Zona do euro O x 1 Grécia


O “não” venceu. O referendo grego de ontem mostrou que 61% da população votante do país apoia a rejeição de mais cortes de gastos e aumento de impostos, fortalecendo o primeiro-ministro Alexis Tsipras, que deve retomar as negociações com os credores. Eles, contudo, podem não estar dispostos em aceitar um novo pacote de resgate com reformas mais frouxas e essa dúvida provoca uma onda vendedora nos mercados hoje.

Diante da “aversão” da chamada troica, o ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, renunciou ao cargo, dizendo que a decisão pode ser potencialmente útil para que Atenas chegue, enfim, a um acordo. Enquanto isso, os líderes europeus marcaram uma reunião de emergência para amanhã. Hoje, porém, a chanceler alemã, Angela Merkel, vai até Paris conversar com o presidente francês, François Hollande.

O fato é que a vitória ampla na consulta popular na Grécia trouxe dúvidas quanto ao futuro do país mediterrâneo na zona do euro. A Bolsa de Atenas segue fechada desde o dia 29 de junho, quando foi instaurado controle de capitais nos bancos, mas o aumento crescente do risco do chamado “Grexit” atinge em cheio os demais ativos pelo mundo.

As principais bolsas europeias exibem perdas aceleradas, chegando a mais de 2% nos mercados em Portugal e na Itália. O índice Stoxx Europe 600 recua cerca de 1%. O euro, por sua vez, perde terreno ante os demais rivais, voltando ao níveis pré-referendo ante o dólar, na faixa de US$ 1,10. No mercado de bônus, o gilt britânico registra a melhor performance entre os demais títulos europeus, com o rendimento (yield) do papel caindo a 1,996%.

Do outro lado do Atlântico Norte, os índices futuros das bolsas de Nova York voltam do fim de semana prolongado apontando para uma abertura em forte queda. Nas Treasuries, a T-note de 10 anos estava em 2,31%, ao passo que o Dollar Index subia em torno de 0,1%. Entre as commodities, o petróleo, os metais básicos e os grãos recuam, diante do “não” na Grécia.

Já na Ásia, destaque para as tentativas do mercado chinês em impedir o estouro de uma bolha por lá. A Bolsa de Xangai fechou em alta de 2,42%, na contramão do sinal negativo que prevaleceu na região, mas distante dos ganhos de 7,8% apurados na sessão. A Bolsa de Hong Kong caiu mais de 3% e a de Tóquio, mais de 2%.

Com as atenções voltadas para a questão grega, a agenda econômica ficou em segundo plano, relegando a queda menor que a esperada das encomendas à indústria alemã em maio. Mas o calendário reserva para hoje, nos Estados Unidos, o índice ISM do setor de serviços, às 11 horas.

Internamente, merecem atenção ao longo do dia a pesquisa Focus, do Banco Central (8h3), os dados de junho da Anfavea (11h) e os primeiros números da balança comercial em julho (15h). Entre os eventos de relevo, a presidente Dilma Rousseff participa da tradicional reunião de coordenação política.

Mas o grande destaque da agenda econômica da semana é a divulgação da ata do encontro de junho do Federal Reserve. Após os dados mais fracos sobre o mercado de trabalho norte-americano e da escalada da questão grega, os investidores seguem ávidos por pistas sobre o momento exato da primeira alta dos juros nos EUA desde 2006.

O documento será divulgado na quarta-feira. Neste mesmo dia, no Brasil, sai a inflação oficial no país em junho. As expectativas são de aceleração na alta dos preços, com a taxa acumulada em 12 meses encostando em 9%.

Um dia antes, ainda internamente, sai o IGP-DI e, fechando a semana, a sexta-feira reserva uma prévia do IGP-M no mês, além da taxa de desemprego no país em maio. Na China, também serão conhecidos dados de inflação, com os números de junho dos preços ao consumidor (CPI) e ao produtor (PPI) sendo conhecidos na quinta-feira.

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