Ameaças e saídas

14.08.2015

 

O yuan chinês subiu hoje pela primeira vez em três dias, após o Banco Central do país (PBoC) elevar a taxa de referência também pela primeira vez desde terça-feira, o que ainda mantém um alívio nos negócios no exterior. Internamente, porém, a performance de ontem dos ativos domésticos mostrou que a tensão política segue em primeiro plano.

 

Às vésperas dos protestos que devem ocorrer em pelo menos 200 cidades brasileiras neste domingo contra a presidente Dilma Rousseff, os investidores devem adotar uma postura cautelosa hoje. Ontem, após o ministro Luiz Fux pedir vista para analisar a ação no TSE que pede a impugnação do mandato de Dilma, o STF decidiu que as contas de presidentes devem ser julgadas em sessão conjunta do Congresso – e não em cada uma das Casas, como ocorreu recentemente na Câmara dos Deputados. Já o TCU estaria manobrando para perdoar as “pedaladas fiscais”.

 

A tendência para o dia de negócios no Brasil, então, é de esperar para ver. A agenda doméstica traz apenas o IGP-10 de agosto, que deve desacelerar pata 0,50%, na mediana, ante taxa de 0,75% em julho. No acumulado em 12 meses, a alta do indicador deve chegar à faixa de 7,6%. Também é aguardado para hoje os números da arrecadação em julho, que deve alcançar um resultado de R$ 103,9 bilhões, na mediana.

 

Mas o destaque fica com a participação do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, em evento da Amcham, em São Paulo, a partir das 8h. O tema do encontro, que contará ainda com o ex-ministro Delfim Netto, é sobre ajuste fiscal e retomado do crescimento. Ainda na capital paulista, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, fala na abertura do 10º Seminário sobre riscos, estabilidade financeira e economia bancária, às 8h30.

 

Na safra de balanços, este último dia da temporada de resultados do segundo trimestre reserva os números das elétricas: Cesp, Cemig e Eletrobrás, além da construtora MRV.

 

No exterior, o alívio com a China continua. O Índice Xangai Composto subiu 0,3% hoje, acumulando ganhos de 5,9% na semana – a maior valorização em dois meses. A alta foi liderada pelas ações ligadas às commodities, em meio às apostas de que o yuan mais fraco irá ajudar a restaurar a segunda maior economia do mundo. Hoje, a moeda local ficou praticamente estável, em 6,4003 por dólar, após ceder 3% esta semana.

 

Os demais mercados asiáticos, contudo, não acompanharam o movimento, com Tóquio caindo 0,37% e Hong Kong cedendo 0,12%. Entre os emergentes, a Bolsa da Malásia caiu à mínima em três anos, após o ringgit malaio recuar ao menor valor desde 1998. O rublo russo chegou ao nível mais baixo desde fevereiro, enquanto a lira turca renovou a mínima recorde.

 

Já na Europa, o alívio com a China ainda prevalece, com as montadoras liderando os ganhos. Ainda assim, os negócios no Velho Continente perderam tração após o PIB da zona do euro crescer menos que o esperado no trimestre passado, em +0,3% ante previsão de +0,4%. Dados separados mostram que as economias da Alemanha e da Itália cresceram menos que o esperado, enquanto a França estagnou-se.

 

Os preços ao consumidor (CPI) dos países que compartilham a moeda única, por sua vez, seguiram fracos, com inflação de 0,2% no mês passado, conforme previsto. Mesmo assim, a notícia de que o Parlamento grego aprovou um terceiro pacote de resgate ao país mediterrâneo, após uma sessão que varreu toda a noite, traz certa sustentação aos ativos. A aprovação deve liberar 86 bilhões de euros à Atenas e evitar um calote na próxima semana.

 

Já em Wall Street, os índices futuros estão de lado, mas com um ligeiro viés de baixa. A queda livre nos preços do petróleo, que ontem fecharam na mínima em seis anos, pesa nos negócios.    

 

O calendário norte-americano segue relevante nesta sexta-feira. Após os dados robustos do varejo nos EUA em julho, hoje é a vez dos números da produção industrial no país no mês passado. A previsão é de crescimento de 0,3%, em base mensal. Já a utilização da capacidade instalada deve subir a 78%.  

 

O dado será divulgado às 10h15. Depois, às 11 horas, é a vez da leitura preliminar de agosto do índice de confiança do consumidor, medido pela Universidade de Michigan. A expectativa é de avanço a 93,7, de 93,1 no dado final do mês anterior. Antes, às 9h30, saem os preços ao produtor (PPI) em julho.

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