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A decisão de política monetária do Federal Reserve, na quarta-feira, concentra o foco dos mercados financeiros no mundo nesta semana, mas as negociações entre Grécia e seus credores internacionais, bem como entre o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional também merecem atenção. Hoje, o governo Dilma deve apresentar uma opção ao fim do fator previdenciário, ao passo que a Bolsa de Atenas imprime perdas na Ásia, Europa e Wall Street após mais um fracasso no acordo sobre a dívida do país mediterrâneo durante o fim de semana.

O índice Stoxx Europe 600 perdia cerca de 1%, mais cedo. Já a Bolsa grega tombava quase 7%, no menor nível desde abril e com as ações de bancos entre as maiores baixas, após as discussões em Bruxelas, ontem, terem sido interrompidas com apenas 45 minutos de conversa entre Grécia e seus credores, uma vez que havia um vácuo entre o que Atenas tem a oferecer e o que é exigido na contraparte.

Para o economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), Olivier Blanchard, o governo grego precisa oferecer “medidas verdadeiramente críveis” para resolver seus problemas fiscais e reprogramar os pagamentos de dívida a taxas de juros mais baixas. “São escolhas difíceis e compromissos difíceis a serem feitos em ambos os lados”, emendou Blanchard. Agora, o encontro dos ministros de Finanças da zona do euro, na quinta-feira, pode ser decisivo em relação ao “Grexit”.

As demais bolsas europeias também exibem perdas firmes, sendo que as bolsas de Portugal, Itália e Espanha têm quedas mais acentuadas, em meio ao temor de contágio. O euro também perde terreno ante o dólar. Com isso, ficou em segundo plano o alargamento do superávit comercial na zona do euro em abril, com recuo nas importações, mas crescimento mais fraco das exportações.

Do outro lado do Atlântico Norte, os índices futuros das bolsas de Nova York também são contaminados pelo fator grego, o que incita uma busca por proteção nas Treasuries. Porém, as atenções por lá estão concentradas na reunião do Fed, que termina na quarta-feira, quando também serão anunciadas as projeções macroeconômicas da autoridade monetária para os Estados Unidos.

Mas o que os investidores querem mesmo saber é se a primeira alta do juro norte-americano desde 2006 ocorrerá em julho, setembro, outubro ou dezembro. Isso porque a presidente do Fed, Janet Yellen, e seus colegas do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc), têm insistido no plano de elevar a taxa dos Fed Funds ainda neste ano.

A agenda econômica norte-americana já começa forte hoje, com os números sobre a produção industrial em maio, às 10h15. Antes, às 9h30, sai o índice Empire State de manufatura.

Na Ásia, o índice MSCI da região caiu ao redor de 1%, em meio ao colapso nas negociações gregas e também diante de temores sobre margens de negociação e escassez de recursos na China, por causa da enxurrada de IPOs. A Bolsa de Xangai registrou a maior queda diária desde 28 de maio, e -2%, abandonando a máxima em sete anos.

Já no Brasil, o dia tem as tradicionais divulgações, com a Pesquisa Focus, do Banco Central, pela manhã, e os números semanais da balança comercial, à tarde. Na semana, as atenções se voltam para as vendas no varejo em abril, amanhã, e também para o IPCA-15, na sexta-feira.

Ainda assim, o radar para os negócios locais está direcionado para Brasília, uma vez que o ajuste fiscal volta à pauta. Durante o fim de semana, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, voltou a defender a redução da desoneração da folha de pagamentos, mas o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), não garantiu a votação do projeto nesta semana.

Levy disse ainda que o Brasil conseguiu afastar o risco de rebaixamento do rating soberano, mas ressaltou que se os progressos não tiverem continuidade, esse temor pode voltar. Aliás, a queda na arrecadação de tributos em maio disparou o sinal de alerta em relação ao cumprimento da meta fiscal deste ano, de 1,2% do PIB. Além disso, em 22 das 27 unidades da Federação, o limite de gastos com servidores já foi atingido.

Atualmente, apenas Rio de Janeiro, Amazonas, Mato Grosso do Sul, Maranhão e Rondônia estão na zona de conforto. Na semana passada, é bom lembrar, o ministro Levy esteve reunido com vários governadores de Estados brasileiros. Hoje, ele participa da reunião de coordenação política, às 9 horas, e, à tarde, recebe o presidente da OAB.

A presidente Dilma Rousseff, por sua vez, recebe o ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias, às 15 horas, além de também participar da reunião das 9h. O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, tem apenas atividades internas. O diretor de Política Econômica, Luiz Awazu, desloca-se para Zurique (Suíça).

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