Alívio imediato

13.08.2015

 

 

Os mercados internacionais respiram aliviados nesta quinta-feira, após o Banco Central da China (PBoC) atenuar as preocupações em relação a uma desvalorização desordenada da moeda local (renminbi). Depois de enfraquecer o chamado yuan pelo terceiro dia, o BC chinês disse ter recursos para conter uma queda livre da divisa e afirmou ainda que irá apoiar um “yuan estável e forte no longo prazo”, com base em fundamentos sólidos.

 

Em reação, as bolsas asiáticas, europeias e os índices futuros em Nova York se recuperam e avançam, assim como as moedas de países emergentes e correlacionadas às commodities. O yuan caiu 0,5% ante o dólar, cotado a 6,4181, após o PBoC enfraquecer a taxa de referência pela terceira vez. Os metais básicos também mostram melhora.

 

Esse ambiente externo mais ameno também deve ter impacto nos mercados domésticos, neste dia de agenda local mais fraca. O destaque fica com a safra de balanços, com Oi e Banco do Brasil anunciando seus resultados trimestrais antes da abertura do pregão na Bovespa. No fim do dia, saem os números de Gol, JBS, BM&FBovespa, entre outros.

 

No front político, o cenário também aparenta estar mais calmo. Após ganhar um prazo de mais 15 dias para esclarecer as contas de 2014, o que adia o julgamento do TCU para setembro, a presidente Dilma Rousseff afirmou, em entrevista na TV, que “jamais” cogitou renunciar ao cargo. Para ela, a “cultura do golpe” ainda existe no Brasil, mas ponderou que “não há condições materiais” para que isso aconteça.

 

Hoje, Dilma recebe o presidente mundial da Unilever, Paul Polman (11h30). No Congresso, a Câmara dos Deputados aprovou, por 317 votos a 162, a inclusão do financiamento empresarial de campanhas na Constituição Federal. A proposta de emenda constitucional (PEC) da reforma política, que permite o financiamento de empresas exclusivamente para os partidos, segue agora para o Senado.

 

De volta ao exterior, o vice-presidente do PBoC, Yi Gang, disse que as conversas por uma desvalorização do yuan na faixa de 10% são “sem sentido”. Além disso, os ajustes em como a China determina a taxa de diária de referência também estão “basicamente completados”, segundo o assistente da presidência do BC chinês, Zhang Xiaohui. Para a autoridade monetária chinesa, o yuan irá se estabilizar e, eventualmente, voltar a subir.

 

A Bolsa de Xangai subiu pela primeira vez em três dias hoje e o salto de 1,8% garantiu o fechamento do Índice Composto no maior nível em três semanas. A Bolsa de Tóquio subiu 1% e a de Hong Kong ganhou 0,5%.

 

Na Europa, as principais bolsas mostram uma retomada, após a pior sessão do ano, na véspera, quando o índice Stoxx Europe 600 caiu 2,7% - na maior queda diária desde outubro do ano passado. O alívio também vem após a tentativa do PBoC de acalmar o medo de que a China estaria reiniciando uma “guerra cambial”.

 

Vale citar comentário publicado ontem no blog sobre esse assunto.

 

Os negócios no Velho Continente aguardam, agora, a divulgação da ata da última reunião do Banco Central Europeu (BCE), às 8h30. Nos Estados Unidos, a agenda econômica está carregada e os indicadores podem dar novas pistas em relação aos próximos passos do Federal Reserve. Afinal,agora que o BC chinês tratou de explicar que atuou apenas para fazer um “ajuste de discrepâncias”, os investidores querem saber se a primeira alta no juro norte-americano desde 2006 será mesmo adiada.

 

Às 9h30, saem os pedidos semanais de auxílio-desemprego feitos nos EUA e também as vendas no varejo do país. O comércio varejista norte-americano deve ter mostrado uma melhora e crescido 0,6% em julho, após cair 0,3% no mês anterior. Ainda no mesmo horário, saem os preços de importação. Às 11 horas, é a vez dos estoques das empresas.

 

Nesta manhã, o juro da T-note de 10 anos estava praticamente estável, a 2,15%, com os mercados de bônus também sentindo menor pressão. O bund alemão de mesmo vencimento recuava desde cedo. 

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