China tem novo tombo, mas Ocidente se recupera

25.08.2015

 

Um novo tombo da Bolsa de Xangai hoje, desta vez de -7,63%, mantém o sinal de alerta acesso nos mercados globais. Porém, após o selloff de ontem ter enxugado US$ 2,7 trilhões em ações ao redor do mundo, os mercados no Ocidente se recuperam nesta manhã. Os índices futuros das bolsas de Nova York e as principais bolsas europeias exibem ganhos acelerados, na faixa de 3%, o que pode abrir espaço para uma melhora dos negócios locais.

 

 Ontem, a Bovespa fechou no menor nível desde abril de 2009, ao passo que em dólar, o Ibovespa alcançou o menor patamar em 10 anos. A moeda norte-americana, por sua vez, subiu a R$ 3,55, no maior valor em 12 anos. O anúncio feito pelo Banco Central chinês (PBoC) na manhã desta terça-feira,  de reduzir em 0,25 ponto porcentual as taxa de empréstimo e de depósito de um ano, além de cortar aos compulsórios bancários em 0,50 pp, estimula ainda mais a tomada de risco pelos investidores, o que tende a ampliar a correção dos ativos brasileiros hoje.

 

Mas o foco dos mercados domésticos segue na política, após a saída do vice-presidente da República, Michel Temer, da articulação política do governo e em meio à queda-de-braço entre o Palácio do Planalto e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha. 

 

No noticiário do dia, destaque para uma entrevista da presidente Dilma Rousseff aos principais jornais impressos do país. Aos periódicos, ela admitiu que “talvez” a equipe econômica, sob seu próprio aval, tenham cometido o erro de demorar a perceber o tamanho da crise, reconhecendo que “talvez” fosse o caso de ter adotado medidas corretivas ainda no ano passado - inclusive antes das eleições. Já em relação à Operação Lava-Jato, Dilma lamentou envolvimento de petistas com corrupção na Petrobras.

 

Hoje, Dilma embarca para o interior do Estado de São Paulo, onde participa de cerimônia de entrega de unidades habitacionais. Já o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, segue em Washington (EUA), sem compromissos oficiais. Ele acabou sendo derrotado na proposta de diluir o pagamento do 13º salários dos aposentados, parcelando o adiantamento de 50% em duas vezes.

 

Porém, agora, o governo bateu o martelo e decidiu fazer o pagamento integral na folha de setembro. Em meio à pressão pela saída de Levy, o ministro afirmou, na capital dos Estados Unidos, que não planeja deixar o governo e disse que trabalha junto com membros da equipe de Dilma para que o Brasil possa voltar a crescer.  

 

Já o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, disse ontem à noite, durante evento na capital paulista, que o processo de ajuste da economia brasileira tem "grande potencial para estabelecer as bases de um crescimento econômico sustentável". Nesta semana que se antecede à decisão do Copom, Tombini acrescentou que a manutenção do atual patamar da taxa Selic, por um período suficientemente prolongado, é a condição necessária para convergir a inflação à meta ao final de 2016.

 

O calendário econômico desta terça-feira segue fraco. No Brasil, tem a sondagem do consumidor em agosto (8h), da FGV, e a PNAD contínua (9h), do IBGE. Às 10h30, é a vez da nota do Banco Central sobre o setor externo em julho.

 

Nos Estados Unidos, às 11 horas saem de uma só vez: as vendas de imóveis novos em julho, a confiança do consumidor, medida pela Conference Board, e o índice regional de atividade em Richmond – esses dois últimos em agosto. À espera desses números, os investidores pegam carona no avanço no inesperado avanço do índice Ifo de sentimento econômico na Alemanha, a 108,3 neste mês, de 108 em julho.

 

Os mercados emergentes também se recuperam nesta manhã, após terem caído ao nível mais baixo desde 2009. A Bolsa da Malásia subiu da mínima em três anos, ao passo que os mercados acionários na Turquia e em Dubai avançaram mais de 1%. Entre as moedas, o rublo russo e o rand sul-africano também saíram das mínimas históricas. As commodities também ensaiam uma melhora, com o petróleo WTI tentando reconquistar a marca de US$ 39 por barril.

 

 A Bolsa de Xangai, contudo, caiu pelo quarto dia consecutivo, acumulando perdas de 22% no período e fechando abaixo dos 3 mil pontos pela primeira vez em oito meses. Trata-se da sétima queda do índice Xangai Composto de mais de 6% nos últimos três meses. Ainda na Ásia, a Bolsa de Hong Kong subiu 0,72%, mas Tóquio caiu 3,96%, em meio à valorização do iene.

 

 

*Com atualizações no texto (segundo parágrafo) às 9h25.

 

 

 

 

 

 

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