Mercados em compasso de espera

03.07.2015

 

Os mercados financeiros fazem uma pausa nesta sexta-feira, já que os negócios em Wall Street permanecem fechados hoje, em meio às comemorações pelo Dia da Independência nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, os investidores estão apreensivos pelo resultado da consulta popular que acontece na Grécia no domingo, o que deixa de lado as principais bolsas europeias e o euro nesta manhã. As pesquisas ainda mostram um placar apertado, mas o governo de Atenas segue em campanha pelo “não”.

 

Já no Brasil a novidade fica com a decisão do Banco Central, ontem à noite, de mais uma vez reduzir para até 6 mil a oferta de contratos de swap cambial, em leilão a ser realizado hoje. Com a operação, a autoridade monetária diminuiria também o ritmo da rolagem, para 60% em agosto.

 

Com isso, o dólar deve devolver hoje boa parte da queda acelerada de ontem - a maior em duas semanas ante o real. A notícia de que teria sido aberta uma investigação sobre um suposto cartel na manipulação da taxa de câmbio doméstica também contribuiu no recuo de mais de 1% da moeda norte-americana ontem.

 

A decisão do BC brasileiro ocorreu na esteira dos números mais fracos sobre o mercado de trabalho nos EUA, que afastam as chances de a primeira alta dos juros norte-americanos desde 2006 ocorrer em setembro. O Federal Reserve ainda tem outros dois encontros neste ano, em outubro e em dezembro.

 

Os dados do payroll ajudaram a dar tração nos negócios na Ásia, mas um novo tombo da Bolsa de Xangai, de -5,8% hoje, limitou os ganhos na região. Tóquio teve leve alta de 0,09%, enquanto Hong Kong cedeu 0,83%.

 

Na China continental, o índice Xangai Composto atingiu o nível mais baixo em três meses e acumula o maior declínio nas últimas três semanas desde 1992, com -29% desde o pico atingido em 12 de junho. Medidas de Pequim para reforçar o mercado de ações não conseguiram reverter as margens de posições dos investidores.

 

Os mercados emergentes foram atingidos por essa deterioração dos negócios na China, ao mesmo tempo que aguardam o referendo sobre o programa de resgate grego. O MSCI caía ao redor de 0,5%, mais cedo, enquanto o rublo russo e o ringgit malaio cediam ante o dólar, mas o won sul-coreano e a rupia indiana ganhavam terreno em relação à moeda dos EUA.

 

Entre as commodities, os futuros do petróleo recuam, com o WTI nos menores níveis em mais de dois meses, diante da preocupação dos países da Opep em relação à resiliência na produção da matéria-prima nos EUA.

 

Na agenda econômica, dados do setor de serviços são destaque. Na China, a leitura final do índice dos gerentes de compras (PMI) de junho compilada pelo HSBC ficou em 51,8, de 53,5 em maio, seguindo em território que indica expansão da atividade, mas no ritmo mais lento desde janeiro.

 

O calendário reserva a divulgação desse mesmo indicador na zona do euro e no Brasil, pela manhã. E por hoje é só!

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