Nada de risco hoje


Como se já não bastassem os problemas internos - para os quais o governo Dilma pretende acionar o PMDB, apostando no apoio do partido à proposta de Orçamento para 2016 - o exterior tampouco está propício para a tomada de risco. A China voltou a dar sinais de firme desaceleração da economia, após a leitura oficial do índice dos gerentes de compras (PMI) da indústria cair à mínima em três anos, abaixo da marca de 50.

O sinal negativo prevalece entre os ativos dos mercados internacionais, com o tom pesado do mês de agosto seguindo firme neste início de setembro. A Bolsa de Xangai caiu 1,2% hoje, com o índice PMI industrial mostrando que a atividade chinesa ainda busca um fundo, ao cair de 50 em julho para 49,7 no mês passado, dentro do esperado.

As perdas se espalharam por toda a Ásia, onde Tóquio recuou 3,84% e Hong Kong cedeu 2,24%, enquanto a Coreia do Sul declinou 1,4%. Ainda na região da Ásia-Pacífico, destaque para a Bolsa da Austrália, que perdeu 2,1%, após o Banco Central local (RBA) manter a taxa de juros no mínimo histórico de 2%. O dólar australiano seguia mais fraco ante o dólar nesta manhã.

No Ocidente, o mergulho que levou as ações da Europa às maiores perdas mensais desde 2011 também não mostra sinais de abrandamento. A queda do PMI da indústria na zona do euro a 52,3, contrariando a expectativa de manutenção da leitura preliminar a 52,4, amplia a queda das bolsas na região. O euro, por sua vez, segue visto como refúgio da turbulência vinda da China, o que enfraquece ainda mais as ações.

O dólar, porém, mede força em relação os demais rivais, ganhando terreno sobretudo ante as moedas de países emergentes e correlacionadas às commodities, que sofrem com o efeito chinês. O petróleo também se ressente dos sinais vindos da segunda maior economia do mundo e devolve uma parte do salto de 27,5% nos últimos três dias - o maior rali desde a invasão do Iraque ao Kuwait, em 1990.

A agenda econômica no exterior ainda traz dados de atividade nos Estados Unidos, às 10h45 e também às 11 horas. Neste mesmo horário, saem ainda os gastos com construção no país em julho.

À espera desses dados e em meio à aversão ao risco no exterior, os índices futuros das bolsas de Nova York têm queda acentuada, de mais de 2% nesta manhã, em um sinal de que o pior mês em mais de três anos para o S&P 500 terá continuidade hoje. O juro da T-note de 10 anos cai a 2,17%, após fechar ontem na máxima, a 2,22%.

Já no Brasil, o calendário do dia traz também a leitura do índice PMI da Markit sobre a indústria, além dos números de agosto do IPC-S da FGV e da balança comercial. Mas o foco doméstico deve seguir em Brasília.

O destaque fica com o encontro da presidente Dilma Rousseff com o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, às 15 horas, no Palácio do Planalto. No encontro, ela deve pedir apoio à proposta de Orçamento para 2016, que foi encaminhada ontem pelo governo e que prevê um déficit primário de R$ 30,5 bilhões. Ontem à noite, Dilma já esteve reunida com a base aliada e fez um apelo para que o Congresso impeça aumentos salariais e mantenha os vetos presidenciais que foram adotados.

Antes, pela manhã, Dilma recebe o ministro da Ciência e Tecnologia, Aldo Rebelo. O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, participa de audiência na Comissão de Finanças e Tributação na Câmara, às 14h30.

Já o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, participa da primeira parte da reunião de dois dias do Comitê de Política Monetária (Copom), juntamente com os demais diretores do colegiado. Nos bastidores, corre a notícia de que Tombini estaria ameaçando deixar o governo, caso o BC perca o status de ministério na reforma administrativa esboçada por Dilma.

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