Entre a política e a economia

06.08.2015

 

 

O calendário doméstico de eventos e indicadores econômicos pede licença ao noticiário político nesta quinta-feira. Afinal, logo no começo do dia (8h30) o Banco Central publica a ata do último encontro de política monetária e, após o fechamento do pregão, a Petrobras publica o balanço do segundo trimestre deste ano. Antes da abertura, tem Usiminas e Braskem.

 

Para os resultados financeiros da estatal petrolífera, as estimativas oscilam entre R$ 4 bilhões e R$ 6 bilhões de lucro líquido, na comparação anual, podendo representar desde uma queda na faixa de 15% a uma alta de 20%. Além dos números em si, a velocidade na execução do plano de negócios da companhia também estará no foco dos investidores.

 

Já o documento do BC deve ser lido com lupa, com os investidores atentos a dois quesitos. O primeiro se refere à ancoragem das expectativas de inflação no horizonte de 2016 e, principalmente, se tal cenário já contempla a recente escalada do dólar para o patamar de R$ 3,50.

 

A outra questão se refere à revisão da meta fiscal neste e nos próximos dois anos. A dúvida é se ao reduzir o alvo do superávit primário de 2015 para quase zero, o BC deixa de ver o lado fiscal como “neutro”. “O resto é perfumaria”, disse um economista, ansioso pelo documento.

 

Aliás, para ele, o Copom deve ainda promover mais uma alta na Selic – talvez, agora, no ritmo menor de 0,25pp - mesmo após o comunicado do BC retomar o prognóstico de manutenção dos juros básicos “por um período prolongado”. Na última vez em que o Comitê usou tal expressão, a pausa não durou mais do que seis meses. Na curva de juros futuros, a precificação por mais esse aperto em setembro rondava os 40% de chance.   

 

Ainda na agenda doméstica, destaque para os números da Anfavea sobre a indústria automotiva em julho e no acumulado do ano, às 11h30.

 

Já no noticiário político, chama a atenção a decisão na Câmara dos Deputados de aprovar, por 445 votos a 16, a vinculação do salário de advogado da União e procurador ao de ministro do STF. O texto-base da PEC, considerada uma "pauta-bomba" pelo governo, foi aprovado em primeiro turno, mas não diz de onde viriam os recursos para tal equiparação salarial. Os destaques serão analisados pela Casa apenas na terça-feira.

 

Ainda nesse front, o PTB juntou-se ao PDT e também declarou independência do governo nas votações da Câmara, reconhecendo falhas na relação com a base aliada. Por sua vez, o PDT deve entregar o Ministério do Trabalho. Mas o que deve fazer preço nos ativos domésticos hoje é a mais recente pesquisa Datafolha, divulgada nesta madrugada.

 

Segundo o levantamento, a presidente Dilma Rousseff é a mais impopular do país, desde a redemocratização, nos anos 1990, com 71% de reprovação, de 65% em junho. A taxa supera a do ex-presidente Fernando Collor de Melo pré-impeachment, tornando-se a maior da série histórica do instituto. A pesquisa foi realizada entre ontem e terça-feira.

 

Ontem, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou que o governo arriscou a popularidade para o país voltar a crescer. Hoje à noite, a presidente Dilma faz um pronunciamento em rede nacional de rádio e TV, durante propaganda partidária do PT.

 

Já no exterior, as atenções seguem concentradas nos indicadores dos Estados Unidos, nesta véspera do sempre aguardado payroll. Ontem, o avanço do setor de serviços norte-americano no ritmo mais forte em uma década elevou as apostas de que o Federal Reserve está muito próximo de promover a primeira alta nos juros do país desde 2006. Ontem, as chances do aperto ocorrer no mês que vem giravam em 52%, de 38% apenas dois dias antes.

 

Hoje, o foco dos negócios se desloca para o relatório da Challenger sobre o corte de postos de trabalho em julho (8h30) e também para os pedidos semanais de auxílio-desemprego (9h30). Por ora, os índices futuros em Wall Street têm um leve viés positivo.

 

Em reação ao prognóstico para o Fed, o índice MSCI de mercados emergentes caiu ao nível mais baixo em dois anos, com os investidores se antecipando a um aumento dos Fed Funds em setembro. Entre as moedas, o ringgit malaio recuou ao menor patamar desde 1998. Nos mercados asiáticos, a Bolsa de Xangai caiu pelo quinta vez em seis dias, em -0,9% hoje, com um giro financeiro 51% abaixo da média dos últimos 30 dias.

 

O índice Xangai Composto já caiu 29% desde o pico alcançado em 12 de junho. Nos demais mercados da região Ásia-Pacífico, o sinal negativo prevaleceu - exceto em Tóquio, que subiu 0,24%, beneficiado pelo iene mais fraco. O destaque por lá ficou com a queda da Bolsa de Sydney (-1,1%), com o setor financeiro liderando as perdas, após o grupo do banco Austrália & Nova Zelândia anunciar um aumento de capital.

 

Já na Europa, as principais bolsas europeias oscilam na linha d'água, pressionadas pelas ações do setor de energia, ao mesmo tempo que os investidores absorvem a probabilidade em relação ao Fed. A Bolsa de Frankfurt tenta se firmar no azul, na esteira do aumento de 2% das encomendas à indústria alemã em junho, após cederem 0,3% (dado revisado) em maio.

 

O destaque no Velho Continente fica com a decisão de juros do BC inglês (BoE), às 8 horas. O anúncio será feito juntamente com a publicação da ata da reunião e, também, do relatório trimestral de inflação, naquele que vem sendo chamado de Super Quinta-feira no país.

 

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