China desaba e traz pânico aos mercados

24.08.2015

 

A última semana cheia deste mês de agosto, que ainda vai até a segunda-feira que vem, começa com um novo tombo da Bolsa de Xangai, que espalha uma onda de aversão ao risco pelo mundo, em meio aos receios de desaceleração global. O índice Xangai Composto desabou 8,5% hoje, na maior queda desde 2007 e zerando os ganhos do ano.

 

O sentimento entre os investidores é de que as medidas adotadas por Pequim falharam em acalmar as preocupações quanto a um hard landing e temem que a perda de tração da segunda maior economia do mundo está se aprofundando. No fim de semana, o governo chinês autorizou, pela primeira vez, que fundos de pensão comprem ações, mas as apostas por um novo corte no compulsório bancário não se materializaram.

 

Em Xangai, mis de 800 ações atingiram o limite diário de queda, de 10%. Nos demais mercados da região Ásia-Pacífico, a Bolsa de Hong Kong cedeu 5,17%, com o índice de força relativa caindo ao menor nível desde o crash das bolsas em outubro de 1987.

 

A Bolsa de Tóquio, por sua vez, caiu 4,60% hoje, na quinta queda consecutiva - a maior sequência desde a tragédia tripla no Japão, em março de 2011. Em Seul, as perdas foram de 2,5%, com as ações da Samsung registrando a maior queda diária desde junho de 2013.

 

Mas o efeito chinês continua sendo mais avassalador entre os ativos de mercados emergentes. O índice MSCI desses países caía 4,5%, mais cedo, no sétimo pregão negativo e acumulando desvalorização de 18% neste ano. Entre as moedas, o rublo russo e o rand sul-africano caíam cerca de 2%, cada, enquanto o ringgit malaio alcançou a mínima desde 1998 e a lira turca segue em queda livre, assim como o dólar australiano.

 

No Ocidente, as principais bolsas europeias afundam nesta manhã, em meio ao selloff nos ativos globais. As perdas se aproximam de 3% em Londres, Paris e Frankfurt, sendo que o DAX alemão entrou no mercado de baixa (bear market). As ações de mineradora lideram as perdas, à medida que as commodities metálicas atingem os preços mais baixos desde 1999.  

 

O petróleo, por sua vez, segue abaixo de US$ 40 em Nova York, ao mesmo tempo que o barril do Brent é cotado a um valor inferior a US$ 45 pela primeira vez desde março de 2009. O dólar, porém, perde força ante o euro, que é cotado a US$ 1,15.

 

Em Nova York, os índices futuros das bolsas caem ao redor de 2%, cada, logo cedo, em um sinal de que Wall Street terá um dia tenso hoje. O juro da T-note de 10 anos é um dos principais refúgios neste dia de pânico nos mercados globais, com a taxa em 2,02%, de 2,04% na sessão anterior.

 

É óbvio que todo esse sentimento de risk off no exterior também irá afugentar os investidores dos ativos brasileiros, o que traz um viés de alta no dólar e de baixa na Bovespa, que já está nos menores níveis desde março do ano passado, com recuo de 10% apenas neste mês.

 

Mas os mercados domésticos estão, mais uma vez, atentos ao noticiário político. Afinal, na noite da sexta passada, o ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes, determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) investigue eventuais irregularidades nas contas da campanha à reeleição de Dilma.

 

Trata-se de uma nova ação do órgão que abre espaço para julgar o impeachment do mandato da presidente Dilma Rousseff. Em sua decisão, o ministro do TSE avaliou que há "vários indicativos" de que houve financiamento de propina, desviada da Petrobras. O pedido de Gilmar Mendes será questionado pelo governo, pois a prestação de contas da campanha foi aprovada - com ressalvas - no fim do ano passado.

 

Ainda no âmbito da Operação Lava-Jato, o vice-presidente da República, Michel Temer, negou conhecer nomes envolvidos no esquema de corrupção na estatal petrolífera. Em nota, ele disse desconhecer Fernando Soares, o Baiano, e o empresário Júlio Camargo. Nos bastidores, especula-se a saída de Temer da articulação política.

 

O tema passou longe do encontro da presidente Dilma com os ministros Aloizio Mercadante e Nelson Barbosa, no domingo, no Palácio da Alvorada. Os três trataram da proposta de orçamento de 2016, que deve ser enviada ao Congresso até o dia 31 deste mês.

 

Hoje, o assunto da Lava Jato deve ser o tema central da reunião de coordenação política, às 9 horas. O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, estava em Washington, ontem, em agenda particular e não deve voltar a tempo. Já o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, está em São Paulo, onde participa de um evento à noite.

 

Agenda. Nesta segunda-feira, a agenda econômica está mais fraca. Internamente, às 8 horas, sai uma nova prévia do IPC-S da FGV, além da expectativa dos consumidores para a inflação. As estimativas do mercado financeiro para as variáveis econômicas do país estarão na pesquisa Focus, às 8h30.

 

Também saem hoje os números semanais da balança comercial e o relatório da dívida pública em julho. Já no exterior, sai apenas o índice de atividade em Chicago, às 9h30.

 

O calendário de indicadores ganha força somente a partir de quinta-feira, quando, nos Estados Unidos, sai a segunda leitura do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre de 2015. A previsão é de aceleração na taxa para a faixa de 3%, de 2,3% na estimativa anterior. No mesmo dia, começa o tradicional simpósio econômico de Jackson Hole (Wyoming).

 

Tanto o indicador quanto o evento econômico têm potencial para dar pistas sobre o momento exato em que se dará a primeira alta do juro norte-americano. Ao final da semana passada, a taxa implícita dos Fed Funds continuou a mostrar chance maior de manutenção da taxa de juros em setembro (66% a favor x 34% contra).

 

No dia seguinte, sexta-feira, enquanto o simpósio prossegue em Jackson Hole, o Reino Unido anuncia, logo cedo, uma nova leitura do PIB no trimestre passado. Horas depois, será a vez de o IBGE informar o tamanho da queda da economia brasileira entre abril e junho de 2015, adentrando a atividade em um cenário de recessão técnica.

 

No primeiro trimestre deste ano, o PIB do Brasil encolheu 0,2% e as previsões são de nova uma retração de ao menos 1%. Além do PIB, são esperados os dados do Tesouro Nacional e do Banco Central sobre as contas públicas do país em agosto, quinta e sexta-feira, respectivamente.

 

Antes, já nesta terça-feira, serão conhecidos o PIB da Alemanha no segundo trimestre, juntamente com o índice Ifo de sentimento econômico. No mesmo dia, nos EUA, saem a leitura preliminar da Markit sobre a atividade no setor de serviços e também o índice de confiança do consumidor norte-americano.

 

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