Um novo capítulo da S&P

11.09.2015

 

Após rebaixar o Brasil, a Standard & Poor's (S&P) também cortou as notas de risco de crédito de várias empresas nacionais, ontem à noite, entre elas grandes bancos e as estatais Petrobras e Eletrobras. No caso da petrolífera, o golpe da agência de classificação de risco foi ainda mais duro, pois o rating da companhia escorregou em dois níveis - e a perspectiva da nota também ficou com um viés negativo.

 

Trata-se de mais um desdobramento do downgrade soberano promovido pela S&P e que deve continuar tendo efeito sobre os mercados domésticos nesta sexta-feira. Ontem, na sessão regular, as ações da Petrobras caíram ao redor de 4%, cada, com os prêmios entre os papéis ordinários e preferenciais ficando ainda mais distorcido - por causa do dólar.

 

No aftermarket, as perdas da estatal foram intensificadas, tanto aqui quanto nas negociações com os recibos de ações (ADRs) no exterior, já sob efeito do novo anúncio da S&P. Afinal, trata-se da segunda agência a retirar o grau de investimento da Petrobras, o que não deve ser visto com bons olhos pelos maiores fundos de pensão no mundo. Em fevereiro, a Moody's já havia rebaixado a companhia - também em dois níveis, de uma só vez.

 

Segundo a S&P, o rebaixamento da Petrobras para BB e da Eletrobras para BB+, de BBB-, ambas, está em linha com o critério utilizada pela agência em relação ao Brasil, que voltou a ser visto como grau especulativo. Os bancos públicos, BB e Caixa, também caíram para BB+, perdendo o grau de investimento, assim como Bradesco e Itaú. Para todos eles, a perspectiva também é de novos cortes no curto prazo.

 

Na visão do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, a S&P fez uma "avaliação política". Segundo ele, a agência pode ter se "precipitado", mas ressaltou que medidas que visam alcançar o objetivo fiscal serão anunciadas ainda em setembro, a fim de conter o "afã" de outras agências em também mudar a nota soberana do Brasil.

 

Levy espera que a perda do investment grade gere um "estímulo adicional" ao país. Ele defendeu que empresas e famílias paguem um "pouquinho a mais" de imposto para que o país volte a crescer e se mostre forte. Cortes de cargos comissionados também devem ocorrer. Segundo o ministro, o pacote como as novas medidas deve estar "estruturado" para ser votado até o fim deste mês.

 

Em entrevista a um jornal, a presidente Dilma Rousseff defendeu o ministro e disse que "confia no Joaquim". Para ela, o ministro está fazendo muito, enfrentando uma série de dificuldades, porque este país é uma democracia, e ele acaba conseguindo a "vitória possível" - como foi o caso da desoneração, disse.

 

Hoje, a presidente cumpre agenda oficial no Nordeste, onde visita as obras da Ferrovia Transnordestina. A agenda de Levy ainda não estava disponível. Entre os indicadores econômicos, a Fipe informou logo cedo que seu IPC subiu 0,50% na primeira prévia do mês, um pouco acima da previsão, de +0,45%. Às 9 horas, saem os números da safra agrícola.

 

No exterior, os mercados já estão em compasso de espera pela reunião do Federal Reserve, na semana que vem. Os índices futuros das bolsas de Nova York estão na linha d'água, porém com um viés negativo, à espera do único indicador norte-americano do dia, sobre a confiança do consumidor.

 

O dado, medido pela Universidade de Michigan, pode dar pistas adicionais sobre se o Fed irá agir neste mês (ou  não) e esse debate está se mostrando mais desestabilizador aos mercados do que qualquer ação em si. As apostas dos investidores seguiram abaixo de 30% nesta semana, em relação à possibilidade de o juro dos Estados Unidos subir pela primeira vez desde 2006.

 

Passado setembro, outro tema pode entrar em pauta no país, já que o secretário do Tesouro norte-americano, Jack Lew, reiterou ontem que o governo dos EUA pode ficar perto do limite da dívida em outubro. Ele exortou que os legisladores em Washington elevam o teto da dívida o mais rápido possível.

 

As principais bolsas europeias também oscilam entre margens estreitas, praticamente relegando a declaração do membro do Banco Central Europeu (BCE), Benoit Coeure, de que o programa de compra de ativos da autoridade monetária continuará enquanto for necessário. Também em segundo plano ficou o dado sobre a inflação ao consumidor alemão em agosto, que não se alterou em relação ao mês anterior.

 

Na Ásia, as bolsas da região fecharam de lado, à espera do Fed. O índice Xangai teve ligeira alta de 0,07%, ao passo que Tóquio caiu 0,19% e Hong Kong cedeu 0,27%. O índice Hang Seng registrou o primeiro ganho semanal em quase dois meses. Já o índice MSCI de mercados emergentes tentava sustentar os ganhos nesta manhã.

 

Entre as commodities, o petróleo recua, digerindo a expectativa da Agência Internacional de Energia (AIE) de que a oferta da commodity em 2016 nos países que não fazem parte do cartel da Opep terá a maior queda desde 1992, uma vez que a queda livre nos preços limita a produção de xisto nos EUA.

 

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