Cada um com os seus problemas


Com os mercados na China fechados, por causa do feriado pelo Dia da Vitória na Segunda Guerra Mundial, os investidores têm espaço para absorver os fatores (e problemas) locais. No exterior, as atenções se concentram na decisão de política monetária do Banco Central Europeu (BCE), logo mais, enquanto no Brasil o foco se divide entre o anúncio da véspera do BC brasileiro e a atual crise política.

Conforme amplamente esperado, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve ontem a taxa básica de juros em 14,25% ao ano, interrompendo o ciclo de alta da Selic, após sete elevações consecutivas. A decisão foi unânime e o comunicado repetiu o teor da mensagem anterior, dizendo que "a manutenção deste patamar por um período suficientemente prolongado é necessária para a convergência da inflação à meta ao final de 2016".

Dessa forma, a alta do dólar para além de R$ 3,70 e a nova rodada de redução das metas fiscais não parecem ter gerado um desvio significativo na estratégia do BC. Ao que tudo indica, o Copom apoiou a decisão na recessão econômica, ainda mais após o tombo da indústria em julho. No mercado financeiro, porém, o colapso das contas públicas e a disparada do dólar reavivam a aposta de que a Selic pode voltar a subir ainda neste ano.

Ontem, na curva a termo de juros futuros, os vencimentos mais longos renovaram, mais uma vez, máximas históricas, com os players apostando em um cenário de crise mais profunda e duradoura no Brasil. De fato, não foi suficiente o pedido da presidente Dilma Rousseff para manter os vetos presidenciais a projetos aprovados na Câmara e no Senado, pois o Congresso Nacional adiou novamente tal análise, ontem, por falta de quórum.

Entre os vetos na pauta, estão o fim do fator previdenciário e do reajuste salarial a servidores do Judiciário. Ainda assim, em outras votações que ocorrem nas Casas, senadores aprovaram o fim de doações de empresas às campanhas eleitorais de candidatos e a partidos políticos, ao passo que os deputados proibiram a transferência de encargos e serviços para Estados e municípios, sem a previsão de fonte de receita.

Hoje, Dilma reúne-se com os ministros Armando Monteiro Neto (Desenvolvimento) e Edinho Silva (Comunicação), às 11h e às 15h, respectivamente. Antes, às 10h, ela recebe o presidente da Copersucar, Luís Roberto Pogetti. Já o presidente do BC, Alexandre Tombini, desloca-se para a Turquia, onde acontece o próximo encontro do G-20.

A agenda do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, ainda não estava disponível nesta manhã, mas o destaque em relação a ele é a notícia, publicada em um jornal hoje, de que Levy estaria sinalizando que pode deixar o cargo. Segundo o periódico, o ministro teria procurado Dilma e o vice-presidente Michel Temer para reclamar de isolamento e falta de apoio no governo. Ontem, é bom lembrar, a presidente fez uma defesa pública de Levy, dizendo que "ele não está desgastado" nem "isolado" no governo.

Em meio a todo esse noticiário local, os mercados domésticos monitoram também os sinais vindos do exterior, onde os ativos de risco dão continuidade à recuperação da véspera, na esteira da ausência dos negócios em Xangai hoje e amanhã, o que ajuda acalmar os investidores. A maioria dos mercados emergentes registra ganhos hoje, com o índice MSCI da região subindo pela primeira vez em quatro dias. Na Ásia, a maioria das bolsas também exibiu valorização, com os índices acionários na Indonésia, Japão, Malásia e Tailândia subindo ao menos 0,5%.

Mesmo com a parada nos mercados chineses, o radar dos investidores no país voltou-se para o discurso do presidente Xi Jinping, durante a cerimônia de comemoração pelo fim da Segunda Grande Guerra. Em cadeia nacional de TV, Xi afirmou que a "China ama a paz" e "não importa quão forte o país ficará, a China jamais buscará hegemonia ou expansão".

Na esteira do discurso, Xi anunciou que irá reduzir em 300 mil a força militar do país, composta por 2,3 milhões. Trata-se da maior redução desde 1997 e a parada das forças armadas chinesa foi uma oportunidade para apresentar a visão do "sonho chinês", de rejuvenescimento nacional e poderio militar.

Já na Europa, as principais bolsas europeias avançam mais de 1% nesta manhã, recebendo impulso do inesperado aumento do índice dos gerentes de compras (PMI) composto da zona do euro ao maior nível desde maio de 2011. O indicador, que engloba as atividade da indústria e de serviços, foi a 54,3 em agosto, de 53,9 em julho, ultrapassando a previsão de alta a 54,1.

Mas o grande destaque na Europa é a reunião de política monetária do BC da zona do euro, que termina às 8h45. Analistas não esperam qualquer novidade na decisão sobre os juros em si, mas aguardam ansiosamente a coletiva de imprensa a ser concedida pelo presidente Mario Draghi, às 9h30.

A aposta é de que o comandante do BCE irá mostrar que continua pronto para agir, se necessário – ainda mais diante dos receios com a China, impactando o crescimento econômico global, e também dos riscos de novas pressões deflacionárias na região da moeda única.

Neste dia de divulgação de PMIs de serviços pelo mundo, o indicador referente ao setor no Brasil em agosto será conhecido às 10 horas. Ainda na agenda doméstica, logo cedo, a Fipe informou que seu IPC desacelerou a 0,56% no mês passado, ante avanço de 0,85% em julho. O resultado ficou praticamente em linha com a mediana das estimativas, de 0,55%.

Nos Estados Unidos, o índice PMI de serviços sai às 10h45 e, na sequência, às 11 horas, é a vez do índice ISM do mesmo setor, ambos referentes ao mês passado. Antes, às 9h30, serão conhecidos os pedidos semanais de auxílio-desemprego feitos no país e os números da balança comercial em julho.

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