À beira do caos

16.06.2015

 

Os mercados financeiros voltam a ter uma sessão de nervosismo nesta terça-feira, agora que só a política interessa aos negócios. O impasse sobre a dívida da Grécia continua, o que derruba as bolsas europeias pelo terceiro dia seguido, ao mesmo tempo que os investidores seguem apreensivos em relação ao Federal Reserve, que começa hoje sua reunião de política monetária. Já no Brasil o dado sobre as vendas no varejo em abril divide as atenções com as negociações entre o Palácio do Planalto e o Congresso.

 

O IBGE divulga, às 9 horas, os números do comércio varejista no primeiro mês do segundo trimestre. As expectativas vão desde queda a alta, mas com mediana positiva na comparação mensal (+0,30%), enquanto em relação a abril de 2014 as estimativas são todas de queda, com mediana de -1,80%. No conceito ampliado, todas as previsões também são de retração.

 

Antes, às 8 horas, a FGV informa seu primeiro IGP do mês, o IGP-10, que deve mostrar inflação de 0,36% a 0,55%, ante um avanço de 0,52% em maio. Já em Brasília, a coisa continua complicada, colocando em risco o ajuste fiscal e, consequentemente, o cumprimento da meta de superávit primário deste ano.

 

No mais recente entrave, enquanto as centrais sindicais reafirmam o apoio à mudança no fator previdencário, o ministro da Previdência, Carlos Gabas, ressalta que a nova fórmula de aposentadoria só seria viável até 2020. Segundo ele, após o início da nova década, as despesas com a fórmula 85/95 subiriam fortemente, encaminhando o futuro da Previdência do Brasil ao colapso.

 

Hoje, a presidente Dilma Rousseff recebe, em horários distintos, os ministros Edinho Silva (Comunicação Social), Guilherme Afif Domingos (Micro e Pequenas Empresas), Eduardo Braga (Minas e Energia) e Armando Monteiro Neto (Desenvolvimento). Já o chefe da Fazenda, Joaquim Levy, volta a receber governadores de Estado e a questão dos gastos públicos deve ser o tema do encontro. Desta vez, Levy recebe os governadores de Pernambuco, Paulo Câmara, e do Rio, Luiz Fernando Pezão.

 

Também à beira do caos está a Grécia e esse tema deve nortear os negócios globais hoje, em meio à cautela antes da decisão do Fed, amanhã. O país mediterrâneo sinalizou, às vésperas do encontro de ministros de Finanças da zona do euro, no dia 18, que não fará novas propostas de reforma nesta semana a fim de liberar os recursos necessários e evitar um calote da dívida.

 

Em reação, o índice Stoxx Europe 600 é negociado no menor nível em quatro meses (desde 18 de fevereiro), em meio ao crescente temor em relação a um “Grexit”. A Bolsa de Frankfurt é atingida ainda pela terceira queda consecutiva do índice ZEW de sentimento econômico. O dado caiu ao patamar mais baixo em sete meses (novembro de 2014), a 31,5 em junho, de 41,9 em maio, ante previsão de recuo mais suave, a 37,0.

 

Na União Europeia (UE) como um todo, as vendas de carros novos registraram alta pelo 21º mês consecutivo em maio. Porém, o aumento de 1,4%, em base anual, foi no ritmo mais lento também desde novembro.

 

Já a Bolsa de Atenas caía ao redor de 1,5%, mais cedo, caminhando para a maior queda em três dias desde janeiro, quando o partido antiausteridade Syriza assumiu o poder. O juro dos bônus grego de 10 anos saltava mais de 20 pontos-base, a 12, 626%.

 

Os investidores também estão saindo dos bônus dos chamados países periféricos europeus, diante dos receios de contágio, o que iça o rendimento dos títulos referenciais da Espanha e Itália para 2,511% e 2,434%, respectivamente. Os papéis de Portugal e da Irlanda também sofrem pressão vendedora, em meio às preocupações com a turbulência na Grécia.

 

Em Wall Street, enquanto as Treasuries viram abrigo, os índices futuros das bolsas norte-americanos apontam para a terceira sessão no vermelho. Os investidores parecem carentes da falta de progresso em relação à Grécia e também da ausência de pistas do Fed. A autoridade monetária inicia hoje sua reunião de dois dias para decidir sobre a taxa de juros e definir as novas projeções macroeconômicas. Na agenda do dia nos Estados Unidos, saem dados sobre o mercado imobiliário.

 

Entre as moedas, o euro perde terreno ante o dólar, assim como a libra esterlina. Fora da região da moeda única europeia, a Bolsa de Londres cai também pelo terceiro dia seguido, a caminho da quarta semana consecutiva de perdas e rumo aos níveis mais baixos desde janeiro. As ações de mineradoras pressionam o índice britânico FTSE, após a Bolsa de Xangai cair pelo segundo dia consecutivo, em -3,5% hoje, estendendo as perdas no período para -5,4%.

 

O tombo na China ainda é reflexo da preocupação de que a valorização das ações estão superando o crescimento dos lucros das empresas, combinada com uma onda de IPOs, que deve enxugar os recursos para os negócios com papéis já existentes. A queda na China conduziu o sinal negativo nos demais mercados da Ásia.

 

O índice japonês Nikkei 225 caiu 0,64%, à medida que o recuo do iene ante o dólar suavizou as perdas locais. Entre os ativos de países emergentes e correlacionados às commodities, o rublo se fortalecia ao passo que o dólar australiano recuava e a lira turca se direciona para a mínima em uma semana. Ainda assim, o petróleo ensaia a primeira alta em quatro dias, enquanto o cobre e os demais metais básicos caem.

 

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