É a política!

05.08.2015

 

Dados do setor de serviços na China e na zona do euro abrem o dia de negócios no exterior, mas as atenções no Brasil seguem concentradas na questão política. Ontem à noite, o Plenário da Câmara dos Deputados aprovou o regime de urgência para analisar as contas dos últimos quatro presidentes da República, o que pode abrir caminho para votar as "pedaladas fiscais" feitas pelo governo Dilma, caso seja rejeitadas pelo TCU.

 

Nesta quarta-feira deve ser votada na Casa, a PEC dos advogados públicos, que iguala os salários a 90,25% dos vencimentos de ministros do STF. Trata-se de mais uma derrota do governo na votação, que seria adiada para o dia 25 de agosto, não fosse a traição da base aliada.

 

Em resposta, o governo Dilma tenta se reaproximar do presidente do Senado, Renan Calheiros. Ontem, ele esteve reunido com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e afirmou que não haverá "pauta-bomba" no Congresso. Para Levy, a conversa com Renan evoluiu bem na questão do ICMS. Houve, ainda, uma discussão por uma "agenda de crescimento", com pilares em infraestrutura e fiscal.

 

Hoje, a presidente Dilma Rousseff participa da celebração de um ano para o início dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro. A agenda de Levy ainda não estava disponível no site do Ministério da Fazenda.

 

Enquanto monitoram o noticiário vindo de Brasília, os mercados domésticos podem se descolar dos negócios no exterior, onde ainda ecoam as declarações da véspera do presidente da distrital de Atlanta do Federal Reserve, Dennis Lockhart. Dias antes da divulgação do sempre aguardado payroll, ele afirmou que seria preciso uma deterioração significativa nos indicadores econômicos norte-americanos para o Banco Central dos Estados Unidos não agir em setembro.

 

As moedas de países emergentes se ressentem desse prognóstico e perdem força ante o dólar, com a fala de Lockhart minando o apetite por ativos mais arriscados. O euro, por sua vez, ensaia ganhos, ao passo que o iene cai. Entre as commodities, o cobre cede pela quarta sessão em cinco dias, em meio às especulações quanto à primeira alta nos juros dos EUA desde 2006. Já o petróleo oscila abaixo de US$ 50 por barril.

 

Contudo, a China deu um alento aos mercados internacionais hoje, ao sinalizar que a transição da maior economia do mundo rumo a um "novo normal" continua, com o modelo migrando da indústria pesada para o consumo. O índice dos gerentes de compras (PMI) do setor de serviços no país subiu ao maior nível em 11 meses em julho, a 53,8, de 51,8 em junho.

 

A melhora no indicador do setor chinês se deu devido ao aumento dos volumes de negócios e ao crescimento sólido de novas encomendas. O dado composto, porém, ficou em 50,2, na leitura mais fraca dentro do território que indica expansão da atividade em 14 meses. A Bolsa de Xangai caiu 1,64%, na quarta queda em cinco pregões, em meio à preocupação de que as crescentes intervenções de Pequim estaria afastando os investidores.

 

Já os demais mercados asiáticos avançaram: Tóquio subiu 0,46% e Hong Kong ganhou 0,44%. A Bolsa de Seul teve leve alta de 0,1%, ao passo que na Austrália, a Bolsa de Sydney caiu 0,1%.

 

Na Europa, o índice PMI composto e do setor de serviços da zona do euro ficaram estáveis em julho, a 53,9 e a 54, respectivamente. A perda de tração da atividade na França e na Itália prejudicaram a performance do dado. Na Alemanha, porém, o ritmo de expansão se manteve. Fora da região da moeda única, o PMI britânico contrariou a previsão de alta e caiu a 57,4.

 

Em reação, as principais bolsas europeias exibem ganhos nesta manhã, apoiadas ainda na alta da maioria dos mercados na Ásia e também na sinalização positiva vinda dos índices futuros das Bolsas de Nova York, que estão à espera dos dados do dia nos EUA. Já a Bolsa de Atenas segue em queda, pelo terceiro dia seguido, diante de mais um tombo nas ações dos bancos.

 

Agenda. Neste dia de PMIs pelo mundo, o índice referente ao setor de serviços no Brasil em julho será conhecido às 10 horas. O dado também traz o resultado agregado com a indústria. Depois, às 12h30, o BC entra em cena para informar os números do fluxo cambial no mês passado e também o índice de commodities (IC-Br). Antes, às 8 horas, sai o indicador antecedente de emprego da FGV.

 

Nos Estados Unidos, o PMI de serviços da Markit sai às 10h45, mas é o mercado de trabalho que chama a atenção por lá. A pesquisa da ADP sobre a geração de emprego no setor privado norte-americano em julho, às 9h15, é o destaque da agenda. O dado é tido como um termômetro para o relatório oficial (payroll), na sexta-feira, e a previsão é de abertura de 220 mil vagas.

 

Na sequência, às 9h30, saem os números da balança comercial nos EUA em junho. Do lado da atividade, será conhecido o índice ISM de serviços em julho, às 11 horas. Às 11h30, é a vez dos estoques semanais de petróleo bruto e derivados no país.

 

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