.2015

 

 

O fim de semana foi agitado em Brasília, onde a presidente Dilma Rousseff esteve reunida, no sábado e no domingo, com vários ministros para discutir cortes orçamentários e novas medidas para melhorar a gestão pública, como a redução de cargos comissionados e reajuste zero ao funcionalismo público. A expectativa é de que algum anúncio seja feito ainda hoje, com os cortes nas despesas podendo ser superior a R$ 20 bilhões. Aumento de impostos também são esperados.

 

O valor final deve ser costurado em um novo encontro na manhã desta segunda-feira. Em outro front, o governo montou uma "força-tarefa" para barrar o avanço do impeachment no Congresso, ao passo que entregou novas explicações ao TCU sobre as contas de 2014. Já a oposição intensificou o contato com membros do PMDB e discute apoiar um eventual governo de Michel Temer.

 

Hoje, às 9 horas, acontece a já tradicional reunião de coordenação política e esses assuntos devem entrar em pauta, o que deve manter certa tensão logo na abertura dos mercados domésticos. O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, também estará presente na reunião. À tarde, às 16 horas, Dilma recebe o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa e, às 19h30, tem reunião com líderes da Câmara.

 

Entre os indicadores no Brasil, também são esperadas as tradicionais divulgações de segunda-feira, a saber: Pesquisa Focus (8h30) e balança comercial semanal (15h). Em meio a todo esse contexto local, os investidores absorvem ainda o noticiário vindo do exterior, onde a China volta a incomodar.

 

A Bolsa de Xangai caiu 2,7% hoje, na maior queda em três semanas e na primeira sessão para reagir aos dados sobre indústria e varejo no país, anunciados ontem. Em relação a um ano antes, a produção industrial chinesa cresceu 6,1% em agosto, menos que a previsão de +6,5%. Já o comércio varejista chinês manteve o ritmo de expansão e avançou 10,8% no mês passado, acima da projeção de 10,6% e ante alta de 10,5% em julho.

 

Trata-se de mais uma sinal de que a economia chinesa segue firme em busca de um "novo normal", fortalecendo o mercado consumidor interno e diminuindo o papel da indústria pesada. Aqui, cabe a ressalva de que o processamento de petróleo bruto na China cresceu 6,5%, na mesma base de comparação, diante da forte demanda por gasolina.

 

O consumo aparente do combustível no país estava perto de um recorde de alta em julho, com 2,73 milhões de barris por dia. Outro dado que reforça essa transição são os investimentos em ativos fixos na China, que se expandiram no ritmo mais lento em 15 anos: +10,9% entre janeiro e agosto. A projeção era de alta de 11,2%.

 

Ainda assim, a produção de aço na China cresceu entre julho e agosto, mesmo com os desligamentos pedidos pelo governo, o que eleva as preocupações de um excesso global do produto. O país fornece mais de metade do aço no mundo. Em reação, as principais commodities industriais recuam nesta manhã, diante do temor de oferta abundante, o que pesa mais no petróleo.

 

Portanto, a leitura que prevaleceu no mercado financeiro é de que os esforços de Pequim não têm sidos suficientes para reavivar a segundo maior economia do mundo, que segue em firme desaceleração. Mas o sinal vermelho nem se espalhou por toda a Ásia, onde Hong Kong subiu (0,27%), mas Tóquio caiu (-1,63%). No Pacífico, a Bolsa da Austrália avançou 0,4%, digerindo o desafio lançado ao primeiro-ministro australiano, Tony Abbott, por Malcolm Turnbull pela liderança do Partido Liberal.

 

As perdas também foram contidas na Europa e nos índices futuros das bolsas de Nova York, onde prevalecem ligeiros ganhos, com o foco dos investidores saindo da China e concentrando-se no Federal Reserve. O dólar, por sua vez, está mais fraco ante o euro e o iene, mas mede forças contra algumas moedas de países emergentes e correlacionadas às commodities.

 

O fato é que Wall Street e os mercados pelo mundo já se mostram ressabiados às vésperas do fim do encontro de política monetária nos Estados Unidos, na quinta-feira. Porém, a percepção de que o início do ciclo de alta dos juros norte-americanos será postergado para dezembro - em detrimento a setembro e outubro - é cada vez maior. As apostas de que a primeira alta desde 2006 nos Fed Funds será neste mês seguem abaixo de 30%.

 

Antes do Fed, o calendário dos EUA traz a divulgação das vendas no varejo e da produção industrial em agosto, ambos na terça-feira, além da inflação ao consumidor,  na quarta-feira. Serão os últimos dados de primeira grandeza capazes de calibrar as apostas em relação ao Fed. É válido lembrar que, após o anúncio da decisão, a presidente do Banco Central dos EUA, Janet Yellen, concede entrevista coletiva.

 

Na zona do euro, além do dado da indústria, que saiu hoje e apontou crescimento pela primeira vez em três meses - de +0,6% em julho ante o mês anterior - será conhecida a inflação ao consumidor, na quarta-feira, um dia após índices de confiança na região da moeda única. A previsão para a produção industrial entre os países que compartilham a moeda única era de +0,2%.

 

Já agenda doméstica segue fraca no decorrer da semana, com destaque apenas para as vendas do comércio varejista em julho, na quarta-feira. O IBC-Br pode ser conhecido na sequência, mas ainda não há confirmação. Alguns IGPs serão divulgados.

 

 

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