Ata do Copom, Grécia e varejo nos EUA recheiam o dia

11.06.2015

 

A ata do Copom, a ser divulgada às 8h30, merece atenção redobrada nesta quinta-feira, após a surpresa com o IPCA de maio, na véspera, que inesperadamente acelerou a alta e acumula em 12 meses a maior taxa desde dezembro de 2003. Esse resultado da inflação oficial no país no mês passado pode estar contemplado, ainda que implicitamente, no documento e tende a desautorizar o Banco Central a ser mais suave (“dovish”) na condução da política monetária. Com isso, a tendência é de que a Selic continue subindo.

 

A atratividade do diferencial dos juros brasileiros ante o praticado ao redor do mundo também tende a manter o dólar refém do capital especulativo, enfraquecendo-se ante o real. Atento ao fluxo positivo de recursos, o BC anunciou, ontem à noite, uma redução no volume da rolagem do lote de US$ 8,7 bilhões de contratos de swap cambial que vencem em julho.

 

Hoje, a autoridade monetária irá renovar 6,3 mil contratos, de um ritmo diário de 7 mil contratos que vinham sendo renovados, até então. Dessa forma, cerca de 75% do lote que vence no próximo mês deve ser rolado, ou pouco mais de US$ 6,5 bilhões, de algo em torno de 80%, antes. Ontem, é bom lembrar, o dólar subiu, a R$ 3,11, após duas sessões seguidas de queda.

 

Mas o documento do BC pela manhã é apenas um dos destaques da carregada agenda econômica, no Brasil e no exterior hoje. Por aqui, o dia já começou com a divulgação da primeira prévia de junho do IPC-Fipe, que subiu 0,61%, mantendo o ritmo de alta apurado ao final de maio, quando o indicador avançou 0,62%.

 

Logo mais, às 8h, sai a leitura inicial do mês do IGP-M, que deve ter taxa entre 0,10% e 0,48%. Também são esperados para hoje os números do IBGE e da Conab para a safra  agrícola e sobre as vendas de papelão ondulado, ambos em maio.

 

Entre as autoridades, a presidente Dilma Rousseff segue em Bruxelas, mas chega à noite para a abertura do Congresso Nacional do PT. O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, recebe hoje o governador do Pará, Simão Jatene. À noite, ele participa de um evento fechado à imprensa, no Rio de Janeiro, onde também estarão presentes o presidente do BC, Alexandre Tombini, e diretores, como o de Política Econômica, Luiz Awazu.

 

Já no exterior, o dia começou com novos indicadores vindos da China. Tidos como termômetro da atividade, a produção industrial chinesa cresceu 6,1% em maio, em base anual, acelerando-se ante à alta de 5,9% em abril, na mesma comparação.

 

As vendas no varejo do país avançaram 10,1%, no mesmo período, praticamente mantendo o ritmo de expansão verificado no mês anterior, quando a alta foi de 10,0%. Chama atenção, contudo, que o crescimento do comércio varejista nas áreas rurais superou o das áreas urbanas, com +11,6% e +9,9%, respectivamente, em maio.

 

Ainda assim, os resultados da indústria e do varejo chinês ficaram em linha com o esperado. Em reação, a Bolsa de Xangai fechou em alta pela primeira vez em três dias, de +0,31%, sendo beneficiada ainda por dados que mostraram um salto de 30% nas vendas de imóveis novos na China e expansão acima do esperado na concessão de crédito no mês passado, para quase US$ 200 bilhões. Combinados, os números chineses mostram que a segunda maior economia do mundo parece estar se estabilizando.

 

Nos demais mercados da região, a Bolsa de Tóquio também subiu, pela primeira vez em cinco dias, com +1,5%, diante dos fortes ganhos em Wall Street na véspera e em meio ao otimismo com o progresso que tem sido feito nas negociações sobre a dívida da Grécia. O iene perdeu terreno ante o dólar.

 

Essa sensação em relação a um encaminhamento da delicada situação grega sustenta os mercados europeus em alta nesta manhã. A Bolsa de Atenas caminha para o maior ganho diário desde fevereiro, de mais de 6%, o que impulsiona as demais praças na região, à medida que o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, segue negociando com seus credores.

 

Tsipras prometeu à Alemanha e à França que irá intensificar os esforços para concluir o pacote de reformas e as questões orçamentárias a fim de liberar ajuda financeira. Para o membro do Banco Central Europeu (BCE), Jens Weidmann, o tempo para a Grécia “está se esgotando e o risco de insolvência está aumentando a cada dia.

 

Entre os demais ativos europeus, a moeda única da região estava de lado ante o dólar, mas com um ligeiro viés de baixa, ao passo que o bund alemão de 10 anos continuava a ser negociado na faixa de 1,02% nesta manhã. A Bolsa de Londres subia, apesar de certa oscilação entre as ações de bancos, e a libra também estava mais fraca.

 

Nas divisas de países emergentes e correlacionadas às commodities, destaque para o dólar neo-zelandês, que encostou na mínima em cinco anos ante o xará norte-americano depois de o BC local surpreender e cortar os juros do país em 0,25 ponto porcentual, 3,25%. O dólar australiano, por sua vez, subia, depois da inesperada queda no desemprego do país, com a taxa atingindo a mínima em um ano em maio, a 6%, de 6,2% esperados.

 

Ainda assim, essa tentativa de recuperação do dólar dos Estados Unidos, após uma pressão de baixa no início da semana, penaliza também o petróleo e a commodity não consegue tirar proveito da declaração da Agência Internacional de Energia (AIE), de que a demanda global pelo insumo está crescendo. Por fim, em Wall Street, os investidores estão ansiosos pelo mais aguardado indicador econômico da semana, referente às vendas no varejo.

 

O indicador será conhecido às 9h30, juntamente com o índice de preços de produtos importados e com os pedidos semanais de auxílio-desemprego - todos referentes ao mês de maio. E a expectativa é de que, após a decepção com o comércio varejista nos últimos meses, as vendas no varejo norte-americano disparem 1,5%, de uma leitura estável em abril.

 

À espera desses números, os índices futuros das bolsas de Nova York estão na linha d’água. Ontem, o S&P 500 e o Dow Jones registraram os maiores ganhos diários em mais de um mês, de mais de 1%, cada.

 

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