O medo da bolha


A Bolsa de Xangai voltou a assustar os mercados financeiros hoje, ao cair 5,1% durante a sessão, mas depois absorveu boa parte das perdas e acabou encerrando em queda mais moderada, de 1,7%. Ainda assim, a desconfiança dos investidores com a China e o receio de uma "bolha" seguem como um risco adicional para os mercados no Brasil, um dia após o dólar bater R$ 3,36 e a Bovespa registrar sua sétima queda consecutiva.

Para além dos fatores externos, os negócios domésticos têm sido impactados, principalmente, pelo temor de que o país irá perder o grau de investimento. Esse temor, aliás, é sentido pela própria equipe econômica, que quer evitar que a Standard & Poor's coloque o rating brasileiro em perspectiva negativa - segundo veicula na imprensa hoje.

Em outro front, a presidente Dilma Rousseff fez uma ampla reunião ontem com ministros para pedir intensificar o diálogo com o Congresso Nacional. O pedido foi para que os partidos da base aliada reforcem a interlocução com suas bancadas, diante da proximidade do fim do recesso parlamentar.

Ainda nesse encontro de ontem, Dilma teria dito que a Operação Lava Jato retirou um ponto porcentual do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. Sem dar detalhes do cálculo, ela emendou, em seguida, a necessidade de apoio da base aliada no Congresso.

Na agenda do dia, Dilma participa de encontro com jovens do Pronatec e também lança o Dialoga Brasil. O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, participa da sessão inaugural do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), ao passo que as autoridades do Banco Central começam as reuniões com vistas à decisão de política monetária, amanhã.

As apostas de uma eventual redução do ritmo de aperto da taxa Selic se dissiparam, na esteira do anúncio da nova meta fiscal para este e os próximos dois anos. Sem sinais de alívio na cotação do dólar e com a inflação acumulada ainda em patamares elevados, a fragilidade da atividade e do mercado de trabalho deve ser relegada e o juro básico tende a subir mais 0,50 ponto porcentual.

Quem também decide nesta quarta-feira sua política de juros é o Federal Reserve. Mas após a turbulência recente no mercado chinês, e seus efeitos na economia real, cresceram as especulações de que o BC dos Estados Unidos ainda irá manter a taxa dos Fed Fund em níveis baixos por mais algum tempo.

Por ora, os índices futuros das bolsas de Nova York apontam para um abertura em alta, em uma tentativa de interromper uma sequência de cinco quedas consecutivas, à espera de dados sobre imóveis (10h) e a confiança do consumidor (11h). Já o juro da T-note de 10 anos está em 2,25%, em meio à fuga para ativos seguros após a Bolsa de Xangai estender as perdas da véspera.

O tombo do mercado acionário chinês, provocado pela percepção de que a intervenção de Pequim é insustentável, atingiu as demais praças financeiras na Ásia e no Pacífico, com Tóquio e Sydney cedendo 0,10%, cada. A intervenção do BC chinês (PBoC), injetando recursos a um custo mais baixo atenuou a pressão nos ativos da região.

Já na Europa, o sinal negativo é substituído pelo ânimo com a safra de balanços, que ajuda as bolsas europeias a subirem. Ontem, o Stoxx Europe 600 registrou cinco quedas consecutivas, na pior sequência de perdas do ano.

No calendário econômico por lá, destaque para o crescimento de 0,7% do PIB do Reino Unido no segundo trimestre deste ano, na leitura preliminar. A expansão ficou dentro do esperado, elevando as esperanças com a recuperação da economia britânica em 2015, ao mesmo tempo que trazendo dúvidas sobre até que o BC inglês (BoE) manterá o juro perto de zero no país.

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