Dia de BCs


A quarta-feira é marcada por decisões de política monetária, no Brasil e nos Estados Unidos. Enquanto se espera poucas novidades vindas do Federal Reserve, sem pistas adicionais sobre o momento exato em que se dará a primeira alta do juro norte-americano desde 2006, para o Banco Central local a previsão é de manutenção do ritmo de aperto da taxa Selic.

Se confirmada a previsão majoritária, será a sétima alta seguida no juro básico brasileiro - a sexta consecutiva na dose de 0,50 ponto porcentual – desde que a Selic voltou a subir, em outubro de 2014. Além disso, a taxa chegaria a 14,25%, no maior patamar desde outubro de 2006, quando estava em igual nível.

Já entre os indicadores, o IBGE informa, às 9 horas, o índice de preços ao produtor (IPP) em junho. Às 12h30, é a vez dos números semanais do fluxo cambial. Também é esperado para hoje o indicador da CNI sobre a expectativa do consumidor (11h).

Entre os eventos de relevo, a presidente Dilma Rousseff recebe o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, às 11 horas. Antes, reúne-se com o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante. Por sua vez, ministro da Fazenda, Joaquim Levy, participa de reunião do Conselho Consultivo do Setor Privado (Conex), às 15 horas.

No exterior, saem as vendas pendentes de imóveis nos EUA em junho (11h), mas as atenções dos investidores estão voltadas para o anúncio da decisão do Fed, às 15 horas.

A expectativa é de que a autoridade monetária norte-americana permaneça em silêncio, sem se comprometer com as apostas de um eventual corte dos juros em setembro, após o novo selloff da Bolsa chinesa elevar o temor com a recuperação econômica global. Pesquisas mostram que ao menos metade dos agentes econômicos no exterior vê a chance de o primeiro aperto na taxa dos Fed Funds ocorrer no próximo encontro do Fed.

Ainda assim, os comunicados que acompanharão as decisões de juros no Brasil e nos EUA serão lidos “com lupa”, pois podem trazer pistas sobre os passos seguintes das autoridades monetárias. No caso do BC local, a expectativa é de que um placar dividido da votação já sinalize uma eventual proximidade (ou não) do fim do ciclo de aperto.

Em contraste com a reunião do Fed, os números do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA no segundo trimestre deste ano, a serem conhecidos apenas amanhã, podem mudar um pouco a percepção do mercado sobre a maior economia do mundo. Isso porque, juntamente com a divulgação dos dados, serão anunciadas revisões anuais que remontam ao ano de 2012.

Aí, então, o próprio Fed e o mercado financeiro em geral poderão ter uma ideia sobre se a economia dos EUA estava com a tração esperada no segundo trimestre, após encolher 0,2% nos três primeiros meses deste ano. No recente pronunciamento feito ao Congresso norte-americano, a presidente do Fed, Janet Yellen, afirmou que a economia “não apenas consegue tolerar, mas também precisa, de taxas mais altas”.

À espera do grande evento do dia, os índices futuros das bolsas de Nova York apontam para uma continuidade da alta da véspera, quando interrompeu uma sequência de cinco quedas consecutivas. A recuperação da Bolsa de Xangai, que hoje subiu pela primeira vez em quatro dias, contribui para a melhora do sentimento nos negócios.

Contudo, a retomada do índice Xangai Composto foi a mais fraca em quase dois meses. Apenas na hora final do pregão, o mercado acionário chinês conseguiu zerar perdas ao redor de 1,4%, para então fechar com ganhos de 3,4%. Nos últimos três dias, a Bolsa chinesa havia recuado 11%.

De qualquer forma, a Bolsa de Xangai está, agora, em um nível mais elevado do que estava no início do ano. E, ao que tudo indica, o investidor precisa se acostumar com a ideia de que a China está em fase de transição rumo a uma economia baseada no consumo, e que irá crescer a um ritmo "normal", de 4% a 5% - com taxas estáveis, porém ainda elevadas.

As demais bolsas asiáticas fecharam sem rumo único, com os negócios tentando absorver os sinais vindo da segunda maior economia do mundo. O índice Nikkei 225 caiu 0,13%, mas Hong Kong subiu 0,47%, ao passo que Seul recuou 0,1%. Na Austrália, a Bolsa de Sydney ganhou 0,7%.

Na Europa, o sinal positivo prevalece, mas os ganhos são moderados, em meio à inesperada queda na confiança do consumidor francês em julho e à estabilização no sentimento do consumidor alemão para agosto. Os resultados corporativos também ajudam, mas os investidores estão no aguardo da decisão do Fed.

Por ora, o euro está de lado ante o dólar, que, por sua vez, mostra o mesmo comportamento lateral em relação ao iene. As moedas de países emergentes e ligadas às commodities seguem na linha de frente, mas ensaiam uma recuperação nesta manhã, lideradas pelo rublo russo.

Hoje, o Banco Central da Rússia interrompeu a compra de moeda estrangeira, para recompor as reservas, o que levou a moeda local ao maior ganho em quase três semanas. Entre as commodities, o petróleo segue em queda, cotado abaixo de US$ 48 o barril em Nova York, uma dia após interromper quatro quedas seguidas.

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