O tempo está acabando


Termina hoje o prazo do Palácio do Planalto para apresentar a defesa das contas públicas de 2014, quando fecharam com um rombo inédito de R$ 32,5 bilhões. O governo federal precisa esclarecer indícios de descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) a fim de evitar que as contas sejam reprovadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Também hoje o Planalto deve decidir sobre a meta de superávit de 2015 e qualquer redução pode desagradar ao ministro Joaquim Levy.

O Ministério do Planejamento envia hoje ao Congresso o Relatório Bimestral do Orçamento e a expectativa é de que o governo anuncie, no documento, uma redução da meta de superávit primário para este ano, hoje em 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB), para algo perto de 0,15% (US$ 8,8 bilhões), diante da queda nas receitas. O anúncio deve ser feito em coletiva de imprensa com o ministro Nelson Barbosa, mas ainda não há informações sobre o horário.

Nesse cenário de indefinições, a política se sobrepõe à economia e os mercados domésticos podem até descolar do comportamento externo, onde o noticiário corporativo dita o rumo dos negócios. O balanço da Apple, divulgado ontem à noite, decepcionou – mais pelo guidance do que pelos resultados trimestrais em si – e provocou uma onda vendedora em uma vasta cadeia de produtos e empregas ligadas à gigante norte-americana de tecnologia.

Os índices futuros das bolsas de Nova York estão em baixa nesta manhã, em meio à decepção com a Apple. A companhia registrou números maiores que o esperado para o lucro e a receita, mas escondeu os dados referentes à venda do Apple Watch, o primeiro grande lançamento da empresa desde o iPad. As ações da Apple perderam cerca de 5% ontem, no after hours, o que respingou no comportamento dos papéis de empresas de semicondutores na Ásia e também na Europa.

As principais bolsas europeias recuam desde cedo, dando continuidade às perdas da véspera, quando o índice Stoxx Europe 600 caiu pela primeira vez em 10 dias – no maior rali em três anos e meio. Os mercados asiáticos também fecharam em queda, penalizados pelos balanços da Apple e, ainda, da Microsoft. As ações dessa outra gigante do setor de tecnologia perderam 4%, no after hours, diante de um prejuízo recorde.

Contudo, a Bolsa de Xangai subiu (+0,21%), na quarta alta consecutiva. Hong Kong, porém, perdeu 0,99%, estendendo a pior performancer no mundo neste mês. Já a Bolsa de Tóquio caiu 1,2%, a de Seul perdeu 0,9%, enquanto no Pacíficio, a de Sydney recuou 1,6%. A Bolsa australiana foi afetada ainda pelo anúncio da mineradora BHP Billiton, de que irá reduzir a produção de óleo, cobre e carvão diante da queda nos preços das commodities.

O cobre, aliás, é negociado na mínima em duas semanas, assim como o chumbo. O zinco, por sua vez, recua pelo quinto dia seguido. Na outra ponta, o petróleo avança, diante da queda do dólar em relação aos principais rivais – em particular ante a libra esterlina, que sobe para além de US$ 1,55 após a ata do Banco Central inglês (BoE).

Mas a agenda de indicadores do dia também chama atenção. No exterior, saem dados do setor imobiliário norte-americano em junho (11h) e sobre os estoques semanais de petróleo bruto e derivados (11h30). Na safra de balanços, saem os números trimestrais de Coca-Cola, Boeing e Whirlpool, antes da abertura, e da American Express, após o fechamento.

Já no Brasil o calendário econômico ganha força e traz, de uma só vez, a prévia da inflação oficial do país neste mês, dados sobre o saldo em conta corrente e os investimentos estrangeiros direto (IED) em junho, além dos números semanais do fluxo cambial. O IPCA-15 abre a pauta do dia, às 9 horas, e a expectativa é de desaceleração ante a leitura do mês passado, com a taxa saindo da faixa de 0,99% para algo em torno de 0,6% (0,63%, na mediana).

Se confirmada a expectativa, será, ainda assim, a maior leitura para o mês desde julho de 2008, repetindo, então, a mesma alta de 0,63% naquela época. Basicamente, o IPCA-15 sairia do maior patamar desde 1999, como verificou-se em junho, e avançaria alguns anos na série histórica. Qualquer resultado acima do esperado, encontra teto apenas em julho de 2004, quando o indicador subiu 0,91%.

Já no acumulado em 12 meses, o IPCA-15 deve seguir no maior patamar para o período desde dezembro de 2003 (9,86%), com a inflação acelerando para 9,30%. Distante, portanto, do centro da meta de 4,5%, que continuará sendo perseguida pelo Banco Central até o fim do ano que vem.

Aliás, às vésperas do encontro do Copom, o mercado começa a ajustar com mais intensidade suas apostas. Ontem, as taxas dos DIs recuaram na BM&F, ecoando as declarações do diretor Tony Volpon, que ajudaram a reforçar a possibilidade de redução no ritmo de aperto da taxa Selic. Em encontro fechado com investidores na segunda-feira, ele teria destacado a ancoragem das expectativas de inflação para além de 2016.

Em meio a esses ajustes, o mercado recebe ainda dados do Banco Central, que traz dados da conta corrente e balanço de pagamentos em junho (10h30) e também do fluxo cambial até o dia 17. A Natura divulga, após o fechamento do mercado, o resultado financeiro do segundo trimestre do ano.

A agenda de compromissos do Ministério da Fazenda também não estava disponível logo cedo. No Banco Central, destaque para a reunião da comissão técnica da Moeda e do Crédito (Comoc), que contará com a presença dos diretores Altamir Lopes, Tony Volpon, Luiz Awazu, entre outros. Já a presidente Dilma Rousseff estará no interior de São Paulo, onde inaugura uma fábrica de etanol.

Ontem, é bom lembrar, ela vetou o reajuste do Judiciário, de 53% a 78,56%, aprovado pelo Congresso. A expectativa é de que comecem as tratativas entre o poder Executivo e a Justiça.

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