Mercados corrigem exageros e têm ganhos firmes

27.08.2015

 

A Bolsa de Xangai também teve seu repique nesta quinta-feira, seguindo a correção dos exageros recentes vista ontem nos mercados globais, que levou a Bovespa a registrar a maior alta do ano, ao passo que em Wall Street, o S&P 500 teve o maior ganho diário desde 2011. Assim, o ambiente externo segue mais ameno hoje, com ganhos acelerados nas bolsas e commodities, o que abre espaço para digerir os dados e eventos econômicos.

 

A grande expectativa do dia recai na segunda estimativa do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos no trimestre passado, às 9h30. As previsões são de aceleração na taxa anualizada de crescimento, pulando de 2,3% na primeira leitura para uma expansão de 3,1% agora.

 

Uma melhora no ritmo da atividade da maior economia do mundo tende a agitar as apostas quanto ao aumento dos juros pelo Federal Reserve, mas a recente onda de turbulência vinda da China esfriou as chances de o movimento ocorrer já em setembro - com a primeira alta dos Fed Funds desde 2006 sendo esperada apenas para dezembro.

 

À espera desses números, as principais bolsas europeias exibem alta de ao menos 2%, ao passo que os índices futuros das bolsas de Nova York avançam cerca de 1% logo cedo. O movimento segue recebendo impulso de sinais mais suaves ("dovish") vindos do próprio Fed, ontem, combinados com dados econômicos robustos dos EUA. Mas é o esfriamento da tensão com a China que permitiu essa recuperação dos ativos de risco global.  

 

O índice Xangai Composto cresceu 5,3% hoje, encerrando a maior sequência de perdas acumuladas desde 1996 (-23%). A melhora se deu diante de especulações de que fundos estatais teriam voltado às compras no mercado acionário. Além disso, a pressão no mercado monetário chinês foi suavizada, com a taxa de empréstimo overnight interrompendo uma série de 39 dias consecutivos de alta, ao passo que as taxas de operações de swap caíram ao nível mais baixo desde julho.

 

Hoje, o Banco Central chinês (PBoC) vendeu 150 bilhões de yuans (US$ 23,4 bilhões) nos acordos de compra reversa de sete dias - a mesma quantia injetada em igual operação na terça-feira, deixando uma liquidez de 210 bilhões de yuans (US$ 35 bilhões) no sistema financeiro nas duas últimas semanas. Relatos também dão conta de que a China estaria vendendo parte das Treasuries de longo prazo que detém, a fim de elevar a quantia de dólares necessária para apoiar a recente desvalorização do yuan chinês.

 

Nos demais mercados asiáticos e emergentes, o dia também é de ganhos. A Bolsa de Hong Kong subiu 3,60% e Tóquio ganhou 1,1%. As bolsas da Arábia Saudita e de Dubai subiram mais de 4%, cada, em meio ao salto nos preços do petróleo, que tenta retomar a marca de US$ 40 por barril. Entre as moedas, o rublo russo e a lira turca conquistam terreno ante o dólar.

 

A moeda norte-americana, porém, pode ganhar força, a depender do PIB dos EUA hoje. Só que as atenções nos EUA estão dividas, pois não é somente os números do PIB que podem ajudar a calibrar o timing em relação ao Fed. Na cidade de Jackson Hole (Wyoming) tem início o tradicional simpósio econômico, cujo tema deste ano é “a dinâmica da inflação e a política monetária”.

 

O presidente do Banco Central brasileiro, Alexandre Tombini, estará no local hoje à noite, o que o impede de participar da reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN), às 15 horas. O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, por sua vez, estará na reunião do Conselho, que contará ainda com a presença dos diretores do BC Altair Lopes, Tony Volpon, Anthero Meirelles, Aldo Mendes, entre outros.

 

Ainda no calendário econômico, no mesmo horário do PIB dos EUA, saem também os pedidos semanais de auxílio-desemprego feitos no país. Às 11 horas, é a vez das vendas pendentes de imóveis nos EUA em julho.

 

Já no Brasil, as atenções se voltam para o resultado primário do governo central em julho, a ser divulgado às 14 horas, que devem resgatar as preocupações fiscais e reacender o temor quanto à perda do selo de grau de investimento do país. As estimativas vão desde zero a déficit de R$ 9 bilhões. Pela manhã, às 8 horas, a FGV informa a sondagem da construção em setembro e também o índice nacional de custos do setor (INCC-M) neste mês.

 

No noticiário local, chama atenção a notícia de que o governo estaria estudando recriar a CPMF, em meio à queda da arrecadação e pela necessidade de fechar o Orçamento de 2016 com um superávit. Uma das opções analisadas pela equipe econômica é partilhar o recolhimento do tributo com Estados e municípios, a fim de vencer a resistência que a proposta tende a enfrentar no Congresso.

 

Aliás, ontem, no Senado, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, foi aprovado, por 59 votos a favor e 12 contra, pelo plenário para um mandato de mais dois anos à frente do Ministério Público Federal. Ele está no cargo desde 2013. Antes, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde passou por uma sabatina de mais de dez horas, Janot foi aprovado por 26 votos a um - o voto contrário foi o do ex-presidente Fernando Collor de Melo, que foi acusado recentemente por Janot de ter sido beneficiado no esquema de corrupção da Lava Jato.

 

 

 

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